DESIGN NOVO: LIÇÃO DE CASA

Recém formados, designers mostram criações da sala de aula.01

Peças de estudantes FAAP.

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O banco M&T, de Marília Marinho e Thais Guimarães, acomoda três banquetas nos vãos do assento.

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Banco Filip, feito para servir também como revisteiro.

Criar algo que seja útil. Pensar em espaços compactos, materiais alternativos, peças multiúso. Recém formadas no curso de Design de Produto na Fundação Alvares Penteado (FAAP), Eugenia Monteiro Collaço, Thais Guimarães Costa e Marília Marinho já sabem bem o que querem: fazer parte de nova geração que cria o design de mobiliário brasileiro. “Gosto muito do design nacional e da maneira como o Brasil é traduzido nas peças, pelos materiais utilizados e pela estética dos produtos”, diz Maria Eugenia. De suas mãos, já saíram de porta-retratos a bancos – o modelo Gangorra foi feito para estimular a memória afetiva e a interação entre as pessoas. “O maior desafio foi encontrar uma maneira de impedir que a gangorra virasse sem modificar muito o desenho inicial. Depois de muito cálculo, encontrei o ponto onde foi necessário fixar uma borracha para limitar o movimento da peça”, explica.

Em uma das últimas atividades durante a graduação, Thais e Marília tiveram o desafio de criar, juntas, um banco de madeira teca feito apenas com encaixes que acomoda três banquetas em seu assento. “Queria algo elegante para espaços pequenos, que pudesse ser usado pelos visitantes de forma confortável e sem ocupar espaço quando não estivesse em uso”, comenta Thaís.

Marília ainda assinada outra criação recente, o banco Flip, criado a partir de experimentações com dobraduras de papel. “Fiz algo multifuncional, tanto pela sua forma, já que ele é uma mesinha  e um revisteiro ao mesmo tempo, quanto pela sua capacidade de se transformar em uma estante, quando dois ou mais módulos foram empilhados.

matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo em 14 a 20 de junho de 2015.

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CATÁLOGO PERDE FORÇA E MARCAS APOSTAM NA WEB

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A Ceo Sheri McCoy cancelou reunião com investidores e busca alternativas.

Resiliência, a capacidade de se adaptar ou evoluir frente à adversidade. É esse o teste imposto ao setor de venda direta de produtos de beleza, que perde participação de mercado há pelo menos cinco anos no Brasil, enfraquecido pela concorrência de drogarias e perfumarias, o aumento de custos e, mais recentemente, a mudança no Imposto sobre Produto Industrializado (IPI). A habilidade de estar presente no maior número possível de canais vai separando quem ganha ou perde o consumidor. Por isso, Natura e Avon reforçam a aposta em plataformas on-line. Lojas físicas também estão no rol de possibilidades.

As vendas diretas representaram 26,3% do mercado de produtos de beleza e cuidado pessoal do país em 2014, segundo a consultoria Euromonitor. O setor perde espaço ano após ano. Em 2009, a fatia era de 28,2%. Já as plataformas de varejo pela internet representam fatia de 1,6%. Em 2009, eram 1,1%. O varejo físico representa 72% do total.

“O consumidor venceu as resistências iniciais para comprar on-line e os hábitos mudaram. Ainda assim, ele quer experimentar o produto nas lojas, ouvir opiniões antes de comprar. Cabe às empresas se adaptar à cada nova peculiaridade e situação”, diz Roberto Lima, presidente da Natura. A plataforma digital Rede Natura passou a atender todo o país no fim de 2014, após testes em São Paulo, e chegará à América Latina até 2016. Desde março, a campanha publicitária “Chame Natura, chame que vem”, divulga a nova forma de venda na TV, na internet e em revistas e busca atrair mais o público jovem.

A abertura no Brasil de lojas físicas da marca australiana Aesop (adquirida no fim de 2012) também integra os planos da Natura em 2015. A empresa passa por um momento de adaptação nos negócios, o que inclui a entrada no varejo, a incorporação de ferramentas digitais e a ampliação do portfólio, com a venda de itens de moda e decoração pela internet.

