PAIXÃO PELA FÍSICA LEVA À LUMINÁRIA ITELIGENTE

Fundador da Luminae cria modelo de negócio em que o forte é a garantia de redução de consumo de energia.

André Ferreira gosta de física e também de ensinar física. Toda sexta-feira, entre as 7h e as 13h, pode ser encontrado no cursinho Anglo da Granja Viana e, depois, no de Alphaville, em São Paulo. Gosta tanto, que em 2003 chegou a dar perto de 50 aulas por semana, quando ele e um colega com quem cursou engenharia elétrica na Universidade de São Paulo eram donos de um pequeno cursinho: “Imagina: eu com 19 anos entrevistando professor de biologia, de história…”.

Mas agora o tempo é curto: Ferreira chega a sua fábrica de luminárias, a Luminae, no bairro da Casa Verde, por volta de 7h e raramente sai antes das 22h. Filho de um físico e de uma filósofa, apaixonado pelas ciências exatas, o engenheiro acabou se tornando fabricante de um objeto dos mais exatos.

A lista de multinacionais e de grandes varejistas em sua relação de clientes não deixa dúvidas de que ele conseguiu construir um diferencial em seus produtos conceitualmente simples.

Uma luminária de luz fluorescente em geral é um dispositivo muito simples, formado por apenas três peças: a lâmpada, o reator (que fornece eletricidade sem grandes oscilações) e um perfil metálico que serve de estrutura para ser fixado ao teto. Simplicidade e preço baixo fizeram com que ela se tornasse a preferida nos projetos de iluminação para grandes espaços como armazéns, escolas, fábricas e hospitais a partir de 1938, quando a lâmpada fluorescente foi lançada no mercado mundial. Com exceção dos reatores eletrônicos, surgidos no final dos anos 1970, mais silenciosos e que fazem a lâmpada acender instantaneamente, nada mudou muito nesses objetos nas últimas décadas.

Mas André Ferreira conseguiu inová-las. Ele trabalhou em duas frentes: primeiro, na seleção dos materiais e no projeto das luminárias; segundo, num modelo de negócios no qual o que ele vende são projetos que levam a uma economia de energia e a uma melhora na iluminação. Ao final de cada um, ele entrega ao cliente o relatório contendo tabelas, gráficos e fotografias do “antes” e do “depois”, sempre com um “luxímetro” (aparelho que mede a intensidade da luz) no primeiro plano da imagem. Só em economia de energia, os números dos relatórios indicam reduções que oscilam entre 40 e 70%.

Os luxímetros são instrumentos pequenos, pouco maiores do que um celular, e em 2008 André Ferreira carregava um no bolso para medir a luz em supermercados: “Cheguei a ser levado para fora de algumas lojas pelos seguranças, porque não sabiam o que eu estava fazendo e naturalmente eu poderia ser alguma espécie de risco”, relembra. “Eu percebia que a área de iluminação era pouco desenvolvida em termos de eficiência energética, embora estivesse muito bem no que se refere a design e decoração – havia um campo gigantesco de atuação e eu não via ninguém fazendo isso”, comenta.

 

As observações de Ferreira indicaram que era possível criar uma luminária muito melhor do que as vendidas nas lojas, se ele conseguisse descobrir duas coisas: como aproveitar a luz desperdiçada e também qual era a melhor combinação de lâmpada e reator, para render o máximo de luz a cada watt consumido. A resposta exigia, primeiro, a compra de lâmpadas e reatores de todas as marcas disponíveis e de espelhos metálicos – os refletores – de diferentes fabricantes, já que era obrigatório utilizá-los para reduzir o desperdício. Depois, foi preciso improvisar um laboratório para medir a intensidade da luz obtida de cada combinação. No ajuste final de cada luminária, podiam ser variados também a curvatura do espelho e a distância entre a lâmpada e ele, conforme a aplicação planejada exigisse luz mais direta ou mais espalhada. Em outras palavras, André Ferreira aplicou nas suas luminárias os princípios elementares da óptica dos espelhos.

