TUDO PELO SOCIAL: A SALA GANHOU AMPLITUDE

Sem correria, ao longo de dois anos, o casal foi remodelando o imóvel zero-quilômetro de 65 m², em Osasco, SP, até deixá-lo do jeito com que sempre sonhou

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Trabalhar com prazo folgado se mostrou uma estratégia acertada. Mesmo enfrentando os habituais imprevistos de uma obra, a jornalista Sarah Ferrari de Lima e o administrador Marcos Alexandre Souza conseguiram concluir a reforma antes do casamento. “Também pudemos espaçar os gastos, o que nos permitiu investir em metais e acabamentos mais sofisticados”, diz Sarah. O resultado não poderia ser outro: “Amamos, ficou com a nossa cara! Faltam só alguns detalhes de decoração”. Que serão resolvidos com toda a calma, é claro.

O casal abriu mão de um dos quartos e solicitou à construtora que entregasse o imóvel com a sala ampliada. Assim, o espaço onde seria o dormitório passou a ser ocupado pelo estar, com nichos e prateleiras sob medida aproveitando o vão que abrigaria o armário embutido.

O jantar, por sua vez, pôde acomodar mesa para seis (Leggy, com base de alumínio e tampo de vidro de 0,95 x 1,80 m, Tok&Stok) mais bufê e frigobar.

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Além de servir de base neutra para móveis e outros itens coloridos, o novo piso branco (Mármore Bianco, 45 x 45 cm, da Portobello, Casa Show) ajuda a iluminar ainda mais o ambiente, que já recebe boa dose de luz natural.

Um balcão americano integra sala e cozinha. “O café da manhã é sempre ali”, diz a moradora.

Na área de serviço, um dos poucos arrependimentos do casal: “Levamos tubulação de água quente até a cozinha, mas esquecemos da lavanderia. Se pudéssemos voltar no tempo…”, lamenta Sarah.

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ESPAÇOS INTEGRADOS

A pedido dos moradores, a construtora eliminou duas paredes (1) que fechavam um dos quartos, resultando no aumento da área da sala. A integração desta com a cozinha era feita por uma bancada de alvenaria, que, no projeto original, apoiaria a mesa de refeições. O casal preferiu substituí-la por um balcão de MDF (2) com gavetas e armários.

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Matéria publicada pelo jornalista: Daniel John Furuno do, Portal Minha Casa em 24 de maio de 2016

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CASAS ESTREITAS GANHAM ESPAÇO NAS CIDADES

Em Portugal e na Suécia, terrenos apertados exibem boa arquitetura

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Estas casas contemporâneas encontram lugar no disputado espaço urbano sem desprezar a tradição à sua volta.

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A House 77, do Dioniso Lab , fica em Póvoa de Varzim, Portugal. A cultura dessa antiga comunidade de pescadores foi traduzida pelas perfurações na fachada, que reproduzem sinais da pré-escrita da região nos painéis de aço

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Em Landskrona, na Suécia, a moradia minimalista projetada por Elding Oscarsoncelebra a arquitetura das edificações históricas do entorno ao optar pela conciliadora neutralidade

Matéria publicada pela jornalista: Liège Copstein da, Arquitetura e Construção em 12 de maio de 2016

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NA MEDIDA

O desejo dos proprietários era imprimir uma atmosfera industrial à decoração do apartamento. Mas sem exageros

Medida 1Depois da reforma, o apartamento ficou com dois quartos. O terceiro, da planta original, virou sala de TV.

O desafio encontrado pela arquiteta Kika Tiengo, do Tango Arquitetura, neste projeto de 90m², no Itaim, estava além de enfrentar os problemas que costumam aparecer no decorrer de uma obra grande. Foi preciso muita pesquisa de referências para captar exatamente o que os clientes queriam: um apartamento com ares industriais, mas sem exageros, “Eles queriam essa estética, mas quando viram alguns itens que poderiam contribuir bastante para atingir este objetivo, como os tijolos rústicos escolhidos para a parede da sala, eles optaram por uma abordagem um pouco mais contida”, diz Kika.