A Avon admitiu, ao divulgar seus últimos resultados, problemas com o “cenário macroeconômico desafiador e o ambiente competitivo no Brasil”. As vendas da americana no país caíram 7% no quarto trimestre – subiriam 4% sem o efeito cambial. A empresa adota estratégia semelhante à Natura ao apostar em ferramentas digitais. Em janeiro, entrou no ar a Avon Store, com diversas linhas da marca. A empresa avança aos poucos pela web, cuidadosa para não desagradar o exército de mais de 1 milhão de revendedoras. Segundo dados da ebit, empresa de pesquisas sobre o comércio eletrônico, a ousadia pode valer a pena. O setor de beleza concentrava, em meados de 2014, 16% dos pedidos da internet. É o segundo maior depois de moda e acessórios (18%).

Na Mahogany, que iniciou as vendas diretas no fim de 2013, também são os franqueados que selecionam os revendedores. A empresa viu nos catálogos a oportunidade de ganhar capilaridade e fortalecer a marca, diz o presidente Jaime Drummond. A empresa está em todo o país, exceto Amapá, Acre e Roraima.

Segundo dados da Euromonitor, enquanto a fatia da Natura no mercado de produtos de beleza e higiene pessoal caiu de 13,6% em 2008 para 11,3% em 2014 e a Avon teve recuo de 8,8% para 5,8%, O Boticário cresceu de 6,5% para 10,3%. Para recuperar o espaço perdido, a expansão da plataformas on-line e a adoção de lojas físicas podem ser só o começo. “O momento é de repensar o canal de vendas. Há um mundo de oportunidades”, diz Roberta.

matéria publicada no jornal Valor em 15 de abril de 2015.

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WALL ART: DESENHOS FEITOS À MÃO DECORAM PAREDES

Uma profusão de linhas pretas, fluidas e com um quê de mistério sintetiza a arte de Giuliano Martinuzzo.

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A ilustração compõe o estar assinado pelo arquiteto Leonardo Junqueira.

Ao contemplar a obra do artista paulista de 28 anos, o espectador é convidado a viajar pelo inconsciente, tendo como guia os traços enigmáticos e orgânicos característicos de seu trabalho. Conhecida como wall art, a técnica praticada por Giuliano compreende desenhos feitos à mão livre em paredes, com alto impacto visual. Prova do sucesso dessa arte é a parceria que o rapaz firmou com arquitetos e designers de interiores para levar as ilustrações ao projeto deles. “Converso antes com os moradores a fim de entender o que querem. Em geral, demoro de dois a três dias para concluir uma imagem”, afirma.

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Giuliano cobra a partir de 600 reais, o m² de sua arte.

matéria publicada na Casa Claudia em maio de 2015.

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ARTIGAS 100 ANOS DE HISTÓRIA

Marco Artigas – neto do consagrado arquiteto modernista, que, neste mês, completaria um centenário – fala sobre as homenagens previstas em várias frentes.

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João Batista Vilanova Artigas (1915 – 1985).

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A segunda moradia de Artigas integra o documento.

Como surgiu a ideia de preparar essa programação? Quando os escritório de meu avô foi vendido, há cerca de sete anos, levamos fotos, manuscritos e toda a documentação para a casa de minha mãe, Rosa Artigas. Ela é historiadora e começou a reescrever vários textos. Laura, minha irmã, fazia, na época, um curso de roteiro e comentou sobre a vontade de produzir um documentário. Num jantar, eu disse a ela: Já que nossa mãe está com tudo em mãos, por que não aproveitamos para lançar um site e um livro também?’ Cada um trouxe uma sugestão. Em 2010, nós nos demos conta da proximidade do centenário e decidimos homenageá-lo. Comecemos atrás de apoio e, no fim, viabilizamos, selo comemorativo e uma grande exposição. Virou uma grande exposição. Virou uma ação multiplataforma, assim como Artigas, que gostava de circular por todas as áreas.

Para você, que também tem formação em arquitetura, como foi participar disso tudo? Muitos estudantes me procuram para dar uma visão mais técnica sobre a obra dele, então a aproximação se mostrou enriquecedora. Como eu tinha apenas 2 anos quando meu avô faleceu, ver tantas fotos, vídeos e textos  escritos por ele foi uma forma de tentar conhece-lo.