Mesmo assim, foi difícil conseguir o primeiro cliente: “A parte técnica é difícil, mas entrar no mercado é muito mais”, lamenta. “O difícil é você conseguir marcar uma apresentação com alguém. Eles perguntam se você tem clientes e onde já fez uma obra, e a gente não tinha nem uma coisa nem outra”, relembra Ferreira. A primeira reunião positiva foi com o diretor de engenharia da rede Ricoy, que tem 74 lojas na capital e no interior de São Paulo, e só foi marcada porque o pai de André conseguiu falar com um dos donos, o empresário Sussumu Honda, ex-presidente da Associação Brasileira de Supermercados.

Antes do encontro, Ferreira visitou algumas lojas da rede, inclusive a mais moderna, no Guarujá, e com os números que trouxe montou uma proposta: a redução do consumo de energia alcançava 60% na loja mais nova, batia em 70% nas antigas e aumentava em 40% a iluminação: “Fechamos um contrato de 600 luminárias para uma loja que estava em construção – tive de chamar mais dois amigos para ajudar, mas entregamos no prazo”, relembra.

Seis anos depois desse contrato, a rede Ricoy já tem 40 lojas equipadas pela Luminae, e desde então a lista de clientes de Ferreira não parou de aumentar. As pesquisas não pararam e as luminárias já evoluíram: passaram a usar LED no lugar das lâmpadas fluorescentes, e estão sendo montadas com máquinas automáticas, que acabam de ser importadas e ficam numa sala especial, com clima controlado.

Para André, é mais uma área da fábrica para consumir tempo com seu olhar de engenheiro. É uma das tarefas que o faz chegar tão cedo ao trabalho e sair tão tarde. Férias? Não estão nos planos. Ele relaxa nas sextas-feiras, de manhã, dando aulas de física para alunos de cursinho.

matéria publicada no jornal Valor em 30 de abril a 1 de maio de 2015 por Paulo Brito.

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DIRETO DO BRASIL

País ganha presença e visibilidade na Semana de design.

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Em bem-sucedida participação na semana de Design de Milão, o Brasil, representado por fabricantes do setor moveleiro, mas também por designers autônomos, marcou presença dentro e fora do Salão do Móvel. Além de duas novas marcas que acabam de conquistar espaço nas dependências da feira, Saccaro e Butzke, a movimentação verde-amarela foi intensa também no circuito “fuorisalone”.

Ocupando o espaço de galerias, universidades e até as dependências de um palácio barroco, o design brasileiro pode ser visto e experimentado. Frequentou as páginas das revistas especializadas e conquistou admiradores fiéis. A ponto de, a exemplo de outros países, já ambicionar uma agenda paralela de eventos na cidade durante a semana de design.

“Estou aqui há pouco mais de três horas e realmente impressionado com a audiência nesses corredores”, conta, entusiasmado, o gaúcho João Saccaro, presidente da marca que leva seu nome, que pela primeira vez expõe nos concorridos pavilhões de Rho-Pero. “Os chineses até agora são os mais interessados. Querem saber tudo”, afirma.

Pela terceira vez consecutiva participando do salão, o paulistano Pedro Paulo Franco, da marca A Lot of Brasil, confirma o assédio. “O público internacional é bem mais exigente. Mas é preciso saber tanto o que dizer quanto o que não dizer”, brinca ele, que levou para seu estande uma atração para lá de especial: a direção criativa dos brasileiros Fernando e Humberto Campana. “Da coleção Estrela, passando pelo projeto do espaço expositivo e pelo desenho das nossas sacolas promocionais, tudo aqui é deles”, comemora Franco.

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Mesa Serra pelada, de Roque Frizzo, apresentada pela Sacarro em sua estrela no salão do Móvel.

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Luminária de Marcelo Bicudo na mostra Wallpaper Handmade, produzida por La Lampe e Vermeil.

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Espreguiçadeira, Mucuri, Zanini de Zanine para a Butske, no salão do Móvel.

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Poltrona apresentada por Jader Almeida no circuito Brera.