Sendo assim, os tijolos escolhidos por Kika foram substituídos pro outro modelo, de aparência mais limpa. Os outros revestimentos usados, além de remeterem ao clima desejado, fizeram parte de outra questão que permeou o projeto, a intenção de limitar um pouco o orçamento. “Usamos azulejos brancos quadrados, que são relativamente baratos. Para dar uma graça a mais, usamos rejunte preto. No lugar de usar pedras de limestone, optamos pelo granito.”

Já o piso da cozinha e dos banheiros ganharam investimento especial, feito na compra de ladrilhos hidráulicos. “A ideia inicial era usar o mesmo ladrilho também na parede, mas isso encarece bastante a obra”, explica a arquiteta.

No fim do projeto, Kika considera que atingiu seu objetivo de criar um espaço com inspiração industrial sem ser rústico demais, nem caricato. “Como é um estilo que está bastante em alta no momento, fazer algo com muitos elementos que seguem essa estética é arriscado, pode ficar datado daqui a alguns anos.” O resultado, no fim das contas, agradou cliente e arquiteta.

Medida 2Vista da cozinha a partir do estar.

 

 

Medida 3O aparador junto ao sofá é usado como escritório.

 

 

Medida 4Estante com estrutura de ferro e madeira desenhada pelo escritório. O revestimento de tijolos, é da Palimanan.

 

 

Medida 5Na cozinha, piso de ladrilho hidráulico da Dalle Piage. No jantar, mesa de Fernando Jaeger e cadeiras da GP Life Decor.

 

 

Medida 6A ilha do cooktop.

 

 

Medida 7No banheiro da suíte, aparador desenhado pelo escritório e executado pela Marcenaria Artezanali.

Matéria publicada pela jornalista: Natália Mazzoni do, O Estado de São Paulo em 10 de abril de 2016

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APARTAMENTO COM CLIMA DE CASA

Com 70 m², o imóvel térreo foi todo modificado para aproveitar o que ele tinha de melhor: a área externa. O ponto alto do projeto foi a transferência da cozinha para fora – o local virou o queridinho da família carioca e dos amigos, e tem até chuveirão para os dias de calor.

Apa 1O ponto alto desse projeto foi a transferência da cozinha para fora – o local virou o queridinho da família carioca e dos amigos, e tem até chuveirão para os dias de calor .

Na hora da compra, só mesmo olhar treinado da moradora e arquiteta Alê Amado para receber que uma reforma deixaria o imóvel perfeito para a família. “Ele era unido com outro, do andar de cima, mas compramos só o térreo. Então tive de mexer na planta inteira”, conta. O novo layout partiu da remoção da escada, e quase todos os cômodos foram reposicionados. A paixão do marido pela culinária pautou o planejamento: a cozinha se deslocou para a área nobre, a varanda. “Assim, cozinhamos e comemos olhando o jardim”, diz. A obra ainda priorizou o estar integrado com o canto gourmet e incluiu um quarto e um banheiro a mais.

O melhor espaço da casa é aqui

Morar no Rio de Janeiro tem essa vantagens: “O clima é maravilhoso,  e temos calor quase o ano inteiro, então a cozinha do lado de fora é sempre uma delícia”, explica Alê. Para os dias de chuva, a proteção se dá com a estrutura de metalon, coberta com vidro. “Uma persiana romana no teto protege do sol e se abre quando queremos ver as estrelas”, comenta. As laterais podem ser fechadas com toldos plásticos, barrando o vento, ou mesmo aproveitando o ar condicionado da sala, integrada por portas de correr de vidro.

A área de trabalho fica no fundo, e uma bancada de ardósia cinza polida (Todos os Mármores, R$ 1095), com acabamento frontal em tijolos maciços, faz a divisa com o canto de refeições. Reforçando o clima de quintal, a mesa e os bancos são de madeira de demolição, de peroba rosa, trazidos de uma viagem a Tiradentes, MG.

