ARQUITETO FAZ DAS CORES E IMAGENS DO RIO FONTE INESGOTÁVEL DE REFERÊNCIAS

Seja em seus trabalhos de arquitetura e interiores ou no garimpo e produção de peças para sua loja, Chicô Gouvêa busca traduzir a cultura local

Living 1Living decorado pelo arquiteto Chicô Gouvêa, onde a preocupação com boas condições de circulação e luminosidade, dois aspectos enfatizados em seus projetos, se fazem notar.

Chicô Gouvêa é carioca de nascença e arquiteto de formação. Ou vice-versa. Autor de projetos de arquitetura, interiores e, eventualmente, cenários, ele faz das cores, símbolos e imagens do Rio uma fonte inesgotável de referências. E do universo da casa, um permanente exercício de criação. “Munidos de imagens da nossa cultura, realizamos ambientações e também uma extensa lista de móveis e objetos. Todos impregnados de brasilidade”, conta ele, a respeito da Olhar o Brasil: loja que criou em parceria com Paulo Reis, em Itaipava, na região serrana do Rio, onde o viver carioca transparece em cada detalhe. “Sim, diria que temos um estilo próprio. Embora no passado isso tenha sido bem mais nítido”, afirmou o arquiteto nesta entrevista ao Casa.

Como é projetar casas em uma cidade tão rica de belos exemplares delas, assinadas por Niemeyer, Bernardes, Zanine Caldas? No seu entender, o que caracteriza a arquitetura residencial carioca?

Sem dúvida, o Rio como um todo, natural ou construído, permanece meu grande referencial. Acredito que mesmo inconscientemente acabo arquivando formas e imagens que mais tarde acabam vindo à tona em minhas criações. Tudo, claro, filtrado por meu olhar. Estão lá as formas curvas que Niemeyer sempre dedicou às mulheres. Todo o aprendizado que herdei de Sergio Bernardes. As formas da natureza apreendidas em meio a Zanine Caldas e a Krajckberg.

Muitos apontam uma maneira peculiar do carioca decorar suas casas. Concorda com essa visão?

Sim, embora ache que esse jeito já existiu mais. O Rio perdeu muito desse olhar particular. Ainda cultivamos coisas como a simplicidade em usar a casa, a intensa luminosidade que atravessa nossas janelas, o visual privilegiado com o qual convivemos. Porém, mais do que isso, que nos é naturalmente dado, eu diria que ao decorar continuamos a ter alma de carnavalescos antigos. Daqueles habituados em transformar materiais baratos em objetos e espaços sofisticados. E isso, sem dúvida, é bem nosso.

Você mesmo garimpa os objetos comercializados em sua loja, em Itaipava. O que leva em conta na hora de selecionar as peças?

A Olhar o Brasil nasceu do desejo de preservar nossas imagens como referências presentes e futuras. Vejo nossos produtos como tradução de nossa cultura. Por ser carioca, concentro minha atenção em objetos que reproduzem coisas daqui, o que, aliás, devo confessar, não é tarefa lá tão difícil de conduzir. Apesar de sofrer tantos maus-tratos, o Rio ainda é uma cidade linda, repleta de belas imagens. Acredito que nossos móveis e objetos são a maneira que encontrei de espalhar o que sinto em relação ao Brasil.

Living 2Residência projetada por Chicô Gouvêa no Rio.

 

 

Living 3A mesa Feijão, desenhada por Chicô Gouvêa e Paulo Reis para a loja Olhar o Brasil.

 

 

Living 4O arquiteto carioca Chicô Gouvêa.

Matéria publicada pelo jornalista: Marcelo Lima do, O Estado de São Paulo em 30 de julho de 2016

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ENTRE CORES E CURVAS

Convidado especial de fórum que acontece paralelamente à feira de arte Art Basel, arquiteto comenta sua obra

Cor 1Centro cultural construído em Jacareí, interior de São Paulo.

Mestre na arte de misturar formas e cores para criar obras capazes de surpreender, o arquiteto Ruy Ohtake é o convidado especial da 4.ª edição do Laufen Forum: um painel anual formado por arquitetos e pesquisadores que acontece paralelamente à feira Art Basel, na Suíça, e se propõe a discutir possíveis conexões entre dois temas bastante caros à sua trajetória – arte e arquitetura.