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Poltrona Chita de Sergio Matos, destaque da mostra Energia Brasileira Brazil AS.

Matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo em 22 de abril a 2 de maio de 2015.

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TRÊS DICAS PARA DECORAR UMA SALA DE 9 M²

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“Evite o excesso de móveis e procure peças com mais de uma função, que podem ser facilmente movimentadas em dias de casa cheia. Neste projeto, usei poltronas leves e portáteis” – Sofia Kozma, arquiteta.

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“Aqui, dispensei a mesa de centro e adotei um versátil sofá-cama. Ele fica perpendicular à TV, permitindo assistir aos programas deitado. Indico revestir o estofado em tom claro para não pesar” – Mayra Navarro, designer.

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“Projetei nesta sala um painel de marcenaria bem fino para embutir a TV e esconder os fios sem ocupar muito espaço. O visual organizado afasta a impressão de aperto” – Paola Ribeiro, designer de interiores.

Matéria publicada na revista Casa Claudia em abril de 2015.

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O ESSENCIAL PERMANECE

Mago das estruturas tensionadas, o alemão Frei Otto leva o Prêmio Pritzker 2015, anunciado postumamente.

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Cobertura do Estádio Olímpico de Munique.

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Interior do Ilek, em Stuttgart.

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Diplomatic Club Heart Tent, em Riad, na arábia Saudita.

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Espaço Multihalle, em Mannheim, na Alemanha.

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” Minha arquitetura é a da sobrevivência. Muito simples: sobreviver é o que todos nós fazemos”, Frei Otto, arquiteto.

Conceito primordial que resume o sentido da arquitetura, a tenda marcou a trajetória do alemão Frei Otto (1925-2015). Detido num campo de prisioneiros na França durante a Segunda Guerra Mundial, o então estudante universitário ergueu abrigos com lençóis e cobertores. A primeira obra de fôlego veio em 1955 – um pavilhão de música em Kassel, na Alemanha. Nos anos 60, ele iniciou a carreira acadêmica fundando o Institute for Lightweight Structures and Conceptua lDesign (Ilek), na Universidade de Stuttgart. O reconhecimento mundial chegou duas décadas mais tarde, com sua participação no desenho do Estádio Olímpico de Munique. Frei esteve sempre conectado às tendências de seu tempo. Antecipou a era high-tech ao incorporar estudos de ponta na seara do cálculo, flertou com o pop ao planejar a cobertura do palco da banda de rock Pink Floyd na turnê europeia de 1977 e captou o valor da sustentabilidade ao utilizar papelão reciclável no pavilhão japonês da Expo 2000, em Hanover. Sua obra permanece como referência, ainda que a maioria das estruturas tenha sido temporária. Que isto seja mais uma lição deixada por ele: o essencial permanece, embora já não possa mais ser tocado.

matéria publicada na revista arquitetura & construção em abril de 2015.

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EATALY ABRE LOJA NO BRASIL EM MAIO

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A primeira loja da rede italiana de supermercados gourmet Eataly deve ser aberta no país em maio, na zona de sul de São Paulo, com um adiamento de cerca de seis meses do prazo inicial. A apresentação da loja para o mercado deve acontecer na segunda semana de maio e a inauguração para o público nas semanas seguintes, antecipou ontem o Valor Pro, serviço de informações em tempo real do Valor.

A abertura reforça a expansão orgânica da marca num momento em que há planos de abertura de capital da empresa na Europa em 2017. No ano passado, a empresa anunciou a entrada de um novo sócio investidor na operação global e, semanas atrás, sócios da rede confirmaram projeto de oferta pública inicial de ações do grupo. A decisão passa, por exemplo, pelos primeiros resultados de novas lojas abertas pelo mundo.

Nos últimos dois meses, têm sido feitas contratações de funcionários para a loja no país, com cerca de 4 mil metros quadrados, na avenida Juscelino kubitscheck, na capital paulista. Os controladores brasileiros da cadeia de supermercados St. Marchê investem na unidade em parceria com os donos do Eataly no exterior. Nos Estados Unidos, após a localização do terreno, a abertura do Eataly tem levado dois anos, em média. No Brasil, o ponto foi localizado entre setembro e outubro de 2013, para a abertura em 2015.

