NO PAPEL, ‘PARQUE’ NO MINHOCÃO JÁ ATRAI PRÉDIOS

Desde que a demanda pela transformação do Minhocão em parque suspenso ganhou apelo e visibilidade, já apareceram três novos empreendimentos “lambendo” o elevado de 2,8 km.

Dois deles surgiram após o novo Plano Diretor, aprovado em julho, determinar a progressiva desativação da via suspensa, a partir de um projeto de lei que estabeleça fases e prazo -hoje esses detalhes não estão previstos. A lei estabelece a possibilidade de demolição ou de transformação do espaço em parque.

Hoje, o elevado fecha à noite e aos domingos e feriados.

O primeiro lançamento foi da construtora Helbor, na Vila Buarque. Terá 226 apartamentos. A menos de uma quadra dali há um projeto da incorporadora MAC. E, também da MAC, o lançamento de um edifício de 311 unidades de um dormitório, perto do metrô Marechal Deodoro.

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São os primeiros empreendimentos em muitos anos. Corretores que trabalham na região dizem não se lembrar quando teria sido o último.

Esperando valorização, proprietários da região já começaram a “segurar” a venda de apartamentos, diz a corretora Fernanda Sampaio, 64.

Em Nova York, as imediações do High Line -via que virou parque e costuma ser comparada ao Minhocão- sofreram uma supervalorização que expulsou moradores antigos. Em São Paulo, o entorno do elevado é uma das poucas áreas do centro onde pessoas de renda mais baixa ainda conseguem morar.

REGULAÇÃO

Para João Whitaker, da FAU-USP, a valorização é característica “inexorável”, mas não necessariamente indesejável, “desde que o poder público se antecipe e regule o mercado para garantir o direito de quem já está lá”.

A tendência de valorização dos centros, que acabam inacessíveis aos mais pobres, é internacional, diz o urbanista Kazuo Nakano.

Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo em 31 de Agosto de 2014 por Vanessa Correa

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CASA POPULAR TEM SELO DA CEF

selo-cef-prataA adoção de práticas sustentáveis no processo construtivo de habitações populares tem ganhado força no Brasil e deve se expandir nos próximos anos. A expectativa é de Jean Benevides, gerente de sustentabilidade socioambiental da Caixa Econômica Federal, principal agente financiador de projetos para a baixa renda, como o Minha Casa, Minha Vida e programas de urbanização de favelas em grandes centros urbanos. Em 2010, a CEF lançou o Selo Casa Azul, que tem o objetivo de incentivar a adesão das construtoras em apresentar projetos habitacionais com conceitos de sustentabilidade e que ofereçam soluções eficientes na construção, uso, ocupação e manutenção dos edifícios.

São 53 requisitos, que seguem três níveis de gradação – Bronze, Prata e Ouro – divididos em seis categorias temáticas: Qualidade Urbana, Projeto e Conforto, Eficiência Energética, Conservação de Recursos Materiais, Gestão de Água e Prática Sociais. Para obter a certificação mínima, a Bronze, um projeto deve atender 19 critérios.

Segundo Benevides, o sucesso dos projetos tem demonstrado que a aplicação de conceitos sustentáveis na construção não é um privilégio de empreendimentos de alto padrão. “O processo envolve um planejamento inicial detalhado, no qual é perfeitamente possível incluir itens e soluções que dependem mais da qualidade do projeto do que dos itens em si”. Como exemplo, cita, estão os pontos ligados ao desempenho térmico, que podem ser resolvidos com a construção adequada de acordo com a orientação solar da região, utilização correta no tamanho e no material de janelas e esquadrias e aplicação de cores que não provoquem desconforto térmico. O aumento do custo final é insignificante, diz. “Em dois projetos certificados, fomos informados que o aumento de custo foi de 0,98%, no caso de um programa de urbanização de favelas em Paraisópolis (SP) e no outro de 2%, em Joinville (SC)”.