No programa, além de uma conferência, no dia 16, em que vai abordar alguns dos projetos mais significativos de sua carreira, como o prédio do Instituto Tomie Ohtake e os edifícios “redondinhos” em Heliópolis, Ruy confere a abertura de uma exposição de fotografias de seus trabalhos assinadas por Paul Clemence. Assuntos que ele comenta nesta entrevista exclusiva ao Casa.

É a primeira vez que visita a feira Art Basel? Como será sua participação?

Será minha primeira visita. Pretendo me concentrar em projetos como o do Instituto Tomie Ohtake, no qual o uso do alumínio possibilitou a obtenção de uma fachada ondulante, realçada pela cor. Além disso, estou curioso para conferir as fotos de Paul Clemence.

A propósito, qual importância o senhor atribui à cor na arquitetura e na sua obra?

É um elemento fundamental. Integra nosso cotidiano desde o período colonial, como percebemos em cidades como Ouro Preto, Paraty e Olinda. Procuro utilizá-la sempre dentro de uma abordagem contemporânea. Em Jacareí, projetei um centro cultural onde as formas ganham destaque ainda maior pelo simples uso de tons do vermelho, distribuídos em faixas. Simbolicamente, um brado no Vale do Paraíba.

Conjugar cores e formas é uma preocupação perceptível também nos “redondinhos” de Heliópolis, em São Paulo. Como se deu a experiência?

Foi um trabalho amplamente discutido com a comunidade. Formulei um edifício circular, com quatro apartamentos por andar. O próprio formato circular separa melhor um bloco do outro e, com isso, a ventilação e a insolação são permanentes em todos os apartamentos. Atributos espaciais que muitas das famílias locais jamais haviam tido oportunidade de desfrutar. São detalhes, mas que representam grandes transformações em termos de dignidade e cidadania para eles. Sempre que posso passo por lá e tomo um cafezinho no apartamento de um ou outro morador.

Cor 2O arquiteto paulistano Ruy Ohtake.

 

 

Cor 3A mesa Sinfonia, um dos projetos de design de Ruy Ohtake.

 

 

Cor 4Os edifícios residenciais “Redondinhos”, em Heliópolis.

Matéria publicada pelo jornalista: Marcelo Lima do, O Estado de São Paulo em 12 de junho de 2016

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AO LONGO DO ESPAÇO

A questão do movimento inspira mostra surpreendente em Milão

LongoMóveis criados por Bertjan Pot a partir de câmaras de ar e rede tensionas

Na física clássica, movimento pode ser definido como a variação da posição de um objeto em relação a um dado referencial. Como decorrência, acabou sendo associado também a ação, animação, agitação. Ou ainda, de forma mais ou menos figurada, ao conjunto de princípios proclamados por determinada linha de pensamento, agremiação política ou escola artística.

Interessada, desde sempre, em expandir o raio de ação do corpo humano, para a gigante norte-americana de artigos esportivos Nike o movimento é questão central. Em seus tênis, roupas, equipamentos e acessórios, ele surge como resultado direto da sinergia entre forma e função. Um trabalho que demanda permanente pesquisa, mas, igualmente, abertura para novas ideias e campos.

Como aconteceu, por exemplo, por ocasião da última edição da Semana de Design de Milão, em abril, quando a marca, pela primeira vez participando com evento próprio, brindou público e crítica com uma das mostras mais surpreendentes da temporada: The Nature of Motion, ou A Natureza do Movimento, magistralmente apresentada em um antigo galpão industrial ao sul da cidade.

Um exercício de livre criação, no qual designers e artistas foram conclamados a criar instalações – de ordem conceitual ou prática – tendo como tema a ideia do movimento. Cada um em um nicho específico, posicionado em meio a um labirinto de equilíbrio instável, delimitado por paredes feitas de caixas de sapatos empilhadas. “Para nós, pensar o movimento é uma preocupação constante. Pensamos em atletas que estão constantemente em movimento, mas também em criar novas linguagens, novos desenhos e, por que não, novos problemas para a Nike resolver”, pontuou o vice-presidente da marca John Hoke.