O supermercado segue o conceito da rede na Itália e nos Estados Unidos, com espaço para restaurante e cafeteria. A varejista deve comercializar produtos importados da Europa e EUA., especialmente massas e vinhos, num momento de valorização da moeda americana, o que acaba afetando o custo de importação das mercadorias. Como antecipou o Valor no ano passado, dificuldades relacionadas ao projeto, que precisava ser reproduzido no país com fidelidade ao formato lá fora, acabaram adiando a abertura do fim de 2014 para a metade deste ano.

Os sócios brasileiros não confirmam a data de inauguração e não revelam o investimento na loja.

Dados do ano passado consideram valor de mercado para o grupo Eataly em cerca de $ 600 milhões de euros, segundo cálculos baseados em aporte da Tamburi Investment Partners (TIP) na empresa em 2014. A cifra de $ 600 milhões de euros equivale a 15 vezes o lucro operacional do grupo no ano passado.

As vendas brutas da empresa atingiram $ 330 milhões de euros em 2014 e o lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação foi de $ 40 milhões de euros. Entre 2010 e 2013, o Eataly alcançou alta média nas vendas de 33% ao ano. Existem 30 lojas Eataly no mundo, sendo dez pontos localizados na Itália.

Matéria publicada no jornal Valor em 29 de abril de 2015

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APROVEITAR ESPAÇOS.

Para sugerir amplitude e imprimir uma singular leveza aos limitados 80 m² deste apartamento na Vila Nova Conceição, em São Paulo, a arquiteta Vanessa Féres optou por evitar grandes intervenções. Ela decidiu investir em modificações pontuais, mas não menos significativas.

A varanda, por exemplo, antes separada da área social, juntou-se à sala, que, por sua vez recebeu um espelho perto da porta de entrada conferindo profundidade ao espaço. Já a cozinha, também perdeu a meia parede que a dividia da sala e ganhou mais espaço, ficando completamente integrada ao living, muito em função do piso de madeira que avançou pela área e se harmonizou ao mobiliário da cozinha, de mesmo material. Os utensílios, também metálicos, enfatizaram o contraste entre a parede revestida de aço inoxidável com a madeira e com a bancada do silestone branco.

Como o proprietário do apartamento costuma receber os dois filhos nos fins de semana, uma das preocupações da arquiteta foi conceber um segundo quarto para o apartamento, que conciliasse tanto um escritório para o dono como um espaço para seus filhos. Mas sem, no entanto, aparentar algo mal planejado.

Nesse sentido, foram providenciadas duas modificações. A distribuição, por sua vez, também tentou harmonizar os dois usos, lançado mão de um armário de cada lado da escrivaninha. “Fiz de um jeito que não ficasse com cara de escritório que virou quarto, com uma mesa de um lado e os dois armários do outro”, resume Vanessa.

O esquema de cores foi igualmente planejado. Os tons neutros e o cinza que predominam no quarto reforçam a ideia de que o apartamento pertence a um homem solteiro, e foram escolhidos em conversa com o proprietário. Na sala, o branco e a madeira sugerem amplitude, enquanto nos quartos, o amarelo marca presença.

Para Vanessa, é muito importante que o mobiliário seja leve em apartamentos menores. Daí a sua enorme preocupação em valorizar os pequenos detalhes. “O sofá, por exemplo, tem um pé cromado e é elevado. Já a mesa de centro, de vidro, dá mais sensação de espaço. As cadeiras com os desenhos mais vazados. Tudo isso dá mais movimento e leveza ao projeto” explica.

Matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo em 12 a 18 de abril de 2015.

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MILÃO 2015: O QUE OS BRASILEIROS VÃO APRONTAR NA CAPITAL DO DESIGN

Criadores e empresas nacionais prometem agitar a semana de design mais famosa do planeta.

