A Mega São Paulo

No final de 2009 o IBGE divulgou mais uma fornada de pesquisas sobre o BRASIL. Constatação recorrente: CONCENTRAÇÃO. População preponderantemente residente do lado direito do mapa e acompanhando a linha do oceano – CONCENTRAÇÃO FÍSICA; parcela expressiva da renda nacional concentrada nas mãos de um contingente mínimo da população – CONCENTRAÇÃO DE RENDA -, e, finalmente, e a razão maior deste comentário, num país de 5.564 municípios, apenas 50 deles detêm mais de metade de toda a renda, e mais, Cinco municípios apenas – SÃO PAULO, RIO DE JANEIRO, BRASÍLIA, BELO HORIZONTE e CURITIBA – detendo 25% de toda a renda nacional – CONCENTRAÇÃO DE RENDA POR MUNICÍPIOS. Outras constatações e comentários:

1 – A cidade de São Paulo responde por 12,02% de todo o PIB do Brasil. O município que vem em segundo lugar, RIO DE JANEIRO, responde por menos da metade, 5,26%. E o que vem em terceiro, Brasília, por quase ¼ do que representa o município de SÃO PAULO, 3,76%. Em sendo assim, e com raras exceções, as empresas que ainda insistem na prática dos MERCADOS TESTES, deveriam reconsiderar SÃO PAULO como a cidade perfeita para esses testes. Se no passado existia a preocupação com a “espionagem” dos concorrentes, essa preocupação foi por terra com a internet.

2 – Vamos parar com aquela bobagem de que “O INTERIOR DE SÃO PAULO É O SEGUNDO MAIOR MERCADO DO BRASIL”. É! Mas do ponto de vista prático não quer dizer absolutamente nada. Pura e simplesmente porque não é um único mercado. Existem diferenças escancaradas entre ILHABELA e SOROCABA, ALFREDO MARCONDES e BREJO ALEGRE, CAMPINAS e SANTA MERCEDES, GUARULHOS e VALPARAÍSO. Objetivamente, são 645 municípios. Portanto, não dá mais para continuar flexionando esse absurdo que “O INTERIOR DE SÃO PAULO É O SEGUNDO MAIOR MERCADO DO BRASIL”. O segundo é o RIO DE JANEIRO, o terceiro BRASÍLIA, o quarto BELO HORIZONTE, e o quinto CURITIBA.

3 – Nas primeiras 25 colocações do ranking aparecem 10 cidades do Estado de São Paulo. E todas elas, num raio não superior a 100 quilômetros da capital, ou, todas elas, a menos de duas horas de acesso, por terra. Considerando-se que dentro desse raio estão dezenas de outras cidades, aí sim podemos desenhar, mais que uma GRANDE SÃO PAULO, uma MEGA SÃO PAULO, com aproximadamente 25% de todo o PIB do país. E, pela proximidade, facilidades de transporte, acesso, distribuição, cobertura de comunicação e ações promocionais, e com os devidos cuidados, podendo ser integradas e verdadeiramente consideradas como o MAIOR MERCADO DO PAÍS.

Assim, e em nome da equipe de consultores do MADIAMUNDOMARKETING, estamos recomendando a todas as empresas, daqui para frente, e em todos os PLANEJAMENTOS ESTRATÉGICOS COM ÊNFASE NO MERCADO, um novo e excepcional território que batizamos de MEGA SÃO PAULO. Vamos nessa?

Matéria originalmente publicada na: inteligemcia 14/05/2012

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Milão 2012 luz, câmera, ação

É na intersecção de dois bairros, Brera e San Babila, que nasce e toma forma muito do que se convencionou chamar de design italiano. Fundamentais na vida cultural de Milão, neles se concentram as principais lojas, restaurantes e galerias especializadas em design. Ou, às vezes, um pouco disso tudo concentrado em um só espaço. A Via Solferino e seus arredores, em Brera, é a região de maior densidade de showrooms na cidade. Caso da Missoni e da Moroso, que apresentaram seus produtos em meio a belas ambientações.

San Babila brilhou com os objetos de cristal da Baccarat e da Swarovski, além de contar com a participação de duas estrelas: Tom Dixon, que encheu de luz o sisudo Museu da Tecnologia e Ciência de Milão, e o não menos fulgurante roqueiro Lenny Kravitz, que compareceu ao showroom Kartell para engatar parceria com o designer Philippe Starck.