Para que o almejado jardim não prejudicasse a circulação, optou-se por jardineiras estreitas e plantas cultivadas sobre o muro. No meio dos canteiros, a ducha é um alento para dias de sol. O espaço se destaca com a cerâmica vermelha, também comprada em viagem.

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Matéria publicada por Minha Casa em abril de 2016

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RECUPERAÇÃO DA INDÚSTRIA, IMPULSIONA SALÃO DO MÓVEL DE MILÃO

CEO do principal evento de design internacional aproveita momento de expansão para atingir novos mercados

Recu 1Estante da marca italiana de móveis Magis no Salão do Móvel de Milão 2016.

Trata-se de um motor econômico. No último biênio, o setor moveleiro foi um dos poucos da economia italiana que tiveram recuperação, registrando, em 2015, crescimento de 2,7% em relação a 2014. As exportações, ao que tudo indica, também vão bem. Palco por excelência do móvel “made in Italy”, o Salão do Móvel de Milão não ficou atrás. “Nada sinaliza melhor este momento de expansão que a qualidade dos produtos em mostra”, afirmou o CEO do salão, Marco Sabetta, que falou com exclusividade ao Casa.

Qual seu balanço da última edição do salão?

Foi uma boa edição, tanto em termos qualitativos quanto quantitativos. Percebo que as empresas têm investido fortemente na apresentação de seus estandes, atingindo resultados surpreendentes. Em termos de frequência, recebemos a visita de 372.151 profissionais, um aumento de 4% em relação ao ano passado. Entre o público em geral – que pode visitar a feira no sábado e no domingo –, o comparecimento atingiu 41.372 visitantes, ante 39.155 em 2015.

Recu 2Espaço da fabricante de cozinhas alemã Nobilia, na Eurocucina 2016, evento que acontece a cada dois anos paralelamente ao Salão do Móvel de Milão.

Quando cada edição começa a ser elaborada e como são definidos os eventos colaterais?

Já durante a feira, quando experimentamos, in loco, procedimentos especiais para a melhoria de serviços voltados para expositores e visitantes. Depois, assim que o salão termina, quando começamos a implantar novas estratégias. Os eventos paralelos são definidos de acordo com as necessidades de nossas empresas. Como aconteceu este ano com o evento Before design: Classic (Antes do design: Clássico). Percebemos que seria necessário redirecionar o olhar do mercado para um tipo de produção normalmente ofuscada pela de design, mas que tem enorme acolhida em países do Oriente Médio e na Rússia.

Como vê a participação do Brasil no evento?

O Brasil é um país muito interessante tanto do ponto de vista criativo quanto do comercial, que sempre demonstrou um crescente interesse pelo nosso design e, consequentemente, pela produção veiculada no Salão do Móvel de Milão. Este ano tivemos grande satisfação em contar com empresas brasileiras na mostra oficial e também com alunos de uma universidade brasileira no Salão Satélite. Certamente, a crise que o País atravessa não ajuda, mas esperamos que esse quadro se reverta com brevidade para que voltemos a contar com um grande número de visitantes brasileiros, como tivemos em anos recentes.

Recu 3O CEO do Salão do Móvel de Milão 2016, Marco Sabetta.

Matéria publicada pelo jornalista: Marcelo Lima do, O Estado de São Paulo em 30 de abril de 2016

 

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PONTO DE ENCONTRO

Salão Satélite e Zona Lambrate: plataformas de lançamento em Milão

Ponto 1Trio de mesas laterais da Form & Seek, na Zona Lambrate.

Fermento para uma indústria que se nutre de inovação, o talento jovem há muito é reverenciado em Milão, onde conta com público cativo e endereços exclusivos. Primeiro evento a dedicar especial atenção à produção de jovens designers de todo o mundo, o Salão Satélite, criado pela curadora Marva Griffin-Wilshere em 1998, reafirma sua posição de ponto de encontro de talentos de todas as latitudes.