“Frequentamos a Semana de Design há muitos anos, sempre olhando e observando, até que sentimos que era chegado o momento de não apenas vir e testemunhar, mas de vir e participar”, afirmou Hoke, satisfeito com o sucesso da iniciativa, a exemplo de outras grandes marcas internacionais que este ano marcaram presença nos eventos paralelos.

Reafirmando seu fascínio pelos materiais naturais – especificamente rocha e madeira –, que ele costumeiramente molda em móveis quase brutos, o inglês Max Lamb foi um dos que optaram por uma leitura mais conceitual da questão do movimento, construindo uma instalação surreal onde blocos de alumínio e mármore pareciam levitar sobre uma base de ar comprimido, que se movia ao mais leve toque, desafiando a percepção convencional de massa e peso.

Já 0 holandês Bertjan Pot, impulsionado por sua curiosidade natural por técnicas têxteis, tomou a roda, um símbolo de força e movimento, como ponto de partida para a criação de uma série de pufes infláveis, realizando um encontro eficaz de técnicas de tecelagem artesanais e materiais de ponta, tendo como base câmaras de ar de diferentes tipos de veículos – de carros a tratores – e redes trançadas à mão com cabos de Nike Flyknit.

Um material empregado pela marca na confecção de cabos, alças e cadarços, que, no caso do britânico Sebastian Wrong, outro nome em ascensão no cenário internacional, se transformou em “pele” e serviu como tecido de revestimento em uma poltrona de seis lugares, de linhas esculturais e estrutura de ferro oco, pensada, segundo o designer, para enaltecer valores caros ao futurismo italiano, tais como modernidade e o dinamismo.

Influenciadapor formas que encontra na natureza, a designer norte-americana Lindsey Adelman, que vive e trabalha em Nova York, também pensou em luz para evocar o movimento. Explorando a tensão visual que resulta da mistura de vidro soprado com elementos de metal feitos à máquina, compôs galhos iluminados que oscilavam continuamente, ecoando movimentos de uma árvore ao vento.

Difusores feitos com Nike Flyknit podiam ainda ser encontrados nas luminárias de grandes dimensões criadas pelos italianos Enrica Cavarzan e Marco Zavagno, do estúdio Zaven, que trabalharam sob a inspiração de um atleta em ação. “Reflexão, luz e sombra são elementos que podem aprimorar o movimento humano no espaço. Natural que fossem lembrados”, salientou Zavagno.

Longo 1A poltrona de Sebastian Wrong, revestida por uma pele de Nike Flyknit.

 

Longo 2As luminárias galho de Lindsey Adelman, que vibravam em intervalos aleatórios.

 

Longo 3Detalhe do tramado que revestia os pufes de Bertjan Pot.

 

Longo 4As luminárias over size de Enrica Cavarzan e Marco Zavagno inspiradas nas ações dos atletas.

 

Longo 5Blocos de alumínio e mármore pareciam flutuar na instalação criada por Max Lamb.

Matéria publicada pelo jornalista: Marcelo Lima do, O Estado de São Paulo em 12 de junho de 2016

 

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6 CARACTERÍSTICAS QUE TODA CASA ESTILOSA DEVE TER

Alguns elementos podem ser responsáveis por fazer uma decoração “ok” se tornar “incrível”. Confira quais são e transforme os ambientes do lar para que todos caiam de amores

Encontrar seu estilo próprio e transformá-lo em uma casa incrível não é nada fácil. Porém, com atenção aos detalhes é possível perceber algumas qualidades presentes em todo ambiente que nos deixa de boca aberta — o portal da CASA CLAUDIA revela quais:

1. Uma paleta de cores bem definida

Decor 1

Na foto: Os pontos pretos da decoração azul e branca trazem contraste, ao mesmo tempo em que evidenciam outros objetos.

Tanto um ambiente completamente branco quanto outro, repleto de cores vibrantes, pode fazer com que alguém caia de amores. O segredo é o equilíbrio: os esquemas de cores de sucesso possuem elementos que não deixam a balança virar, trazendo harmonia. Os espaços mais neutros são aquecidos através de mantas e acessórios; os com cores mais ousadas recebem detalhes que atenuam a força do tom ao olhar.