Matéria publicada no jornal Valor Econômico em 26 de Agosto de 2014 por Guilherme Meirelles

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MÓVEL DO SÉCULO PASSADO

O mix de mobiliário brasileiro e escandinavo das décadas de 1940, 1950 e 1960 dá fama à loja de Thomaz Saavedra.

Tanto que o espaço abriu seu segundo endereço, também no bairro paulistano de Pinheiros. Maior, a filial exibe peças como a estante de jacarandá (1,55 m x 50 cm x1,68m*)

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e a Papa Bear, clássica poltrona com banqueta criada em 1951 pelo dinamarquês Hans Wegner (1914-2007).

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Matéria publicada na revista  Casa Claudia em Agosto de 2014

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INDÚSTRIA DIVERSIFICA OFERTA DO 1-QUARTO

Com investidor retraído e vendas mais fracas, construtoras miram o consumidor final e ampliam faixas de preço

Estoque de compactos em São Paulo tem o maior nível desde 2004, e as empresas ampliam a área de atuação

 

14234909A queda na participação dos imóveis novos de um dormitório nas vendas em São Paulo e a alta nos lançamentos nos últimos anos levaram à maior oferta de unidades, pelo menos, desde 2004.

Estavam disponíveis para venda 4.621 imóveis de um dormitório em junho, segundo o Secovi-SP (sindicato do mercado imobiliário). Em 2010, esse estoque era inferior a 800 unidades.

Nos últimos anos, quase todos os lançamentos eram produtos de alto padrão na faixa de R$ 300 mil a R$ 500 mil em bairros nobres ou centrais, mas as opções começam a diversificar.

E isso vale para os dois extremos –do padrão mais elevado, ainda foco de investidores, a um perfil mais econômico.

Um empreendimento da Benx, que deve ser lançado neste semestre na Barra Funda, é anunciado com preço a partir de R$ 190 mil.

Praticamente todo vendido, o Studio 38, da Marques Construtora, na Vila Andrade, tem metro quadrado de R$ 7.200 e valor final de cerca de R$ 270 mil.

Nick Dagan, diretor de incorporação da construtora Esser, diz que a empresa deverá lançar neste semestre sete empreendimentos com unidades de um dormitório.

Entre os bairros que receberão os projetos estão a Aclimação e a Liberdade (ambos na zona sul), Vila Prudente (zona leste) e a Freguesia do Ó (zona norte). O preço do metro quadrado deve variar de R$ 8.000 a R$ 12 mil, dependendo do local.

Para Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP, os investidores em salas comerciais, hoje superofertadas, perceberam uma demanda forte de locação em imóveis residenciais de um quarto e ajudaram a projetar esse mercado, que se tornou foco das construtoras.

“Estão preenchendo essa lacuna. Não acho que esse movimento tenha força para durar muito. Dependendo de como serão os lançamentos, devem preencher esse espaço neste ano.”

ALTO PADRÃO

Na outra ponta, o nicho é de imóveis de alto a altíssimo padrão. É o caso do empreendimento VHouse, na avenida Eusébio Matoso, próximo à avenida Faria Lima.

Voltado à longa estadia e a investidores, incorpora serviços de hotéis à taxa condominial, como arrumação básica do apartamento. O valor da menor unidade –de 36 m²– é de cerca de R$ 650 mil.

Também próximo da Faria Lima, o Forma Itaim, cuja unidade de 45 m² custa cerca de R$ 900 mil, teve 45% das unidades vendidas. Ele foi lançado em março. Metade das unidades foi adquirida por investidores.

Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo em 24 de Agosto de 2014

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ANTECIPANDO A CHEGADA DA PRIMAVERA

A loja Espaço Til apresenta móveis com estampas coloridas e florais.

Entre as peças, destacam-se o sofá e a poltrona Doris e o sofá Susy (abaixo), feito com estrutura de madeira e forração de estofado.