Vocês descobriram algo inédito nesse processo? Sim. Além diversos documentos cartões-postais  e rascunhos, há cinco obras que nunca foram publicadas oficialmente, sendo duas desconhecidas do público. Uma é um edifício de 1953, no bairro paulistano de Santa Cecília, que ninguém imaginava ser de sua autoria – eu mesmo já estive lá e não sabia. Já sobre a outra,  na Rua João Moura, em Pinheiros, comentava-se a participação dele no projeto, mas não havia provas. Até que encontrei desenhos assinados, e conseguimos resolver o mistério. Tudo isso estará no livro e, depois, no site para que todos tenham fácil acesso.

“Ele era muito generoso e gosta de partilhar seus conhecimentos. Não queremos que isso se perca”.

Marco Artigas arquiteto e neto de João Batista Vilanova artigas (1915-1985).

Documentário.

Escrito e dirigido por Laura, codireção de Pedro Gorski, o vindeo traz depoimentos de familiares, amigos e alunos, como Paulo Mendes da Rocha e Ruy Ohtake, intercalados entre passeios a seis de suas obras mais conhecidas. Estreia no dia 25 em diversas unidades do Espaço Itaú de Cinema.

Livros.

Vilanova Artigas, cujo texto é assinado por Rosa, com coautoria de Marco, reúne 43 trabalhos (incluindo os croquis originais), divididos por tipo, em ordem cronológica. Outra novidade é A Mão Livre do Vovô, narrativa infantil com os desenhos feitos para os netos. Ambas as publicações são da editora Terceiro Nome.

Exposição.

A 24ª edição da mostra Ocupação, do Itau Cultural, será dedicada ao pai da escola paulista. Do dia 24 deste mês a 9 de agosto, no mezanino estarão cartas, projeções, fotos e brinquedos de sua autoria. A curadoria é assinada pelo instituto, por Rosa e pelo arquiteto Álvaro Razuk. Entreda franca.

Selo Oficial.

Um concurso realizado pela Escola da cidade, instituição paulistana, escolheu, entre 73 propostas, a logomarca dos jovens designers Gabriela Castro. Gustavo Marchetti, Julia Masagão e Paulo André Chagas. A imagem estampará os produtos oficiais do centenário e toda iniciativa relacionada.

Site.

A página www.vilanovaartigas.com já está no ar com uma linha do tempo que abrange projetos e fatos pessoais, culturais e históricos. Coordenada por Marco com base na pesquisa de Rosa. Será abastecida conforme todo o conteúdo em posse da família for digitalizado.

matéria publicada na revista arquitetura & construção em junho de 2015.

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OTA DESIGN LANÇA OBJETOS QUE BRINCAM COM O IMÁGINARIO

Esculturas de cerâmica e de metal compõem a linha Avesso, uma parceria de Marisa Ota, curadora da Paralela Gift, e do arquiteto Samuel Angelo, idealizador do projeto.

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A escultura Fábula (15 x15 x 12 cm), de cerâmica e metal banhado de ouro, vale 616 reais.

De olhar apurado, Marisa Ota, curadora da Paralela Gift, feira paulistana de decoração e design para lojistas, lançou no mês passado a linha Avesso em parceria com o arquiteto Samuel Angelo, idealizador do projeto. Com esculturas cerâmicas e de metal,a marca pretende oferecer itens que falam ao coração. À venda primeiramente na loja IT, em São Paulo, as peças também estarão disponíveis, em breve, na Dona Coisa, no Rio de Janeiro, e na Hill House, em Brasília.

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A bandeja Coelho na Pedra (50 x 28 x15 cm), com base espelhada, sai por 540 reais.

matéria publicada na revista Casa Claudia em Maio de 2015.

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QUARTO DE CRIANÇA: SEMPRE CABE MAIS UM

Um bebê está a caminho? Uma mudança vai exigir que os pequenos durmam no mesmo cômodo? Não se preocupe! Dá para juntar irmãos sem briga!