2. Objetos de qualidade em todas as faixas de preço

O estilo não está impresso na etiqueta de preço do objeto! Interiores com uma seleção variada de peças, independente de seu valor, ganham personalidade. Às vezes dá até para ignorar as tendências: é mais difícil encontrar seu estilo próprio se você só segue o que está em voga.

Nosso vídeo com dicas de achados em home centers, parte de uma matéria da CASA CLAUDIA de agosto, prova que a qualidade não depende de números:

 

3. Uma iluminação caprichada

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Se você acha que uma luminária comum no teto é suficiente, precisa repensar alguns conceitos. A variedade de fontes de luz é essencial para trazer dinâmica aos ambientes, incluindo a possibilidade de aumentar ou diminuir a iluminação dependendo da atmosfera desejada. Invista em pendentes, lâmpadas de piso e de mesa para criar uma ambientação agradável ao olhar.

4. Beleza natural

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Na foto: as plantas estão presentes em todos os ambientes desta casa, onde cortinas e estantes substituem paredes divisórias.

Buscar inspiração na natureza, trazendo vida a casa por meio das plantas, é a chave para o sucesso do décor. Vale tudo, desde que você ame: flores frescas, vasos, galhos ou uma horta de ervas na cozinha.

5. Atenção às texturas

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Na foto: a parede do quarto é revestida com couro extrudado do Empório Beraldin.

Adicionar textura é uma das formais mais fáceis de trazer luxo e sofisticação para casa. Não há nada pior que ver um ambiente incrível se tornar frio e sem graça porque este detalhe passou batido. Preste atenção nas casas das revistas: você verá mantas, almofadas aconchegantes e tapetes que aquecem e deixam o espaço convidativo.

6. Exibições bem pensadas

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Na foto: prateleiras de canto contornam a parede e trazem um elemento inusitado ao design.

Os acessórios de uma sala de estar e a forma como eles estão exibidos fazem tanta diferença quanto um sofá, por exemplo. Para arrematar o décor, deixam-se à mostra lembranças, quadros, e enfeites que celebram seu estilo próprio. Pensamentos fora do padrão arrasam: usar bandejas e até suportes para bolo em diferentes tamanhos para criar um arranjo de centro de mesa completamente único!

Lembre-se: antes de tudo, é importante amar cada detalhe da casa. Não dá pra errar em uma decoração pensada com carinho.

Matéria publicada pela jornalista: Débora Fernandes da Casa Claudia em: 16 de agosto de 2016

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VISITA GUIADA: APARTAMENTO NOVO EM ISRAEL É PERSONALIZADO

O En Design Studio tinha a missão de quebrar a mesmice do imóvel de 130 m², localizado em um prédio recém construído em Ganei Tikva

Sala 1

Apartamentos em prédios recém construídos costumam seguir padrões comuns  e parecem todos iguais. O desejo de um dos moradores deste apê em Ganei Tikva, Israel, era justamente quebrar essa mesmice. O En Design Studio foi o responsável por trazer personalidade e um clima jovem para o imóvel de 130 metros quadrados.

Sala 2

O estúdio escolheu uma paleta neutra, com tons de branco e cinza, e adicionou cores e texturas nos móveis e itens de decoração. Objetos trazidos do antigo apartamento da família também foram incorporados ao décor.

Sala 3

Uma das principais características do projeto é a divisória feita de nichos de madeira, esquadrias de ferro pretas e vidro trabalhado. Além de separar parcialmente a entrada principal e a cozinha, a parede fornece prateleiras extras para o cômodo.

Sala 4

Os materiais usados na divisória também ajudaram os designers a definir suas escolhas para o restante do apartamento. A mesma combinação de madeira e ferro aparece no móvel da TV e vários móveis em preto se espalham pelos ambientes.

Sala 5

Na própria cozinha, o forno, a coifa, as luminárias e as banquetas são pretas, para quebrar a predominância do branco.

Sala 6

O quarto infantil é decorado com nichos em forma de casinha, papel de parede com pequenos triângulos estampados e uma cabana. No quarto de brincar o destaque é a parede de lousa.

Sala 7O quarto infantil tem uma cabana para brincar.