O evento reúne trabalhos de criadores com menos de 35 anos – e de alunos de escolas convidadas – e muitos protótipos apresentados em suas edições anteriores já se encontram em produção. Alguns de seus antigos participantes são hoje nomes consagrados do design internacional.

Além de conceder um prêmio anual – conquistado pelo alemão Philipp Beisheim, com sua mesa lateral inflável -, o salão este ano discutiu em seminário o tema “Novos materiais, design novo”, com o objetivo de apresentar um painel das possibilidades abertas a jovens designers.

Para além dos limites do pavilhão de exposições de Rho-Pero, uma outra área, a nordestina de Milão, está caminhando a passos largos para se converter em um das principais protagonistas dos eventos furisalone. Ao menos no que diz respeito ao talento jovem.

Ex-zona industrial agora frequentada e habitada por designers, fotógrafos, estudantes e jovens criativos, principalmente do norte da Europa, a região de Lambrate está se transformando em uma das áreas mais disputadas da cidade durante o Salão do Móvel.

Nomes de peso de cena internacional, como o alemão Maarten Baas, realizam ali suas mostras anuais. Recém-chegado à área, o brasileiro Marcelo Rosenbaum acaba de expor por lá.

Centro nervoso local, a via Ventura é a mais movimentada da área, mas os eventos por lá não têm hora nem lugar para acontecer: podem ocorrer nas galerias, nas lajes, nas ruas. Ou onde a imaginação mandar.

Ponto 2Mesa lateral inflável do alemão Philipp Beisheim.

 

 

Ponto 3Válvula para a mesa lateral inflável do alemão Philipp Beisheim.

 

 

Ponto 4Relógio do estúdio Original, apresentado na Zona Lambrate.

 

 

Ponto 5Aparador do estúdio polonês Kosmos Project, no Salão Satélite.

 

 

Ponto 6Cadeira desmontável de Luis Antônio Pessatte, apresentada no Salão Satélite, no espaço Belas Artes.

 

 

Ponto 7Peças da cadeira desmontável de Luis Antônio Pessatte

Matéria publicada por, O Estado de São Paulo em 01 de maio de 2016

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A MADEIRA POR SEUS DESIGNERS

Lançada pela Tok & Stok, coleção reúne grandes nomes da marcenaria em móveis projetados a preços mais acessíveis

Madeira

Cadeira CM-9 (R$ 1.650), de Carlos Motta, feita com encosto trançado, para áreas internas e externas.

A Tok & Stok acaba de lançar uma coleção que, além de homenagear a madeira brasileira, traz para o público peças assinadas pro grandes nomes do design nacional, juntas numa coleção batizada de Mestres da Marcenaria. “Conseguir colocar uma peça numa loja mais acessível é certamente o sonho de todo o designer que se preocupa com a realidade do consumidor. É lamentável a baixa qualidade de desenho que o mercado oferece. Com a mesma madeira que se faz um móvel que não tem preocupação alguma com o design, se faz algo melhor. Espero que essa experiência seja mais um passo nesse sentido”, diz o designer Paulo Alves, que para a ocasião desenhou o banco Guido.

O designer venezuelano Pedro Useche também comemora a iniciativa. “A criação de qualquer peça exige dedicação, mas esse caso foi especialmente desafiador. Era preciso otimizar material, pensar numa execução fácil, sem perder a qualidade estética e ergonômica. E isso tudo é recompensado quando penso que vou chegar a um número maior de pessoas”, comenta.

A coleção conta também com outros nomes de peso como Claudia Moreira Salles, Zanini de Zanine, Alan Blatché, Carlos Motta, e Marcenaria Baraúna.

Madeira 1Sofá Mangaratiba (R$ 4.980), de eucalipto, de Claudia Moreira Salles.