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Acomodar os filhos no mesmo dormitório, respeitando os gostos e espaços de cada um, é uma tarefa difícil. Mas o resultado pode ser encantador e muito educativo, já que eles aprendem a dividir tudo e a conviver em harmonia. Selecionamos cinco projetos bem-sucedidos que prometem arrancar suspiros e inspirar as mamães que buscam maneiras de unir meninos, meninas e casaizinhos!

Caetano e Pedro são donos de um esconderijo muito divertido

“Esse é o meu lugar favorito no mundo!”, declara Pedro, de 6 anos, o morador da cama de cima. Caetano, de 3, também morre de amores pelo cantinho. E a mãe, a médica Francine Bagnati, se orgulha da parceria dos meninos: “Às vezes, um acorda o outro de manhã para conversar ou brincar. Eles gostam da segurança de ter o outro pertinho”.

O beliche (MH Móveis, R$  6 500), idealizado por ela e feito sob medida, abriga um verdadeiro  QG no vão sob a cama mais alta (1,18 m). Isolada por uma cortina, a cabaninha tem um colchão no piso e funciona como reduto de diversão e de leitura – os pequenos são apaixonados por livros.  Um pisca-pisca de LED,  que não esquenta,

arremata a composição.

A brincadeira está também nas paredes do dormitório, que representam o céu lá no alto. Francine recortou adesivos em formatos de nuvens, grudou e, em seguida, pintou uma faixa acinzentada (Adamascado Claro, ref. B405, da Suvinil). Depois, foi só remover os moldes.

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No território dos gêmeos Lucas e Felipe, o equilíbrio impera.

Eles dividem tudo, mas precisam ter seus espaços individuais preservados. “Por isso, quisemos um projeto com igualdade, sem privilégios, onde possam conviver tranquilamente”, justifica a mãe, a dentista Raquel Lodeiro, que confiou o planejamento à arquiteta paulistana Adriana Victorelli. O trabalho não teve segredos: a maior parede do dormitório  foi dividida em duas áreas exatamente iguais, cada uma com sua cama e  seu canto de estudos.

A grande cabeceira  (5 x 1 m) que unifica o ambiente é um painel revestido de sarja (o metro linear da estampa Tetris vale R$ 119,80 na Tamtum). A peça foi projetada com uma altura que possibilita acompanhar a troca das minicamas pelo padrão de solteiro quando Lucas e Felipe, que hoje têm 5 anos, crescerem.

A tinta azul (Curaçau Blue, ref. P333, da Suvinil) que cobre as paredes está em perfeita harmonia com as cores rebaixadas dos nichos laqueados – neles, moram brinquedos e livros da duplinha.

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A mocinha Lorena e o bebê Murilo vivem juntos, numa boa!

Rosa para ela, azul para ele. Nada mais democrático! E a transição entre as cores é a grande sacada: metade da parede acima do berço de Murilo exibe bolinhas de adesivo vinílico azul (4 cm, 8 cm e 12 cm), enquanto a outra parte, mais próxima da caminha da Lorena, ostenta os círculos em cor-de-rosa. Essas tonalidades ainda demarcam as áreas  com tinta (Riacho Doce,  ref. C344, e Rosa Biquíni, ref.C227, ambas da Suvinil).

Lorena, de 3 anos, aprendeu cedo a dividir:  ela reinava em seu quartinho quando recebeu a notícia da chegada do irmão, hoje com 4 meses. A mãe, a empresária Ingrid Sierra, conta que a menina participou de todas as decisões da nova decoração. “Ela se sentiu acolhida, optou pela nova cama rosa ( Cody Candy. Etna, R$  449,90) e deu seu berço para o Murilo.”

O desafio foi acomodar o casal em menos de 8 m². Para tanto, berço e cômoda ocupam uma das quinas, enquanto a cama fica ao lado da entrada, formando um corredor de circulação.