 

Sala 8Quarto de brincar.

 

Sala 9Quarto do casal.

Matéria publicada pela jornalista: Gabriela Domingues Fachin da, Casa Claudia em 23 de agosto de 2016

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DESENHO ORGÂNICO

Esqueleto, cadeira criada por Pedro Paulo Franco, passa a integrar o acervo do Vitra Design Museum, da Alemanha

Desenho 1O designer Pedro Paulo Franco.

Com desenho que remete ao formato da costela humana, a cadeira Esqueleto, desenhada pelo designer e empresário Pedro Paulo Franco, foi apresentada no Salão do Móvel de Milão de 2014 e depois na Design Week de Nova York, em maio do mesmo ano. De lá para cá, constituiu família. Ganhou versões banco, banqueta e mesa, além de uma legião de admiradores, tanto na A Lot of Brasil, loja do designer, onde o móvel é comercializado em São Paulo, quanto em seus representantes no Brasil e no mundo.

Um percurso, via de regra, condizente com outros móveis vendidos pela marca, que unem originalidade, assinaturas de peso e preço compatível (em torno de R$ 2 mil, a depender do modelo). Isso, diga-se, até o início deste mês, quando o Vitra Design Museum, da Alemanha, uma das principais instituições internacionais consagradas ao tema, resolveu incluir a Esqueleto em seu acervo permanente. “Me enche de orgulho a oportunidade de ter um móvel que leva minha assinatura em uma instituição como o Vitra. Não só pelo aspecto pessoal, mas por ter a oportunidade de mostrar que um Brasil tecnológico e industrial também existe”, declara o seu criador, que comentou a indicação em entrevista ao Casa.

A quais fatores você atribui a escolha do Vitra Design Museum? 

Penso que a escolha se deve a um conjunto de fatores: ao convite da curadora Marva Griffin para apresentarmos o trabalho de nosso laboratório de pesquisas de novas matérias-primas durante o Salão Satélite deste ano, em Milão; ao interesse do Vitra Design Museum, na pessoa de seu diretor, Mateo Kries, pelos materiais por nós sintetizados e empregados nos móveis da série Esqueleto, tais como o bambu injetado, a madeira líquida e o coco injetado; e, por fim, à percepção deles de que o Brasil pode, efetivamente, ser um exportador de produtos tecnologicamente avançados, de alto valor agregado.

Em que consiste e como se dá a síntese desses materiais?

A fórmula base mescla resíduo de produtos orgânicos mesclados a um eco-polímero, um tipo de plástico, formando uma massa que é reinjetada em um molde. É preciso que se diga, no entanto, que processos dessa ordem levam tempo e são custosos. Somente se justificam sob a ótica da produção em larga escala, como é o caso da cadeira Esqueleto. Dessa forma, o investimento pode realmente contribuir para tornar o produto mais democrático, além de agregar um diferencial ao objeto oriundo de seu material.

O setor onde a peça está exposta inaugura uma nova ala no Vitra Design Museum. O que vai acontecer por lá?

O Vitra já é uma referência quando o assunto é design. Seja por seus edifícios, que levam a assinatura de grandes nomes da arquitetura internacional, seja pelos inúmeros workshops que realiza ou ainda por seu riquíssimo acervo. A nova área, inaugurada no dia 3 de junho e denominada Schaudepot, tem projeto dos arquitetos suíços Herzog & de Meuron e pretende se constituir no maior acervo mundial de materiais e processos produtivos, com visitação prevista de 350 mil pessoas por ano. Eu não poderia me sentir mais honrado em estar lá representado.

DesenhoO designer Pedro Paulo Franco e a cadeira Esqueleto.

 

Desenho 2Versão feita com injeção de resíduos de coco.

Matéria publicada pelo jornalista: Marcelo Lima do, O Estado de São Paulo em 26 de junho de 2016

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CARTA BRANCA

Clientes deram liberdade para designers de interiores criarem projeto, com a condição de que resultado fosse acolhedor e, sobretudo, fora do comum

Carta 1Em Florianópolis, apartamento tem mix de texturas para acolher e exibir objetos trazidos de viagens

Contratados para dar vida nova ao apartamento de um jovem casal de Florianópolis (SC), os designers de interiores Salvio Moraes Júnior e Moacir Schmitt Júnior tiveram carta branca para ousar na decoração. Nas recomendações básicas para o projeto, os clientes apenas pediram um lugar acolhedor e, principalmente, fora do comum. “Eles são pessoas que viajam muito e têm objetos interessantes comprados pelo mundo. Nossa primeira ideia foi criar uma base neutra, com diferentes texturas, para que o acervo se destacasse”, diz Schmitt.