 

 

Madeira 2Poltrona de eucalipto Ubá (R$ 1.440), de Pedro Useche.

 

 
Madeira 3Banco Caipira (R$ 744) de madeira pregada.

 

 

Madeira 4Banco Guide (R$ 1.750), de Paulo Alves, pode ser usado também  como aparador.

 

 

Madeira 5Nanda Banco Alto (R$ 699), de Zanine, de Zanine, feito de eucalipto.

 

 
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Cadeira Weiqi (R$ 990), de Alain Blatché, tem assento de couro.

Matéria publicada pela jornalista: Natália Mazzoni do, O Estado de São Paulo em 10 de abril de 2016

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COMO POSSO AJUDAR?

Com grande inventividade, as criações do inglês Peter Marigold conectam-se às necessidades reais do dia a dia

A formação de Peter Marigold em artes – estudou no Royal College of Art, em Londres – confere especial caráter e suas produções. Além de assinar esculturas, ele transitou pela cenografia de teatro. Essas experiências transparecem em suas propostas, focadas no poder de transformação do design.

Com nascem suas ideias? Eu sou uma pessoa bem prática e, quando me encontro numa situação estranha, começo a imaginar como poderia resolvê-la. Isso geralmente acontece quando estou de folga ou viajando e tenho tempo para observar detalhes ou problemas num quarto de hotel, por exemplo. Às vezes, o insight resulta em móveis grandes. Em outras, peças pequenas.

O trabalho com escultura e teatro influencia seu traço? Não de maneira óbvia, mas me interesso por sistemas mutantes, característica da cenografia. Um exemplo é o FORMcard, o qual considero minha melhor invenção. É pequeno e quase anônimo, mas reflete minha pesquisa sobre mudança, adaptação, improvisação e também brincadeira. Foi feito pela criança que existe dentro de mim e é dedicado à criança presente em todo adulto.

Do que se trata? Por alguns anos, testei termoplásticos até chegar a esse material, composto de minúsculos grânulos. Queria convertê-lo num acessório conveniente e fácil de usar, algo para carregar no bolso a fim de usar, algo para carregar no bolso a fim de resolver diferentes situações e executar pequenos reparos. Finalmente, optei por esse formato de cartão de crédito come espessura ideal e simples de derreter. Estamos fabricando em diversas cores.

 

FormcardMergulhe o bioplástico FORMcard em uma xícara de água quente e ele logo se tornará maleável, servindo a infinitos usos: você pode moldá-lo como suporte para seu celular ou usar parte dele para consertar o cabo quebrado do guarda-chuva.

 

MakeMake/Shift: sistema leve de estantes de polipropileno expandido capaz de se ampliar e se contrair para caber em diferentes espaços.

 

Peter MarigoldOs móveis de Peter Marigold oferecem soluções práticas sem perder o apelo escultural.

 

 
Split BoxOs módulos da linha Split Box podem ser arranjados a gosto, se encaixando de forma assimétrica.

Matéria publicada por Arquitetura e Construção em abril de 2016

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TRANSFORMAÇÃO RADICAL

Após meticulosa reforma, apartamento em Pinheiros revela potencialidades até então desconhecidas

Trans 2Na sala de estar, o painel azul é, do outro lado, o armário da suíte. o sofá, dos anos 1950, foi herdado da avó da moradora. O lavabo fica atrás do louceiro. O piso, de ripas de tauari, é da gasômetro Müller.

O lugar até parece uma casa. Com estrutura aparente no teto e varandas na sala e no quarto, este apartamento de 85m², em Pinheiros, fica em um prédio antigo, da década de 1940, sem elevador e com dois andares. O imóvel, reformado pelo escritório RSRG Arquitetos, fica no topo e, antes da obra, estava bem diferente do que é hoje.