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Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo em 24 de Agosto de 2014

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PUBLICIDADE PAGA DESPESAS BÁSICAS DE ‘CASA-OUTDOOR’ EM PROTÓTIPO EUROPEU

Uma pequena casa prática e funcional para pessoas sem-teto, cujas despesas básicas são financiadas com propagandas na fachada.

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Essa é a proposta que o estúdio de arquitetos Gregory AD Solutions lançou na cidade de Banská Bystrica, na Eslováquia.

Em 18 metros quadrados, o morador encontrará quarto, cozinha, banheiro e um pequeno escritório. A distribuição em dois níveis ajuda a ampliar a área útil.

A ideia é que as casas sejam instaladas perto de estradas, em formato triangular para facilitar a visão em ambas direções, e fabricadas com madeira, alicerces de concreto e compensado. O custo total estimado é de 5 mil euros (cerca de R$ 15 mil)

“Pensamos, primeiro, nas pessoas sem-teto, já que a renda das publicidades deveria cobrir as despesas com energia”, explicou Matej Nedorolik, estúdio Gregory AD Solutions.

A renda com o painel publicitário, de cerca de 150 euros por mês (R$ 451) na região, seria usado para cobrir os gastos com a eletricidade para a iluminação do cartaz e as despesas com a energia da casa.

Os protótipos atuais têm acesso a redes de água e eletricidade, exigindo, portanto, infraestrutura básicas. Nedorolik pondera que a proximidade das “casas-outdoor” com rodovias e estradas pode criar problemas aos moradores devido não só aos ruídos, mas também à segurança.

“Há mais riscos devido aos altos limites de velocidade, ao contrário dos bairros, onde a velocidade máxima é de 50 km/h, e das estradas secundárias com 90 km/h”, argumenta.

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Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo em 24 de Agosto de 2014

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A NOVA SAFRA DE TINTAS

Além de restaurar e colorir os ambientes, elas facilitam a limpeza das paredes, impermeabilizam, evitam fissuras, combatem bactérias e fungos. Conheça os lançamentos e saiba como escolher o tipo certo para cada espaço.

Desde a chegada dos sistemas tintométricos na década de 1990, a multiplicação da oferta de cores não foi a única mudança que revolucionou o mundo das tintas. Elas estão cada vez mais amigas da natureza. “Hoje, 87% dos produtos são à base de água, o que diminui o uso de solventes orgânicos nas fórmulas e traz ganhos ambientais por reduzir a emissão de VOCs, os compostos orgânicos voláteis”, afirma Gisele Bonfim, gerente técnica e de assuntos ambientais da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati). No quesito tecnologia, também houve avanços, especialmente no que diz respeito ao desempenho. “Tintas antibacterianas, com alta resistência a manchas e tempo de secagem reduzido, são exemplos que confirmam esse movimento”, diz Franco Faldini, diretor de marketing da Dow Coating Materials, empresa que fornece matéria-prima para o setor. Diante de tantas opções, alguns cuidados são essenciais para fazer a melhor compra. Primeiro, deve-se escolher um produto adequado à superfície – de alvenaria, metal ou madeira. Segundo critério: o local da pintura. De acordo com Gisele, muita gente acredita que os acrílicos servem para uso externo enquanto os PVAs estão restritos a áreas internas. “Isso nem sempre é verdade, pois há tintas acrílicas econômicas, ideais para dentro de casa, assim como PVAs standard e premium, bem-vindas em fachadas”, esclarece. A superfície precisa estar preparada. “Limpa, seca e sem partes soltas de reboco ou pintura velha”, orienta William Saraiva, gerente de produto da Lukscolor. Um erro comum é eleger um tom e não ficar satisfeito com o resultado na parede. “Evite esse problema testando a cor antes num trecho de 1 m²”, recomenda Karina Monaco, gerente de produto da Suvinil. Também vale respeitar as instruções do fabricante sobre diluição, intervalo entre demãos e tempo de secagem.