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O recanto delicado de Gabriela e o universo particular de Gustavo

O futuro astronauta Gustavo, de 5 anos, adorou a chegada da irmãzinha, hoje com 1 ano e 9 meses. Além de uma nova companheira para suas aventuras, ele ainda ganhou uma cama com jeitão de nave espacial. “Um dia eu vou pisar na lua”, garante. O móvel foi desenhado pela mãe, a arquiteta paulistana Fabiana Ferré, com base de MDF (RM Vital, R$ 1 600) e estrutura de drywall (Célio Oliveira, R$ 2 000). A parede interna se cobre com a cor Escuridão (ref. R151, da Suvinil) e adesivos de planetas e foguetes. No teto, o drywall possui pontinhos de luz de fibra ótica, imitando o céu estrelado. E prateleiras no gesso apoiam os livros do pequeno. Um sonho!

A área da Gabi é marcada pelo painel de drywall laranja (Cúrcuma, ref. P272, da Suvinil). E não é que as estrelas (adesivo Constelação, Grudado, R$ 59) brilham por ali também?

O centro do quarto fica livre para as brincadeiras e para fazer arte na mesinha.

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A alegria toma conta do mundo supercolorido de Dora e Lia

A chegada da caçula animou a irmã do meio, Lia, que hoje tem 7 anos. Ela já dividia o quarto com a mais velha, Ana, que se mudou para outro cômodo. Foi, então, a oportunidade de remodelar o ambiente e adaptá-lo a seu gosto. “A Lia ama tons vibrantes, então escolhemos essa paleta a partir de um de seus livros preferidos”, conta a mãe, Julia Mendes, dona do ateliê de móveis Lá na Ladeira. A estrela é o papel de parede adesivo listrado (Bicolor RC, Lá na Ladeira, R$ 190 o metro).

Para bem aproveitar a área de 11 m², Julia planejou a cama suspensa (1,60 m), liberando o espaço inferior para uma escrivaninha, laqueada com as cores do papel, uma cadeira e um criado-mudo restaurados – tudo feito no ateliê. A cama de Dora, de 1 ano e 6 meses, se encaixa no vão que resta até a alvenaria da janela.

Com as tonalidades fortes concentradas de um lado, a parede de entrada ficou branquinha, mas toda decorada com obras de arte das meninas, molduras, bandeirolas e prateleiras.

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matéria publicada na revista Minha Casa em maio de 2015

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RESIDENCIA AUTOSSUFICIENTE

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Com vidro duplo especial, as generosas esquadrias isolam o calor sem barrar a claridade.

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O edifício, exposto na praça principal da cidade de Melbourne (Austrália), está coberto por um telhado verde para isolamento adicional.

Unindo tecnologia a design, o escritório australiano ArchiBlox concebeu a primeira casa pré-fabricada do mundo a compensar a emissão de carbono. A unidade de 77m² causa menos danos ao meio ambiente durante sua construção e, no dia a dia, produz mais energia do que consome.

Ao longo de sua vida útil, a Carbon Positive House (CPH) pretende poupar 1 tonelada de dióxido de carbono (CO²), um dos causadores do efeito estufa. Isso equivale a 267 carros a menos nas ruas ou ao plantio de 6.095 árvores, conforme garante o estúdio ArchiBlox, o autor da ideia. O caráter ecológico do modelo, aberto a visitas, dá-se por uma série de dispositivos, como placas solares, tubos que utilizam o frescor do solo para refrigerar o interior durante o verão e um sistema de captação e reuso da água da chuva. Hortas verticais e telhado verde ajudam a diminuir os poluentes da atmosfera. No começo do ano, o protótipo foi testado numa praça em Melbourne, na Austrália. Em breve, será transferido definitivamente para a Vila de Cape Peterson, no mesmo país.

matéria publicada na revista arquitetura & construção em junho de 2015.

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ÓCULOS OCUPAM LUGAR ESTRATÉGICO PARA MARCAS

Os brasileiros têm bochechas infladas e o espaçamento do nariz é mais largo do que o dos europeus. Enquanto não abre sua fábrica no Brasil, a Safilo está produzindo na Itália óculos adaptados ao público daqui. A estratégia começa a marca Carrera, que passa por um rejuvenescimento e para a qual o Brasil é o quarto mercado mais importante, atrás da Itália, dos Estados Unidos e da Espanha. A empresa organizou grupos de estudos por aqui para chegar também nas preferências do consumidor que vão guiar as criações regionalizadas. “Os brasileiros são mais cabeça aberta, gostam de cores e inovações. São bem menos tradicionais do que o México, por exemplo”, diz Angela Gomes, vice-presidente da Safilo para a América Latina.