Com ambientes bastante escuros, distribuídos com pouca preocupação com o aproveitamento do espaço, e revestimentos inusitados – o piso era de concreto argila expandida -, o apartamento estava tão decadente que até olhos mais treinados, como do arquiteto Rogério Gurgel, um dos responsáveis pelo projeto, tiveram certa dificuldade para enxergar seu potencial. “Quando a moradora me mostrou o espaço, recém-comprado, cheguei a duvidar que ficaria como ficou. Foi uma transformação, demolimos muita coisa e não construímos quase nada. A única parede de alvenaria hoje é a que separa o banheiro da suíte e o lavabo”, diz.

Depois da demolição, instalações elétricas e hidráulicas foram refeitas, mas a grande mudança aconteceu no momento em que foi tirado o forro do teto. “Quando pintamos a estrutura do telhado de madeira de branco, o apartamento se revelou”, conta Gurgel.

Já que a ideia era construir o mínimo possível, a área social é dividida da suíte por um grande móvel de laca azul, uma das soluções conceituais que os arquitetos usaram no projeto. “É como se a reforma tivesse sido feita para criar um ambiente que comportasse, e valorizasse, uma caixa azul como centro das atenções”, explica. A peça, quando vista da sala, é só um painel, mas na lateral, no corredor de acesso à área íntima, tem compartimentos que funcionam como rouparia. No quarto, é um guarda-roupa.

Outra solução que trouxe mais um elemento interessante para o imóvel está na divisão do lavabo e da área de refeições, feita por um vidro jateado, que funciona também como o fundo de um Louceiro. “O vidro ocupa menos espaço que uma parede de drywall e quando a luz que vem de um abajur antigo, está na área social”, conta.

Na obra, a cozinha mudou de lugar e ficou mais compacta. Integrada ao living por uma abertura na parede, o móvel instalado acima da bancada da pia deixa à mostra uma abertura na parede que permite a entrada de luz no ambiente. A sala de TV, projetada para ser um ambiente mais resguardado, pode servir de quarto de hóspedes quando necessário. Ainda no living – que recebe farta luz natural – sobrou espaço para uma pequena área de trabalho, com mesa e armários antigos.

Na suíte, a pia do banheiro, deixada fora da área molhada, tem, além do armário embaixo da pia, um vertical, que acomoda produtos de higiene e ainda faz uma discreta separação da cama. “Gostamos da ideia de intervir sem construir, reformar a partir de outros elementos da arquitetura que não são necessariamente paredes. Neste projeto, o resultado é algo que sempre me remete a um céu azul. Antes, confesso, o ambiente era um tanto tenebroso”, diz Gurgel.

Trans 1Projeto revitalizou apartamento em Pinheiros.

 

 

Trans 3A estrutura do telhado, toda de madeira, foi pintada de branco. O banco de concreto embaixo da janela, foi construído para a moradora ler. A iluminação é da Reka.

 

 

Trans 5No espaço de jantar, louceiro com fundo de vidro jateado. A mesa e as cadeiras são também de Julio Mariutti.

 

 

Trans 6Na parede perto da mesa, quadro de Marco Mariutti e bacia com suculentas da Selvvva.

 

 

Trans 8Com a derrubada das paredes, aprte do living foi reservada para servir de escritório. Os armários de madeira também são acervo de família, assim como as poltronas de couro do estar, que foram reformadas.

 

 

Trans 9Sala de TV, com poltrona de Julio Mariutti.

 
Trans 10A suíte, assim como a sala, tem varanda. O móvel azul, no quarto funciona como closet.

 

 

Trans 11O armário vertical, na pia do banheiro, separa a área molhada da cama. A obra na parede é de Marco Mariutti.

 

 

Trans 12Entre o teto do banheiro e o telhado, um boiler resolve o problema de não ter gás encanado no prédio.

 

 

Trans 13Ao fundo, o banheiro com deck de madeira e ofurô.