Nos 340 m² disponíveis, os tons sóbrios deixam em evidência obras de arte e objetos decorativos. Principal elemento estético do projeto, um painel de MDF com pintura em microtextura ocupa uma das paredes da sala de estar e valoriza o longo móvel de madeira azul que abriga prateleiras com livros, esculturas e quadros. Além de ter função decorativa, o painel serve para camuflar a porta que dá acesso à área íntima do apartamento. “O cinza do piso de porcelanato rajado e a madeira escura também colaboram para o clima que buscamos para o projeto, algo quente, que parece abraçar. Eles prezam bastante pelo conforto, o sofá é de algodão, a cortina de linho. Nossas escolhas foram baseadas no que é agradável ao toque. Perfeito para os dias mais frios do inverno do Sul”, comenta. Para passar as estações mais quentes, o designer recomenda fazer ajustes pontuais. “É só guardar alguns tapetes e mantas, por exemplo.”

Na área do home theater, a parede é revestida com lâmina de madeira ebanizada, a mesma que reveste todo o hall e cria uma caixa preta logo na entrada do apartamento. “Apenas um rasgo de luz se faz presente no teto”, diz o designer. O espaço gourmet é integrado ao jantar e pode ser conectado ao living quando abertas as portas com perfis metálicos pretos. “Os proprietários recebem muitos amigos em casa, por isso, toda a área social foi pensada para funcionar nesses momentos de confraternização. A mesa de jantar, por exemplo, ganhou cadeiras confortáveis para acomodar bem os convidados. A bancada onde instalamos cooktop e coifa pode se converter em uma extensão dessa mesa.

Já que os tons escolhidos para o projeto são sóbrios, os designers instalaram pontos de luz capazes de criar diferentes cenas, conforme a situação. “Isso valoriza os diferentes volumes e texturas que temos espalhados pelos ambientes. Durante o dia, as grandes janelas de vidro deixam entrar luz natural na medida certa, já que instalamos as cortinas de linho grafite que barram o excesso de luz e contribuem para o conforto térmico. Os tapetes, grandes, acolhem ainda mais os moradores e delimitam o uso de cada espaço”, destaca Schmitt.

Como não podia deixar de ser, o clima acolhedor se estende à área íntima. A suíte principal foi emoldurada com boiserie, um clássico que ganhou ar mais contemporâneo depois de combinado com o tapete geométrico preto e branco. Para os momentos de leitura, uma poltrona revestida com couro. “Adoro usar base sóbria combinada a elementos que fogem do lugar comum. Se eu pudesse escolher uma trilha sonora para este apartamento, seria Purple Rain, do Prince. É com certeza um lugar instigante como a música.”

Carta aNo estar, ao fundo, poltrona Slow Chair, de Ronan e Erwan Bouroullec. O par de poltronas cinzas é de Fernando Zanard.

 
Carta bO estar, com poltrona de couro e madeira Kilin, de Sergio Rodrigues, pode ficar totalmente aberto para o espaço gourmet, integrado ao jantar.

 

 

Carta dA ‘caixa’ preta de madeira que forma o hall de entrada, com rasgo de luz no teto.

 
Carta fPoltrona de couro e madeira Kilin, de Sergio Rodrigues, no estar deste apartamento em Florianópolis com projeto dos designers de interiores Salvio Moraes Júnior e Moacir Schmitt Júnior.

 

 

Carta eNo jantar, luminária Caboche, de Patricia Urquiola para a Foscarini.

 

 

carta hNa cozinha, bancada para refeições com banquetas X, de Zanine Caldas.

 

Carta iDetalhe do bar, montado em peça de ferro da Embraed Home.

 

 

Carta kNa suíte principal, tapete da Oriente-se e poltrona Cité, de Jean Prouvé. As cortinas são de linho.