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Madeira em foco. A mostra Rio+Design, presente pela sétima vez consecutiva na cidade italiana, selecionou móveis e objetos com apelo sustentável, caso do banco Sela, de jequitibá maciço e couro, concebido pelo estúdio Em2 Design. Via Tortona, 31, espaço Textile.

Entre 14 e 19 de abril, todos os olhos se voltarão para a capital mundial do mobiliário. Arquitetos e designers brasileiros, que há alguns anos vêm marcando presença por lá, terão uma participação ainda maior neste ano. “Reuniremos peças de 52 profissionais. Nunca tivemos adesão tão grande”, diz José Roberto Moreira do Valle, idealizador do Brazil S/A, que estima um público dez vezes maior do que em 2014. As expectativas também são altas em relação à mostra estreante Made a Milano. “Os 37 expositores se unem para contar a história da produção nacional”, afirma o curador, Waldick Jatobá.

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100% Brasil. Esse é o nome de uma das exposições do Brazil S/A, evento que chega à sexta edição em novo endereço e prevê receber milhares de visitantes. Entre as peças em evidência, a poltrona de cobre Zózimo leva a marca do paranaense Ronald Sasson. Università degli Studi di Milano, Via Festa del Perdono, 7.

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Time estrelado. Estreante no Salão do Móvel de Milão, a empresa catarinense Butzke apresentará as criações de nomes tarimbados, a exemplo da poltrona Biguá, de Carlos Motta. Parque de exposições Fiera Milano, pavilhão 10, Rua F, estande F10.

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O point jovem. Reconhecido por revelar talentos, o Salão Satellite receberá, entre outras atrações, a mesa de centro da arquiteta Andrea Macruz. Os desenhos são esculpidos na placa de MDF por uma máquina CNC. Parque de exposições Fiera Milano.

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Evolução histórica. Depois de três edições em São Paulo, a Made traça um panorama sobre a evolução de nosso design na Itália. Destaque para o banco Concreta, de Claudia Moreira Salles. Palazzo Litta, Corso Magenta, 24.

matéria publicada na revista Casa Claudia em abril de 2015.

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CORES E MÚSICA DÃO O TOM NO APÊ DE 70 m².

Preservar a distribuição dos cômodos e dos pisos entregues pela construtora manteve o orçamento sob controle. Aí, foi possível direcionar a verba para as soluções decorativas que evidenciam a faceta despojada e musical da moradora.

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Quando a administradora e contadora  paulista Juliana Ogawa Palodetto se mudou para Curitiba, levou na bagagem alguns móveis queridos, uma coleção de discos, outra de livros e uma vontade: montar um lar que refletisse seus gostos e sua história. Para isso, escalou a arquiteta Beatriz de Araújo Empinotti, do Union Architectural Concept, que contou com a ajuda da também arquiteta Claudia Fernandez Dias. Como o imóvel era novinho em folha e tinha um layout inteligente, Juliana pediu alteração apenas em uma parede, a da entrada, que deu lugar a uma charmosa estante. As demais intervenções se resumem a boas doses de cores, revestimentos marcantes e mobiliário funcional, com direito a closet e penteadeira em estilo camarim. Quadros, capas de vinis, entre outros objetos, completam o cenário inspirador, feito em três meses.

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“Apoiando-se em tonalidades neutras, há mais liberdade para a inserção do colorido”, explica Beatriz. A arquiteta decidiu aproveitar o antigo tapete cru da moradora e elegeu um cinza-escuro para o sofá (modelo Hayden , de 2 x 0,92 x 0,86 m*. Etna) e o tom de madeira natural para o piso laminado ( Carvalho Escuro Midnight , da linha Legend, da Quick-Step. Natur Pisos), que percorre todo o apê.   A partir daí, a paleta  de cores explodiu, como desejava Juliana. Coral  e amarelo pontuam toda a decoração, esquentando  o clima, enquanto  o azul vem na medida para contrabalançar.

Atrás do sofá, foi aplicada a cor Cerca Viva (ref. C064, da Suvinil. Balaroti, galão de 3,6 litros). As gravuras do designer Henrique Martins (30 x 30 cm), alinhadas pela largura do móvel, agregam ainda mais personalidade.