O primeiro exemplar da iniciativa chega ao Brasil no segundo semestre. O Carrerino terá cores bem mais vibrantes e vai se ajustar melhor nas faces tupiniquins. O Champion, cujo “shape” se tornou um ícone da marca, também foi remasterizado e a nova versão respondeu por 13% das vendas de armações de sol da marca em maio no país. A estratégia faz parte de um processo global de reposicionamento da Carrera por meio da campanha de marketing Out There, uma espécie de conclamação ao aventureiro que vive em cada um.

A marca, que tem seu DNA nas corridas de carro e sempre buscou inovações na área esportiva, abraçou o “lifestyle” para ampliar seu público e encarar as mudanças que já estão ocorrendo no mercado mundial de óculos. A mais bombástica delas foi o anúncio no ano passado de que o grupo de luxo Kering montaria sua própria divisão de óculos, levando suas marcas para debaixo das próprias asas. Com isso, o glomerado de luxo terminou o contrato de licenciamento da Gucci coma Safilo, por exemplo (ainda que o desligamento seja feito de forma gradual). A conta foi que os “royalties” das marcas geravam Euro 350 milhões. Não que os demais grupos de luxo possam vir a fazer o mesmo imediatamente. Montar uma rede de distribuição como a Kering terá de fazer não é tão fácil assim. Mas isso está já provocando uma readequação entre as cincos maiores fabricantes, distribuidoras e licenciadoras do setor, que, entre as principais estratégias, precisam fortalecer suas marcas próprias. É o caso da Safilo com Polaroid, Smith, Oxydo e, claro, Carrera. Mas, veja, isso, suas grifes licenciadas são muito mais reluzentes, como Dior, Fendi, Marc jacobs e Céline. “Nossa meta é alcançar um equilíbrio sustentável entre as marcas próprias em 2020”, explica Angela. Ao mesmo tempo os óculos se tornaram ainda mais estratégicos para as grandes marcas do que já foram no passado. Em um momento de crise econômica, variações cambiais, fragmentação de valores tradicionais (qual é o sentido de exclusividade?) e até mesmo de intolerância social generalizada, os óculos ocupam um lugar apaziguador para os consumidores: são mais acessíveis, estão ao alcance dos turistas, são definidores de uma identidade e não são símbolos opressivos de status. Além disso, com o envelhecimento da população, a demanda cresce mundialmente.

Até a década de 90, lembra Bento Alcoforado, diretor-presidente da abióptica, os óculos eram apenas um instrumento de correção visual. A partir daí as grandes grifes de moda passaram a incorporá-lo ao seu portfólio. “Foi um grande salto para indústria com o desenvolvimento do design, dos materiais. Eles adquiriram status de acessório de estilo tanto nos modelos de sol quanto de receituário. Marcas de carro, de refrigerante, todo mundo passou a investir em óculos. A evolução foi tão grande e os produtos passaram a ser tão desejados que entre 2006 e 2008 foi o produto mais pirateado no Brasil”.

Nos últimos dois anos houve uma multiplicação de microprodutores artesanais com os óculos de madeira, mostrando que há lugar para óculos de nicho no mercado nacional. Até mesmo uma marca de “tribo”, como a Evoke, foi comprada pela Go Eywear neste ano. “Startups” surgiram operando no modelo “e-commerce”, como a Lena 21 e algumas redes nacionais se expandiram ainda mais, como Carol Diniz e Chilli Beans. Mas Alcoforado acredita que o setor ainda passar por muitas transformações no país. “A Luxottica abriu uma fábrica aqui em 2011. A Safilo está ensaiando a sua. A Marchon também quer. Vamos ver ainda muitas fusões de pequenas redes e aparecimento de novos modelos de varejo”, avalia.

Segundo ele, a previsão feita pelo grupo GS&MD é de que em cinco anos o mercado de óculos no Brasil dobre o tamanho. “Em 2014, a América Latina foi uma das regiões que mais cresceram (acima de 30%) para a Safilo, cm um mix equilibrado entre marcas próprias e licenciadas, onde o Brasil representa 60% dos negócios”, diz Angela Gomes.