 

Carta lDetalhe da iluminação no closet.

 

Carta nNo banheiro, o tapete posicionado diante da pia esquenta os dias frios.

Quentinhos e bem cuidados 

Quer esquentar a casa para o inverno? O designer de interiores Moacir Schmitt Júnior gosta da ideia de usar mantas bem fofinhas em sofás, poltronas e até no pé da cama. Se a ideia é comprar um bom tapete, o profissional recomenda fibras agradáveis ao toque. “São quentes e gostosas. Mesmo em dias frios, é possível andar descalço pela sala com bastante conforto”, aconselha.

Para que seus tecidos novos fiquem bonitos por mais tempo, o designer recomenda a impermeabilização sempre que possível. Outro cuidado para que nada desbote é deixar tudo longe do sol. “Quando a luz incidir no tecido, ou até mesmo no móvel, certifique-se de que isso acontece de forma homogênea, senão você vai acabar com uma mancha na peça”, alerta.

Outra dica que vale para o inverno é ligar o desumidificador do ar-condicionado. “Isso tira as partículas de água do ar, os tecidos ficam mais bonitos, livres do mofo.”

Matéria publicada pela jornalista: Natália Mazzoni do O Estado de São Paulo em 26 de junho de 2016

 

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ANTES & DEPOIS: COZINHA ESCURA É REFORMADA PARA DEIXAR A LUZ ENTRAR

Escura e antiquada, a cozinha da agente imobiliária Alyssa Valentine foi renovada com piso diferente, várias demãos de tinta e até janelas novas

Quando se mudou para a nova casa com marido e filhos, a situação da cozinha de Alyssa Valentine não era das melhores: apesar de espaçoso, o cômodo não recebia iluminação suficiente, tinha pisos de linóleo manchados e armários antigos.

Jessica 1

Sua carreira no mercado imobiliário e gosto por decoração fizeram com que ela quisesse arregaçar as mangas e transformar o lugar: começando pelo piso. Junto ao marido, ela removeu o linóleo antigo, substituindo-o por um Marmoleum colorido e descontraído que por si só já deu conta de trazer mais vida ao ambiente.

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O trunfo, porém, foi a troca das janelas por esquadrias mais abertas e modernas, e a pintura das paredes, onde o creme deu lugar ao branco, que reflete melhor a luz.

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Pintados de cinza, os gabinetes perderam sua aparência datada. Outro investimento foi a compra de uma lava-louças que ganhou uma moldura de madeira da mesma cor dos armários para disfarçar a profundidade maior que tinha.

O tampo da bancada foi trocado por quartzo branco, que cobre também todo o backsplash – a moradora descobriu que o uso do mesmo material nas duas áreas era melhor que investir em azulejos para a parede!

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Como se não bastasse, o ambiente é cheio de soluções criativas de armazenamento, como panelas suspensas e um varal de condimentos e acessórios na parede do fogão.

A diferença é tanta que fica difícil acreditar que as fotos são da mesma cozinha, não é mesmo?

Matéria publicada por Casa Claudia em 12 de agosto de 2016

Fonte: Apartment Therapy

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NO RIO, HOTEL YOO2 TEM DECORAÇÃO TROPICAL E MOBILIÁRIO BRASILEIRO

Com design de interiores do Yoo Design Studio e de Melina Romano, os espaços trazem cores brilhantes, plantas e peças de design nacionais

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A decoração tropical e sofisticada do hotel Yoo2, no Rio de Janeiro, ganhou um toque de brasilidade com a adaptação da brasileira Melina Romano sobre o projeto de design de interiores do londrino Yoo Design Studio.

Rio 2Os espaços trazem cores brilhantes, diversas plantas, peças de madeira, além de enfeites em forma de abacaxis e bananas. A designer também escolheu revestimentos estampados para algumas áreas do hotel.

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O mobiliário, dominado pela madeira e por peças para áreas externas, foi curado por Melina entre os designers nacionais. Na entrada há um lustre criado por Ana Neute especialmente para o hotel e, no restaurante, cadeiras do estúdio de Fernando Jaeger.