Matéria originalmente Publicada no: Estado de S.Paulo 06/05/2012

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Milão 2012 os meninos do Brasil

Eles não são exatamente novatos quando o assunto é Milão. Em comum com seus mais ilustres compatriotas, os Irmãos Campana – que este ano tiveram uma participação bastante discreta na Semana de Design –, eles já compartilham uma certa intimidade com a cidade, com seus lugares, com seus personagens-chave. Mas, apesar do reconhecido talento, eles têm clara consciência de que é longo o caminho a percorrer em se tratando de uma carreira internacional. Um objetivo assumidamente acalentado por todos, apesar da diversidade de seus trabalhos.
Por isso, não causa espanto que, a cada ano, eles arrumem sua malas, despachem seus móveis e partam rumo a Milão cheios de projetos e sonhos. Afinal, se for verdade que para se atingir o sucesso é preciso se chegar sempre na hora, o local eles sabem seguramente qual é. Confira a seguir a entrevista que o paulistano Alessandro Jordão, o mato-grossense radicado na Paraíba Sérgio Matos e o carioca Zanini de Zanine deram, separadamente, ao Casa.

Quantas e quais foram suas participações na Semana de Design de Milão?
Alessandro Jordão:
Este é o nono ano que exponho em Milão, sendo o terceiro no Superstudio Più, na Zona Tortona. O projeto deste ano, Cars never Die, fala de reciclagem, mas também de violência urbana.
Sérgio J. Matos: Já foram três participações no Salão Satélite. Este ano, com o tapete Marakatu, produzido pela By Kamy, e a poltrona Cariri, de meu próprio estúdio.
Zanini de Zanine: Este ano tive uma cadeira apresentada pela Cappellini, dentro de um projeto com curadoria do próprio presidente da empresa, Giulio Cappellini; participei com a poltrona Mulata de um projeto em homenagem ao centenário da Poltrona Frau; e ainda apresentei meus cachepôs Kony (premiados com o IF Product Awards) no espaço do Rio+Design. Todos na Zona Tortona.

Como foi a experiência deste ano?
AJ:
Fiquei bem otimista quanto aos resultados, mas a Zona Tortona, obviamente, refletiu um pouco da crise europeia. Este ano recebi a visita de muitos estudantes e menos de potenciais compradores.
SM: Este ano foi o melhor de todos, tanto em termos comerciais quanto de visibilidade. A receptividade do Marakatu me surpreendeu. A peça chamou a atenção de visitantes e jornalistas e várias empresas se interessaram pela sua comercialização. A Europa está em busca de produtos de forte identidade brasileira e acredito ter sido esta uma das razões desse sucesso.
ZZ: Fundamentalmente, de aprendizado. Pude, enfim, perceber como as grandes marcas trabalham e o que esperam de um produto com identidade brasileira. Em poucos meses estarei de volta à Itália para o desenvolvimento de uma nova coleção e tenho certeza de que a experiência com a Poltrona Frau será bem útil.

Quais as perspectivas profissionais que se abriram a partir dela?
AJ: Muitos contatos com galerias de design. Sobretudo de Berlim e Londres
SM: No final de 2010 abri meu estúdio em Campina Grande (PB) e comecei a produzir apenas a partir de 2011. Conto com artesãos que realizam seu trabalho com maestria e acredito dever a eles o sucesso alcançado pelo Marakatu no Salão Satélite. Foram inúmeros os pedidos, do Brasil e do exterior, para o desenvolvimento de novas unidades. O momento é bem promissor.
ZZ: Foram muito bem sucedidos os trabalhos concluídos para a Frau e a Cappellini. Vou continuar não só trabalhando com essas marcas no próximo ano, mas também com outras, das quais acabo de receber alguns convites. O que não vai faltar serão lançamentos meus em Milão em 2013. Só não posso revelar quais serão eles.

Matéria originalmente Publicada no: Estado de S.Paulo 06/05/2012

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Design forum – Kitchen’s Day Experience

Kitchen’s Day Experience – Faça mais que projetos, crie uma experiência!
A 5a. edição do Design Forum Cozinhas terá como tema “Kitchen’s Day Experience – Faça mais que projetos, crie uma experiência!” e debaterá o futuro do ambiente mais íntimo da casa e o modo de vida das pessoas em um futuro muito próximo.
Com o estilo de vida frenético e, ao mesmo tempo, as novidades tecnológicas para os ambientes da casa que não param de surgir, os banheiros deixaram de ser apenas um espaço para atender as necessidades básicas de higiene. Tornaram-se locais para verdadeiro culto ao corpo e relaxamento, um momento único e especial, com soluções que os transformam e…m verdadeiros SPAs e refúgios contra o estresse diário. Se o banheiro não é mais o mesmo, a cozinha também mudou. Tornou-se um laboratório que processa uma alquimia visual (cores), sensitiva (aromas e sabores) e experiencial (combinação de diversos itens que resultam em um prato).
Para acompanhar as novas tendências de ambos os cômodos, será realizado entre os dias 23 e 25 de maio, o Design Fórum Cozinhas e Banheiros, em São Paulo. Ambos voltados para designers, arquitetos, projetistas, empresários, marceneiros ou vendedores. “Nossa intenção com os eventos Design Fórum é ser um dos instrumentos que levam informações para possibilitar um novo olhar ao desenvolvimento de projetos e produtos inovadores”,
comenta Maurício Siqueira, diretor da Siq Marketing e organizador do evento.