Somados armações, óculos de sol e lentes, estima-se que o mercado global tenha chegado a US$ 90 bilhões em 2014 e passe a US$ 140 bilhões em 2020. Hoje, o segmento “premium” e de luxo equivaleria a US$ 13 bilhões, segundo uma estimativa do site Business of Fashion, apartir de dados do BNP Paribas. Nessa ebulição toda, enquanto o dinheiro troca de mãos, pelo menos o tamanho do nariz brasileiro passou a ter importância.

matéria publicada no jornal Valor em 1 de julho de 2015.

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VAREJO: LOJAS REVELAM ESTILOS DE VIDA DISTINTOS

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Ênio Klein: relação de consumo precisa ser atendida com os multicanais.

Melissa Flicek, diretora da TargetCom, escreveu que houve uma época em que todos os mercados e canais de venda eram tradados da mesma forma. Mas, depois de estudar os clientes e as próprias empresas, descobriu-se que há vários momentos de compra, categorias diferentes de consumidor e isso deve se refletir nas experiências da marca e nos conteúdos que oferecem. Difícil? Para quem enxerga cada loja como uma unidade com personalidade e comportamento próprios, não.

“São muito comuns as lojas que registram diferentes perfis de público ao longo do dia, até mesmo as que revelam diversos estilos de vida, dependendo do momento de compra”, afirma Caio Camargo, diretor da Virtual Gate, especializada em contagem de pessoas. “É essencial ter indicadores para que a tomada de decisão seja mais rápida, que os dados de conversão não sejam compilados no final do dia ou da semana.”

Segundo Camargo, as métricas do e-commerce são em tempo real, é possível saber que estágio da compra desistiu do produto ou qual o índice de conversão de venda. No físico, porém, os dados demoram a ser analisados e fica mais difícil saber qual atitude tomar em que período do dia, por exemplo. “Com a ferramenta de contagem de fluxo de pessoas uma rede de varejo constatou que o tráfego de período da tarde era três vezes maior que o da parte da manhã” conta Camargo. “Após reequilibrar o número de vendedores em 20 lojas, registrou uma aumento de 20% no faturamento”.

Usuária da ferramenta, a rede Authentic Fit, com 200 lojas, alinhou toda a sua operação física para depois colocar os pés no mundo virtual. “Tomamos o cuidado de manter a mesma comunicação, preços e receptividade, ampliando apenas o mix de produtos”, observa Salomão Salum.

“Mas, não nos iludimos de que um canal viria a substituir o outro. Nada substitui a pegada da loja física, embora, o varejo não possa mais ficar distante do universo virtual.” E ele está certo. “Embora a loja física desempenhe um papel diferente do passado, tem a conveniência presencial que outro canal não tem”, afirma o consultor de varejo Ênio Klein. “Há uma mudança de relação de consumo que precisa ser entendida com os multicanais.”

Nascida no mundo virtual, a Livo, marca de óculos de sol e de grau feitos à mão, só se deu conta da diferença do perfil de consumidores mais fortemente quando chegou ao mundo físico. Antes, porém, a empresa estruturou para facilitar a vida de quem comprava online. Desenvolveu um provador virtual 3D, que mapeia o rosto da pessoa e projeta o modelo de óculos escolhido; lançou o serviço Livo Vai até Você, onde um biker leva o consumidor as armações escolhidas.

“Com isso, conseguimos que um em cada três consumidores fizessem nova compra no mesmo ano”, conta Guilherme Freire Filho, fundador. “Um índice muito alto para o ramo”. Dois anos depois o início do e-commerce, a Livo abriu uma loja temporária na rua Oscar Freire, em São Paulo, com a proposta de levar o design para o mundo físico de uma forma simples.

Teste aprovado, abriu outros pontos, um do Rio de Janeiro e dois em São Paulo. Cada um deles, contudo, apresentava um perfil de público diferente, embora todos estivessem em busca de óculos de design a preços mais atrativos. “No Barra Shopping o volume de idosos era muito grande o que nos levou a reforçar as ofertas de modelos de grau; na Rua dos Pinheiros, ao contrário era o público jovem atento a tendências que marcava presença e no Iguatemi, um consumidor mais refinado e estilizado”, destaca Freire.