Lançamentos para áreas internas e externas

Acrílico Super Premium

Elimina até 99,9% das bactérias, é lavável e tem baixo odor. Da Tintas Renner, o branco fosco custa 260 reais, e o acetinado, 300 reais (18 litros).

Diacryl Tripla Ação

Esse acrílico respinga pouco e contém aditivos contra fungos e algas. Pode ser aplicado diretamente na parede mofada. Da Iquine, vale 35,90 reais (3,6 litros) e 149 reais (18 litros).

Esmalte Acqualite

À base de água, dispõe de 11 cores. Da Solventex, por 31 reais (900 ml) e 115 reais (3,6 litros).

Esmalte Sintético Futurit

Promete secagem em até 45 minutos e resiste a intempéries. Da Futura Tintas, por 46 reais (3,6 litros) e 16 reais (900 ml).

Eucatex Epóxi Bas e Água

Só para áreas internas, cobre azulejos, pastilhas, vidros, metais, madeira e pisos de cimento. Da Eucatex, custa 36,90 reais (900 ml) e 139,90 reais (3,6 litros).

Cuidados com portas, portões e rodapés

Superfícies de madeira

Verniz, stain, esmalte e tinta a óleo podem cobrir portas, janelas e rodapés. “Eles evitam rachaduras, envelhecimento precoce, desbotamento e deterioração, além de repelir a água e combater fungos”, explica Gisele.

Superfícies de metal

Em esquadrias metálicas internas e externas, convém adotar esmalte sintético ou tinta a óleo. Antes, remova pontos de ferrugem e lixe a área. “Também indico aplicar fundo preparador anticorrosivo”, afirma Franco.

Proteção contra maresia

Locais com umidade, maresia e incidência de sol intenso requerem esmaltes e vernizes resistentes, com proteção microbiológica, chamada algicida. “Sugiro usar esmaltes premium e vernizes com filtro solar”, diz Gisele.

Entenda o que dizem as embalagens

Com o intuito de facilitar a compra, a indústria identifica os produtos por categoria: a econômica, indicada apenas para áreas internas; a premium, ideal para fachadas; e a standard, que pode cobrir qualquer parede. Essas informações constam da lata, assim como os tipos descritos a seguir.

Látex PVA ou Acrílico

A sigla PVA representa o acetato de polivinila, presente na fórmula. Por sua vez, o látex acrílico emprega resina acrílica, que assegura maior impermeabilidade. Os dois tipos servem para dentro e fora de casa conforme a categoria a que pertencem.

Esmalte

O solvente aguarrás faz parte da composição, que risca pouco, tem alta durabilidade e vem nos acabamentos brilhante, acetinado e fosco. O esmalte serve para forrar madeira e metal, tanto de áreas internas quanto de externas, e é classificado como standard.

Epóxi

Dilui-se em solventes e se combina a catalisadores, que auxiliam na secagem. Por criar uma camada resistente a sujeira e umidade, é possível aplicá-lo em pisos e paredes de cozinhas e banheiros. As versões à base de água dispensam catalisador.

Novidades para fachadas e áreas externas

Tinta Ecossílica

É feita de insumos naturais e impede a proliferação de micro-organismos. Da Kröten Ecotintas, vale 72,50 reais (5 kg) e 362,50 reais (25 kg).

Suvinil Proteção Total

Acrílico composto de filme 100% elástico, que acompanha dilatações. Resiste a mofo e maresia. Da Suvinil, custa a partir de 84,70 reais (3,6 litros) e 322,90 reais (18 litros) na Casa Toni.

Metalate x Elastic

Esse acrílico previne o surgimento de fissuras. Da Sherwin-Williams, vale, em média, 63 reais (3,6 litros) e 248 reais (18 litros).