Logo na entrada, a única divisória de alvenaria que separava o hall da cozinha foi trocada por uma estante onde se acomodam livros e objetos queridos, que dão as boas-vindas. A parede vizinha exibe tinta lousa.

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Espaços otimizados

Com menos paredes, a cozinha parece muito mais ampla. Para bem aproveitar a área, Beatriz mandou instalar armários sob medida de um lado e, para o outro, encomendou um móvel laqueado laranja com design sequinho (1,52 x 0,28 x 1,85 m), desenhado por ela, com função de cristaleira.

Acima da pia, cerâmicas estampadas ( Provence Mix , da Portobello, de  20 x 20 cm. Balaroti) dão bossa à ambientação.

A iluminação ficou mais elegante com o uso do forro de gesso. “As lâmpadas fluorescentes dentro do rasgo no teto ficam camufladas e geram uma ótima luz difusa”, afirma Beatriz.

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Estante versátil: tudo muda em segundos!

Bastou instalar duas prateleiras na parede branca atrás do jantar para que ela virasse a estrela desse canto. As peças, de laminado branco com 8 cm de profundidade, tomam a superfície e ainda continuam após a quina, na alvenaria do corredor. Ali, Juliana apoia seus discos e livros favoritos, que exibem belas capas. “Gosto muito de rock, principalmente de Beatles e Rolling Stones. Até meus livros são sobre música”, comenta a moradora. “O bacana é que esses objetos acabam tendo a mesma função de quadros”, completa a projetista. E a maior vantagem é poder trocá-los e dar novas cores ao ambiente a qualquer momento.

O conjunto de móveis rústicos do jantar, de madeira maciça – que reúne mesa, banco e cadeiras –, foi arrematado por Juliana em um antiquário de Copacabana, durante uma temporada em que ela viveu no Rio de Janeiro. Com azulejos portugueses estampados no tampo, o móvel antiguinho, xodó da moça, faz um belo contraponto com a decoração contemporânea que predomina no apartamento.

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A marcenaria tira proveito dos 70 m²

A bancada (1) da cozinha americana é um verdadeiro curinga! A estrutura tem como função principal formar o balcão de refeições, mas ela ainda avança em direção à sala de estar e fica estreitinha, apoiada na parede, servindo como suporte para a TV.

Na suíte, a área generosa permitiu a criação de um closet: o armário planejado (2) foi disposto perto da entrada, delimitando a área de vestir (3). Ao fundo, se encaixa uma penteadeira (4).

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Tonalidades rebaixadas para trazer aconchego 

No quarto de hóspedes, que abriga o home office, a paleta de cores é mais suave. “Decidimos aplicar papel de parede amarelo estampado em apenas duas superfícies para alegrar, porém em um tom clarinho, que não deixa sobrecarregar o ambiente de 8,10 m²”, conta Beatriz.

Os móveis sob medida também estão presentes aqui, aproveitando cada centímetro do cômodo, inclusive no alto. Bancada e prateleiras receberam acabamento em laca acetinada azul-clara. “Por sorte, a bicama com almofadões que era de Juliana tinha as medidas certinhas para entrar no espaço”, comemora a arquiteta.

“A ideia inicial para o banheiro da suíte era deixá-lo todo branco, entretanto faltava graça. A fim de levantar o astral, decidimos revestir a parede do fundo do boxe com um mix cerâmico que combinasse com a bancada”, justifica. Os móveis com acabamento acinzentado seguem a mesma proposta.

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Na suíte de 12 m² coube closet e penteadeira

A área generosa permitiu a divisão em espaços de dormir e de vestir. Um armário com portas de correr forma um corredor que atua como closet e, do outro lado, tem função de divisória do dormitório. ”Nessa superfície, fixei uma prateleira, reforçando a impressão de que se trata de uma parede”, diz Beatriz.

“A penteadeira foi um dos meus primeiros pedidos. Sempre quis me maquiar em um local com ares de camarim”, revela Juliana. O charmoso cantinho conta com uma bancada dotada de gavetas e espelho redondo com lâmpadas amarelas leitosas.