Matéria publicada pela jornalista Natália Mazzoni do, O Estado de São Paulo em 27 de março de 2016

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QUE SEJA AQUI MINHA CASA

Radicado em São Paulo, casal contrata arquiteta para imprimir atmosfera carioca a seu duplex em SP

Foi o desejo de habitar ambientes mais descontraídos, menos congestionados visualmente e melhor iluminados – atributos esses vistos por muitos como típicos do viver à carioca – que levou o jovem casal de proprietários a voltar seus olhos para sua terra natal na hora de executar a aguardada reforma de sua cobertura duplex, de 250 m², no bairro do Panamby, em São Paulo.

“Eles estão há muitos anos radicados em São Paulo, mas frequentemente viajam ao Rio. Nos conhecemos durante uma visita à Casa Cor Rio, há dois, eles se encantaram com a fluidez a luminosidade que, segundo eles emanava do ambiente que eu havia projetado para a mostra que, de alguma forma, eles gostariam de ver reproduzidas em São Paulo”, comenta a arquiteta carioca, Paula Neder.

“O casal sabia exatamente o que procurava. Queriam um apartamento simples, mas elegante, como faziam questão de frisar”, recorda Paula, que aceitou o desafio, tendo como base uma paleta de cores bem específica, que alternava nuances de branco, azul e verde.

“A dona da casa me segredou que seu maior desejo era se sentir em Itaipava, cidade serrana do Rio, quando estivesse no andar de baixo, e, em plena Búzios, em uma casa de praia, quando estivesse no pavimento superior”, brinca a arquiteta, que com parâmetros claros em mente empreendeu a completa reforma do imóvel.

Para sugerir maior amplitude e praticidade de uso, um dos quartos da planta original foi eliminado e uma suíte surgiu no pavimento superior, a partir de redistribuição das áreas da antiga sala, de um outro quarto e de um banheiro. As paredes que dividiam o terraço foram demolidas, abrindo espaço para a criação de um banheiro e de uma mini copa que serve de apoio para a cozinha gourmet.

Bastante arborizado, o entorno do edifício foi altamente inspirador para a arquiteta, acostumada a vislumbrar paisagens a perder de vista. Assim como a luz natural, densa e abundante, que todas as manhãs lava as paredes dos dois pavimentos. “Diante deste cenário, optei por fazer uma decoração da base neutra, mas pontuada por cores nos móveis e objetos”. resume Paula.

Sonho confesso dos proprietários, um painel de azulejos, voltado para a sala, ocupa hoje a parede de varanda, do primeiro andar, que teve seu piso recoberto por madeira de demolição, para atender ao desejo da proprietária de se sentir na serra. Ainda no pavimento, paredes de tijolinhos foram pintadas de branco para oferecer ainda melhores condições de reflexão de luz.

“Nossa maior dificuldade foi conduzir a reforma com os proprietários morando no imóvel. Eles queriam acompanhar cada detalhe de todas as etapas da obra. Foi realmente um desafio, mas também muito legal. Raras vezes conheci clientes tão dedicados e interessados”, considera Paula.

Que 1Concebido sem divisórias, o projeto ganhou amplitude e intensa luminosidade.

 

 

Que 2Na varanda painel de azulejos do Coletivo Muda. A mesa de jantar é da Novo Ambiente e as cadeiras da Arquivo Contemporâneo.

 

 

Que 3Na cozinha, aço inoxidável aparece junto a antigos.

 
Que 4Contrastes acentuados no desenho da copa, que mistura plástico e madeira crua.

 

 

Que 5Detalhe da decoração do estar.

 

 

Que 6Cor dominante nos móveis e acessórios, o azul parece no sofá do Estudio Bola e no tapete da Phenicia Concept.

 

 

Que 7A decoração do quarto de bebê faz alusão ao mundo das embarcações.

 

 

Que 8Texturas realçadas no desenho do dormitório do casal.

 

 

Que 9Penteadeira antiga, de madeira talhada, da loja Teo.

Matéria publicada pelo jornalista: Marcelo Lima do, O Estado de São Paulo em 10 de abril de 2016

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