Top 10 Acrílico Ultra Premium Plus

Cria película que diminui o acúmulo de sujeira e o desbotamento. Da Lukscolor, sai por 78 reais (3,6 litros) e 290 reais (18 litros).

Proteção Sol Chuva

Possui agentes antimofo e também é elastomérico. Da Coral, custa 69 reais (3,6 litros) e 285 reais (18 litros).

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O tom eleito pela arquiteta Anna Maria Parisi amplia a profundidade da cozinha e permite que a moradora escreva recados na parede. Foi usado esmalte sintético fosco. Louças da Tok & Stok.

O matiz da tinta acrílica valoriza o arranjo de fotos e quadros (Galeria Lume) nesta parede do estar. Para trazer unidade, o arquiteto Robert Robl adotou a mesma cor no rodapé e no móvel sob a TV. Vasos da Doural.

O matiz da tinta acrílica valoriza o arranjo de fotos e quadros (Galeria Lume) nesta parede do estar. Para trazer unidade, o arquiteto Robert Robl adotou a mesma cor no rodapé e no móvel sob a TV. Vasos da Doural.

Sem descaracterizar o perfil desta casa paulistana dos anos 1930, o arquiteto Gustavo Calazans mudou a tonalidade das paredes depois de fazer inúmeros testes. A tinta é uma versão acrílica acetinada.

Sem descaracterizar o perfil desta casa paulistana dos anos 1930, o arquiteto Gustavo Calazans mudou a tonalidade das paredes depois de fazer inúmeros testes. A tinta é uma versão acrílica acetinada.

Coral Este matiz, entre o azul e o verde, inspira calma e harmonia. Versátil, vai bem em quase todos os ambientes e com os tons esmeralda e menta.

Coral Este matiz, entre o azul e o verde, inspira calma e harmonia. Versátil, vai bem em quase todos os ambientes e com os tons esmeralda e menta.

Suvinil Integrante do tema Pulsante, uma das apostas da empresa para 2014, a cor evoca ousadia. Ótima para salas de estar e jantar.

Suvinil Integrante do tema Pulsante, uma das apostas da empresa para 2014, a cor evoca ousadia. Ótima para salas de estar e jantar.

 

Lukscolor Nuance vista em feiras de design e moda recentes, o azul-suave simboliza energia e jovialidade. Ideal para quarto, sala e cozinha.

Lukscolor Nuance vista em feiras de design e moda recentes, o azul-suave simboliza energia e jovialidade. Ideal para quarto, sala e cozinha.

 

Sherwin Williams Considerado neutro, tem pitadas de roxo e cinza. Fica sofisticado se aplicá-lo na parede e repeti-lo no tecido de um estofado ou uma cadeira.

Sherwin Williams Considerado neutro, tem pitadas de roxo e cinza. Fica sofisticado se aplicá-lo na parede e repeti-lo no tecido de um estofado ou uma cadeira.

Matéria publicada na revista Casa Claudia em Julho de 2014

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CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL: TÉCNICAS INOVADORAS

O Brasil está se transformando em uma referência mundial da construção sustentável. Várias iniciativas voltadas para a solução de problemas crônicos nas grandes cidades apontam para a consolidação de um novo paradigma na área. As edificações verdes já representam 9% do Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil e crescem 30% ao ano, segundo estudo da consultoria EY. Esse mercado de R$ 13 bilhões tem levado ao cotidiano alguns temas da ordem do dia, como eficiência energética, uso racional da água, técnicas construtivas inovadoras e novos materiais que favorecem o conforto e o bem-estar.