No quarto, ocupando toda a extensão da parede, a cabeceira segue o alinhamento da prateleira lateral, dando a sensação de continuidade. Ali atrás, há uma iluminação de LED embutida, que se projeta na parede azul ( Brisa do Mar , ref. B347, da Suvinil. Balaroti , galão de 3,6 litros).

Distribuídos livremente por toda a alvenaria em frente à cama, foram aparafusados puxadores redondos que têm o papel de penduradores. “Utilizamos pecinhas brancas, normalmente aplicadas em  mobiliário infantil”, conta a arquiteta.

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Manta artesanal peruana de alpaca na cor laranja (1,80 x 1,20m) e colcha Line Matelassada de algodão e poliéster (2 x 2,60 m). Lola Home R$ 304,80 e R$ 398, mesa ordem.

matéria publicada na revista Minha Casa em abril de 2015.

 

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ATENÇÕES VOLTADAS PARA O PATCHWORK

Para valorizar a parede mais importante do quarto, não é preciso inventar muito: caprichar na escolha da cabeceira é uma solução simples e de efeito. A Vilanova faz bonito com suas quatro partes estofadas revestidas com retalhos de tecido colorido (viscoce e poliéster) e a moldura de madeira com acabamento caramelo. A estrutura, produzida em pínus e MDF, tem medidas de 1 x 0,03 x 0,73 cm* no padrão solteiro e vai aparafusada alvenaria. Na Meu Móvel de Madeira, vale R$ 512,05. Esse modelo também pode ser encontrado nos tamanhos casal, queen e king.

Para grudar até debaixo d’água Descolou? O Fixa Tudo MS, da Amazonas, promete consertar, mesmo que o problema tenha ocorrido dentro da piscina cheia. Basta aplicar o selante no verso da peça que deseja colar e mantê-la pressionada por até 30 segundos no local. Em 24 horas, ela estará bem fixada; em sete dias, a adesão será completa. Além de colar cerâmicas, madeiras, espelhos, metais, PVC e louças, o produto ainda é indicado para fazer vedações e cal afetações. Na lojadoMecanico.com.br, a embalagem de 85g sai por R$ 6,38.

A jarra vai direto ao micro-ondas

A Microplus, da Tupperware, é ideal para derreter chocolate, preparar cremes, gelatinas, pudins, molhos e bolos no micro-ondas, e ainda pode ir à geladeira e ao freezer – o recipiente é feito de policarbonato, resistente a altas e baixas temperaturas. Tem capacidade para 1 litro, escala medidora, 17 cm diâmetro e 9 cm de altura. TupperShop, R$ 63.

matéria publicada na revista Casa Claudia em abril de 2015.

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ESCRITÓRIOS REFLETEM A CULTURA DA EMPRESA

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Marcos Schmidt, líder de desenvolvimento de pessoas para a AL da Dow, diz que a empresa adotou mesas compartilhadas e espaços para conversas informais.

Empresas mudam espaço físico para promover maior interação dos profissionais no trabalho.

Para entender os valores de uma empresa, evite os discursos institucionais declarados na “missão” da companhia e faça uma visita ao escritório dela. O espaço físico de uma organização diz muito sobre a cultura e a forma de trabalhar nela – e também revela grandes transformações pelas quais o mundo do trabalho passou ao longo dos anos.

Cientes disso, companhias que passam por mudanças de escritório aproveitam para promover amplos processos de modificação também cultural. É o caso da empresa de cartões de benefícios Alelo, que vem investindo em um processo com esse objetivo desde 2013. A ideia, segundo o CEO, Eduardo Gouveia, é tornar a empresa mais focada no cliente final e funcionário. O caminho encontrado foi o de quebrar a hierarquia e tornar a comunicação mais fluida.