Rio 4Localizado no Botafogo, o edifício do hotel já abrigou embaixadas de vários países e foi adaptado pelo arquiteto brasileiro Sergio Gattass para receber hóspedes. Do lounge na cobertura, a vista é para a Baía de Guanabara e para o Cristo Redentor.

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A unidade do Rio é a primeira do mundo da bandeira Yoo2, pertencente ao grupo Yoo, fundado pelo designer Philippe Starck e pelo incorporador de imóveis John Hitchcox.

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Matéria publicada pela jornalista: Gabriela Domingues Fachin da Casa Claudia 17 de agosto de 2016

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HERANÇA MODERNISTA

Arquiteto indica casas abertas à visitação e destaca o que vale a pena olhar com mais atenção

Heran 1O arquiteto e urbanista Renato Anelli.

Que tal aproveitar as férias para conhecer de perto três casas ícones do movimento modernista de São Paulo abertas ao público e sempre às voltas com uma intensa programação cultural? “Além do mais, a visita pode ser estendida. Do Museu Lasar Segall se pode visitar a casa modernista de Warchavchik, na Rua Santa Cruz. A partir da Casa de Vidro, de Lina, a capela do Morumbi, também uma obra de Warchavchik, e, da galeria que funciona na casa de Levi, o Museu da Escultura”, indica o arquiteto e urbanista Renato Anelli, professor da USP São Carlos e integrante do Conselho Administrativo do Instituto Lina Bo Bardi, que nesta entrevista exclusiva ao Casa destaca os pontos altos de cada projeto.

Quais casas modernistas merecem a visita?

Entre as muitas existentes em São Paulo, destaco três que combinam alta qualidade arquitetônica e bom estado de conservação. Primeiro o Museu Lasar Segall, na casa-ateliê do artista, projeto de Gregori Warchavchik de 1931; em seguida, a Casa de Vidro, de 1951, antiga residência do casal e hoje sede do Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi, e a Galeria Luciana Brito, instalada em uma casa nos Jardins, projetada por Rino Levi, em 1958.

Do ponto de vista estético e construtivo, no que elas inovaram e o que você recomenda que seja observado com maior atenção?

De imediato, a integração entre arquitetura e jardins. Tal intimidade procurava situar nos trópicos brasileiros as formas geométricas abstratas do ideário moderno, diluindo sua conotação internacional. Apesar de marcante nas três casas, o diálogo permanente com a natureza se dá de forma distinta em cada uma delas. A casa de Segall abraça o jardim. A residência dos Bardi situa-se no meio de uma mata plantada por Lina, na altura da copa das árvores. No projeto de Levi, o jardim é incorporado aos interiores, dividindo espaço com a sala de estar. Já as opções de ordem construtiva são bastante diversas. A casa de 1931 não tem o arrojo estrutural da Casa de Vidro, com sua estrutura de tubos de aço delgados e três faces envidraçadas, do piso ao teto. Ou mesmo da casa de Levi, na qual a sofisticação construtiva ocorre no ocultamento dos detalhes estruturais, que também permitem amplos planos de vidro para integrar o interior com o jardim.

Apesar de não tão antigas, a conservação dessas construções envolve manutenção permanente. Quais os principais cuidados? 

O pior que pode acontecer para um edifício tombado é ficar vazio e sem uso. É importante que eles acolham usos contemporâneos, mas compatíveis com sua arquitetura. As adaptações, quando necessárias, devem ocorrer de modo claro, não disfarçadas de originais. Obras como essas apresentam patologias construtivas específicas das construções com concreto armado, caixilhos metálicos, revestimentos, e, principalmente, impermeabilizações que necessitam de avaliações precisas. Nosso conhecimento técnico desses problemas é relativamente recente, pois temos a tendência de tratá-las como algo novo. Mas não podemos esquecer que algumas já se aproximam dos 100 anos.

Heran 2A Casa Museu Lasar Segall, na Vila Mariana.

 

Heran 3A Casa de Vidro, no Morumbi, projeto de Lina Bo Bardi, atual sede do Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi.

 

 

Heran 4Casa projetada por Rino Levi nos Jardins, atual sede da Galeria Luciana Brito.

Matéria publicada por O Estado de São Paulo em 10 de julho de 2016

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