Fabíola Zerbini, diretora executiva do FSC: "A madeira extraída pelo manejo responsável preserva a floresta por meio de sua valoração econômica"

Fabíola Zerbini, diretora executiva do FSC: “A madeira extraída pelo manejo responsável preserva a floresta por meio de sua valoração econômica”

É uma boa oportunidade para se informar sobre modelos de certificações reconhecidas internacionalmente, como a Aqua-HQE, adaptada para o Brasil a partir de uma norma da França; a BREEAM, do Reino Unido, a DGBN, da Alemanha, a japonesa CASBEE e a americana LEED. No fim de julho o Brasil ultrapassou os Emirados Árabes Unidos no ranking de empreendimentos que buscam a LEED e agora ocupa a terceira posição, atrás dos EUA e da China. Presente em 153 países, o selo é concedido pelo Green Building Council (GBC).

“Planejar antes de projetar e construir é uma das exigências do Aqua-HQE”, diz o diretor executivo da certificação de origem francesa, Manuel Carlos Reis Martins. Lançada em 2008 pela Fundação Vanzolini, ela já certificou 305 edificações no Brasil, especialmente em prédios corporativos. A Fundação está realizando uma experiência-piloto de treinamento com corretores de imóveis para que apresentem as características de sustentabilidade dos empreendimentos aos investidores.

“Eficiência e racionalidade são questões primordiais a atacar”, avalia o engenheiro civil Marcelo Takaoka, membro do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS). Ele ressalta a importância da adoção de soluções sustentáveis na esfera urbana, que consome dois terços da energia mundial e ocupa só 3% da superfície terrestre. “Temos uma boa oportunidade de enfrentar as mudanças do clima no planeta trabalhando nas cidades”, diz. “É possível reduzir o consumo de energia em 30% com tecnologias já existentes, o que representaria uma economia anual de US$ 1,6 trilhão no mundo”.

Takaoka faz outro cálculo considerando os R$ 100 bilhões financiados em 2013 para a construção civil: “Se poupássemos 5% com eficiência e racionalidade, poderíamos ter uma economia de R$ 5 bilhões para o país”.

Ele lembra que a visibilidade da medição do consumo energético por meio de tecnologias como a smart grid é fundamental para a educação: “Se as pessoas não conseguem ver o quanto estão consumindo, não fazem ação nenhuma para melhorar”.

Para Adriana Levisky, vice-presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA), a adesão progressiva aos processos de certificação sinaliza mais sensibilidade do mercado ao tema, mas ainda é acanhada. “Não se pode falar de sustentabilidade olhando só para as questões ambientais”, afirma. “É preciso haver uma ação abrangente sobre os aspectos sociais, econômicos e culturais, de forma integrada, com planejamento contínuo e ajustes ao longo do tempo.”

Ela menciona o déficit habitacional do país, que demanda ações urgentes de regularização fundiária, habitação social e recuperação de espaços degradados. Levisky acredita que o momento abre muitas oportunidades para a construção civil, em especial em grandes programas, como o Minha Casa Minha Vida. “Por exemplo, há espaço para atuação em rede quanto à normatização de materiais, que pode agregar valor não só do ponto de vista energético, como com requalificação do processo produtivo.”

“Tudo começa pela consciência da finitude dos recursos”, reflete Benedito Abbud, reconhecido em 2013 com o prêmio Greening, do GBC Brasil, pela maestria no uso sustentável da arquitetura paisagística. “A cidade não é feita só de edificações, por isso são importantes os espaços de fruição onde as pessoas se encontram, namoram e trabalham.” Para Abbud, o novo Plano Diretor de São Paulo é avançado em pontos como a previsão dos pocket parks (miniparques), que inclusive podem ser áreas privadas, e dos parklets, alargamentos de calçadas utilizando duas vagas de automóvel.

A sensibilização das construtoras para o uso de madeira certificada é uma das prioridades da FSC (Forest Stewarddship Council), organização que promove o manejo florestal responsável em mais de 70 países.