Essa “missão” está norteando o projeto do novo escritório, para o qual a empresa vai se mudar em junho. O novo prédio, também no bairro de Alphaville na Grande São Paulo, onde fica a atual sede, vai reunir as seis empresas do grupo em um mesmo edifício. “Nossa crença é que o novo espaço físico vai reforçar a cultura que queremos para a companhia”, diz Gouveia, que visitou seis empresas de setores variados para buscar inspiração.

No escritório atual, as mesas estão organizadas em baias altas, que deixam os funcionários de costas um para o outro, e os diretores possuem sala própria. No novo espaço, todos sentarão em mesões coletivos, inclusive Gouveia. Algumas áreas, inclusive Gouveia. Algumas áreas não terão lugar fixo – como a comercial, que passa boa parte do tempo em visita a clientes. “É uma mudança forte de posicionamento. Hoje,  os móveis causam isolamento e o conceito novo vai propiciar integração”, diz.

Haverá um andar com 42 salas de reuniões para todas as empresas do grupo. Na Alelo, existirão espaços informais com sofás e mesas para serem usadas em conversas rápidas entre os funcionários. Já os gaveteiros têm rodinha e estofado em cima, para serem usados como bancos e permitirem reuniões rápidas na própria estação de trabalho.

Para a professora Maria Stella Tedesco, que dá aulas de design e arquitetura na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), mudanças desse tipo refletem as transformações na relação pessoal que os profissionais têm com o trabalho. “As empresas estão menos preocupadas com lugares individuais e mais interessadas nas trocas entre os funcionários. Para isso, os espaços coletivos se tornaram mais acolhedores” diz.

Na sua experiência, uma grande tendência é ter espaços e móveis multifuncionais – como o gaveteiro que também serve como o banco e cafés que são usados como salas de reunião. Nos últimos dois anos, o conceito de “hot desk” – quando os funcionários não tem lugar fixo – também passou a ser mais adotado. “Com ele, há mais facilidade de variar o local de trabalho. O home office também é um reflexo disso”, ressalta.

A tendência é abrir os ambientes, e manter divisões apenas em organizações onde o trabalho exige confidencialidade, ou naquelas que ainda possuem hierarquia forte, Os espaços refletem o próprio dinamismo do mercado. “Empresas crescem e diminuem de acordo com a demanda. Desse modo, qualquer projeto do escritório hoje precisa ser flexível”, diz.

Na construção do ambiente físico, há sempre uma necessidade de equilíbrio entre valores que a empresa quer comunicar e as necessidades dos funcionários para tornar o trabalho mais eficaz possível. Para a consultora Jacqueline Resch, sócia-diretora da Resch Recursos Humanos, a organização do espaço deve representar adequadamente as necessidades de todos. “É preciso pesquisar e ouvir os funcionários antes de introduzir qualquer mudança que possa impactar o trabalho deles”, diz.

Isso fez com que a companhia química Dow, que se mudou para um escritório com espaços mais abertos em 2011, promovesse no ano passado um projeto para fazer ajustes no design da empresa. Para chegar às novas modificações, todos os funcionários responderam um questionário sobre sua relação com o espaço físico, e alguns proffissionais foram selecionados para observar a rotina do trabalho nos andares.

O resultado foi a criação de mesas compartilhadas, espaços para conversas informais, uma zona do silêncio com 24 estações de trabalho isoladas do barulho e a instalação de 418 armários para os funcionários que trabalham parte da semana de forma remota e não possuem estação fixa. “É um processo contínuo para assegurar uma ocupação mais sustentável e garantir que todos os espaços sejam usados de forma inteligente”, diz Marcos Schmidt, líder de desenvolvimento de pessoas para a América Latina.

A reforma aumentou a capacidade total do escritório de 876 para 1.150 pessoas. Hoje, o design da Dow Brasil é referência para outras subsidiárias da América Latina, onde a cultura da empresa e do povo é mais parecida. “Cada região é diferente porque o projeto exige uma análise da cultura. Os latinos são mais abertos barulhentos e gostam de sustentar relacionamentos. Isso contribui para o sucesso do projeto.”

matéria publicada no jornal Valor em  2,3 e 4 de maio de 2015 por Letícia Arcoverde.

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