“Adaptamos o ponto, a equipe de vendas e o mix de produtos a cada grupo.” Outro cuidado foi em manter alinhada a comunicação, que tem nas redes sociais um de seus pontos fortes. É exclusivamente pelas redes, aliás, que a marca divulga suas duas liquidações anuais, em apenas dois dias do ano. “É super eficiente, não sobra uma peça” comemora o empresário, lembrando que a marca tem 70 mil seguidores no Facebook, boa parte deles com engajamento muito forte.

A receita, na visão de Ricardo Miquelazzo, CEO da GS&COMM, não está no uso de grandes ferramentas tecnológicas, mas na perfeita integração entre os canais. Um bom exemplo, revela, é o da Bento Store, que criou uma manda que não existia e usa as redes sociais como ponto de contato e impulso de vendas. “Boa parte dos pedidos são desenhados exatamente como eles sugerem no Instagram”, diz o consultor. “Eles não vendem por esse canal, mas induzem à compra imprimindo  DNA da marca em cada foto postada.”

matéria publicada no jornal Valor 27,28 e 29 de junho de 2015.

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SÃO PAULO: ZONAS SUL E CENTRO NA MIRA DO MERCADO

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Melhorias. Obras do monotrilho na Avenida Santo Amaro, zona sul da capital, que ganhou novas unidades residenciais e comerciais em toda sua extensão.

Pesquisa mostra que, entre 2011 e 2014, construtores apostaram em empreendimentos nos eixos de melhor transporte público.

As zona sul e centro da capital paulista foram as que mais receberam novas unidades residenciais desde 2011. Facilidade de locomoção e de acesso às estações de metrô (prontas e futuras) foram certamente o maior impulso para os lançamentos. No entanto, as regiões oeste, leste  norte também engrossaram a lista nesses quatro anos.

Levantamento realizado pela Inteligência de Mercado da Abyara mostra que a capital paulista recebeu 91.040 unidades residenciais entre 2011 e 2014, sendo 28.815 unidades de um dormitório (32%) e 62.225 de dois dormitórios (68%).

“No período entre 2011e 2014, mas principalmente os anos de 2011, 2012 e 2013, o mercado ainda estava acelerado e a economia estava bem. Ainda hoje temos empreendimentos que foram incorporados em 2011, por exemplo. Ou seja, muitos terrenos foram adquiridos no clima de ‘euforia’, di o vice-presidente da Abyara Brasil Brokers, Bruno Vivanco.

Liderança. A zona sul lidera os lançamentos de um dormitório, foram 12.620 unidades, no cento foram 3.848 apartamentos seguida de Zona Oeste (3.543), leste (2.704) e norte (1.023). Em 2010, apartamento com até 49 metros quadrados e preço médio até R$ 6 mil o m² representavam 40% dos lançamentos, em 2014, 78% se concentraram nesta metragem.

“A maioria dos apartamentos de um dormitório lançados no centro e boa parte das unidades na zona oeste e sul, são de um dormitório”. Diz Vivanco.

Segundo ele, a menor quantidade de lançamentos nas zonas norte e leste é devido as características de primeira moradia com maior volume de dois dormitórios, que é o apartamento da entrada, a maior demanda e o maior volume lançado e absorvido pelo mercado. “No período de 2011 a 2014, os apartamentos de um dormitório se destacaram, principalmente para linhas férreas são os destaques de bairros como República e Santa Cecília (Centro), Chácara Santo Antonio e Vila Andrade (sul), Barra Funda (Oeste), por exemplo. “O cruzamento de linhas de metrô é um fato que reflete no mercado imobiliário e é muito importante”, diz Vivanco.

Crescimento. Os bairros próximos às regiões de desenvolvimento urbanístico e transporte sempre têm demanda. “O comprador busca facilidade e não abre mão de uma boa locomoção; morar perto do metrô é um dos maiores atrativos”, diz a diretora de incorporação da You, Inc, Alessandra Calefo.

matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo em 28 de junho de 2015.

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