Matéria publicada no jornal Valor Econômico em 26 de Agosto de 2014

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A ELEGÂNCIA DAS COISAS

A história do piso de caquinhos das casas paulistas

A casa da minha mãe tem o piso da varanda feito com esse mosaico como tantas outras casas paulistas dos anos 40/50 . Eu amo o piso de caquinhos de cerâmica vermelhos salpicado de cacos  pretos e amarelos. Descobri um texto que conta a história dessa moda. O autor é o Engenheiro Civil Manoel Henrique Campos Botelho que autorizou a sua publicação aqui.

O mistério do marketing das lajotas quebradas

Pode algo quebrado valer mais que a peça inteira? Aparentemente não. Mas no Brasil já aconteceu isto, talvez pela primeira vez na história da humanidade. Vamos contar esse mistério.

Foi na década de 40 / 50 do século passado. Voltemos a esse tempo. A cidade de São Paulo era servida por duas indústrias cerâmicas principais. Um dos produtos dessas cerâmicas era um tipo de lajota cerâmica quadrada (algo como 20x20cm) composta por quatro quadrados iguais. Essas lajotas eram produzidas nas cores vermelha (a mais comum e mais barata), amarela e preta. Era usada para piso de residências de classe média ou comércio.

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No processo industrial da época, sem maiores preocupações com qualidade, aconteciam muitas quebras e esse material quebrado sem interesse econômico era juntado e enterrado em grandes buracos.

Nessa época os chamados lotes operários na Grande São Paulo eram de 10x30m ou no mínimo 8 x 25m, ou seja, eram lotes com área para jardim e quintal, jardins e quintais revestidos até então com cimentado, com sua monótona cor cinza. Mas os operários não tinham dinheiro para comprar lajotas cerâmicas que eles mesmo produziam e com isso cimentar era a regra.

Certo dia, um dos empregados de uma das cerâmicas e que estava terminando sua casa não tinha dinheiro para comprar o cimento para cimentar todo o seu terreno e lembrou do refugo da fábrica, caminhões e caminhões por dia que levavam esse refugo para ser enterrado num terreno abandonado perto da fábrica. O empregado pediu que ele pudesse recolher parte do refugo e usar na pavimentação do terreno de sua nova casa. Claro que a cerâmica topou na hora e ainda deu o transporte de graça pois com o uso do refugo deixava de gastar dinheiro com a disposição.

Agora a história começa a mudar por uma coisa linda que se chama arte. A maior parte do refugo recebida pelo empregado era de cacos cerâmicos vermelhos mas havia cacos amarelos e pretos também. O operário ao assentar os cacos cerâmicos fez inserir aqui e ali cacos pretos e amarelos quebrando a monotonia do vermelho contínuo. É, a entrada da casa do simples operário ficou bonitinha e gerou comentários dos vizinhos também trabalhadores da fábrica. Ai o assunto pegou fogo e todos começaram a pedir caquinhos o que a cerâmica adorou pois parte, pequena é verdade, do seu refugo começou a ter uso e sua disposição ser menos onerosa.

Mas o belo é contagiante e a solução começou a virar moda em geral e até jornais noticiavam a nova mania paulistana. A classe média adotou a solução do caquinho cerâmico vermelho com inclusões pretas e amarelas. Como a procura começou a crescer a diretoria comercial de uma das cerâmicas descobriu ali uma fonte de renda e passou a vender, a preços módicos é claro pois refugo é refugo, os cacos cerâmicos. O preço do metro quadrado do caquinho cerâmico era da ordem de 30% do caco integro (caco de boa família).

Até aqui esta historieta é racional e lógica pois refugo é refugo e material principal é material principal. Mas não contaram isso para os paulistanos e a onda do caquinho cerâmico cresceu e cresceu e cresceu e , acreditem quem quiser, começou a faltar caquinho cerâmico que começou a ser tão valioso como a peça integra e impoluta. Ah o mercado com suas leis ilógicas mas implacáveis.

Aconteceu o inacreditável. Na falta de caco as peças inteiras começaram a ser quebradas pela própria cerâmica. E é claro que os caquinhos subiram de preço ou seja o metro quadrado do refugo era mais caro que o metro quadrado da peça inteira… A desculpa para o irracional (!) era o custo industrial da operação de quebra, embora ninguém tenha descontado desse custo a perda industrial que gerara o problema ou melhor que gerara a febre do caquinho cerâmico.

De um produto economicamente negativo passou a um produto sem valor comercial a um produto com algum valor comercial até ao refugo valer mais que o produto original de boa família…

A história termina nos anos sessenta com o surgimento dos prédios em condomínio e a classe média que usava esse caquinho foi para esses prédios e a classe mais simples ou passou a ter lotes menores (4 x15m) ou foram morar em favelas.

São histórias da vida que precisam ser contadas para no mínimo se dizer:
— A arte cria o belo, e o marketing tenta explicar o mistério da peça quebrada valer mais que a peça inteira…

Matéria publicada por Manoel Botelho é Engenheiro Civil e autor da coleção CONCRETO ARMADO EU TE AMO

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MÓVEIS: OBJETOS DE ALTA-COSTURA – PEÇAS DE UM DESIGNER E DE UMA ESTILISTA

A dupla mineira da Alva Design assina peças que encantam pela harmonia de formas e pelo conceito lúdico.

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Ele, arquiteto, desenha, calcula as proporções e está sempre em busca de funcionalidade. Ela, artista plástica e estilista, se deixa encantar por formatos e materiais. “Eu prezo pelo racional, e a Su, pela poesia. Essa dualidade enriquece nosso trabalho”, avalia o mineiro Marcelo Alvarenga, irmão de Su, apelido de Susana Bastos. Em 2012, fundaram juntos a Alva Design, cuja primeira coleção – lançada no ano passado na feira Made, durante o Design Weekend, em São Paulo – caiu nas graças de lojistas e da crítica especializada. “O modo como eles combinaram forma a indumentária nos conquistou”, afirma Lissa Carmona, sócia da loja paulistana Etel, que os convidou a criar para a marca. No próximo mês, a dupla apresenta bandejas, espelhos e uma estante-biombo, resultado da nova parceria.

Fio elétrico tramado e peças de pinho-de-riga se combinam no pendente Ana. Os irmãos assinam a peça com a designer de acessórios Ana Vaz. Preço: 1,5 mil reais (2 m de comprimento). Esta luminária assim como os itens 2 e 3 são vendidos pela Alva Design.

Fio elétrico tramado e peças de pinho-de-riga se combinam no pendente Ana. Os irmãos assinam a peça com a designer de acessórios Ana Vaz. Preço: 1,5 mil reais (2 m de comprimento). Esta luminária assim como os itens 2 e 3 são vendidos pela Alva Design.

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O brinquedo das festas de infância inspirou o gancho Língua de Sogra. Feito de bronze com quatro acabamentos, varia de 7 a 23 cm de profundidade. O conjunto de quatro unidades custa 1,1 mil reais, e o de seis, 1,5 mil reais.

Pinos de metal que imitam dentes de leão-marinho compõem a linha Espera. Os itens formam quatro desenhos, que dão origem a esculturas de parede. Na versão preta, a elipse de 54 x 4 x 29 cm* vale 1,2 mil reais.

Pinos de metal que imitam dentes de leão-marinho compõem a linha Espera. Os itens formam quatro desenhos, que dão origem a esculturas de parede. Na versão preta, a elipse de 54 x 4 x 29 cm* vale 1,2 mil reais.

No gaveteiro GP (36 x 31,5 x 12 cm*), a rigidez da madeira e a flexibilidade da camurça se contrapõem. De freijó lavado, sai por 3 870 reais na São Romão.

No gaveteiro GP (36 x 31,5 x 12 cm*), a rigidez da madeira e a flexibilidade da camurça se contrapõem. De freijó lavado, sai por 3 870 reais na São Romão.

Matéria publicada na revista Casa Claudia em Julho  de 2014

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