- Banheiros e Cozinhas deixaram de ser apenas um cômodo essencial dentro do lar para serem também modernizados e inovados!

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Milão 2012 laboratório de ideias

Ao todo são pouco mais de cem expositores e cerca de 350 designers (oriundos sobretudo do norte da Europa), concentrados em uma área de exposição com pouco mais de 9 mil m². Números que podem até parecer modestos. Mas capazes de atrair, apenas este ano, estimados 60 mil visitantes. Um público que coloca a região em condições de rivalizar com a já tradicional Zona Tortona milanesa. De fato, credenciais não faltam para a Ventura: área de exposições situada no bairro de Lambrate, a noroeste de Milão, que em apenas três anos se transformou em sensação entre os frequentadores mais descolados da Semana de Design. Leia-se profissionais, imprensa especializada e formadores de opinião.
Seu nome deriva da mais importante via do bairro, a Ventura, que concentra as principais atrações do circuito. Afastado do centro – 0 que reforça o charme do local –, conta com poucos espaços de exibição, mas reúne um elenco de peso, principalmente se considerados os jovens nomes da cena internacional. Apontado pela mídia como o novo endereço da vanguarda em Milão, já expoõem suas criações por lá o alemão Maarten Baas, o espanhol Jaime Hayon e o suíço radicado nos Estados Unidos Yves Behar. “Lambrate possui a energia da feira de Milão de anos atrás, com uma saudável mistura de exposições, showrooms e instituições de ensino. A atmosfera é quente e nervosa. Como antigamente”, afirma Behar.

Outro recém-chegado, o inglês Lee Broom, uma das sensações da temporada com seus móveis e luminárias que misturam desenho contemporâneo e atmosfera barroca, também não pretende sair de lá tão cedo. “Aqui me sinto em casa. Além de condições de expor bem meu trabalho, sei que estou falando com o público certo”, diz ele, que levou para Lambrate “Public House”, sua mais recente coleção, ambientada em um pub inglês.

Matéria originalmente Publicada no: Estado de S.Paulo 06/05/2012

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Milão 2012 zona de transição

Antiga zona industrial convertida no principal centro de atividade fuori saloni durante a Semana de Design de Milão, a Tortona acaba de completar quatro décadas de existência. Tendo como epicentro o Museu Temporário do Design Novo (que ocupa as gigantescas instalações do Superstudio Più, o maior da região), ela tem atravessado nos últimos anos um período de grande valorização. E, consequentemente, de aumento de preços.

Não por acaso, o lugar – originalmente pensado para abrigar a produção de jovens designers – abre hoje espaço também para grandes corporações internacionais, como as japonesas Samsung e Canon, que tradicionalmente apresentam grandes instalações multimídia por ali. Este ano, por exemplo, foram duas as atrações: visualizar todo o processo construtivo de uma casa por meio de iPads e percorrer um labirinto de raio laser construído pela empresa de fotografia.

Entre as grandes empresas do design italiano, o grupo Poltrona Frau (que engloba também as marcas Cappellini, Living Divani e Cassina) foi um dos primeiros a se transferir para lá, mais especificamente para a Fundação Armando Pomodoro. O mesmo acontecendo com a fabricante de luminárias Foscarini, a alemã Dedon, a vanguardista holandesa Moooi, a divisão home da Diesel e a badalada marca inglesa Established & Sons.

Com foco na fusão produtiva entre o design e diversas formas de expressão artística – como o cinema e a música –, o Superstudio 13, na Via Forcella conserva um pouco da atmosfera alternativa dos primeiros anos do Più. Outros dos pontos de interesse na região, as Vias Savona e Sthendal, com suas inúmeras galerias e espaços expositivos, completam o circuito local.

Matéria originalmente Publicada no: Estado de S.Paulo 06/05/2012

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Milão 2012 de volta para casa

Este ano, quem percorreu os pavilhões de Rho Pero em busca de um desenho forte, capaz de surpreender por seu pioneirismo ou aparência exótica pode ter saído do Salão do Móvel com uma leve sensação de quero mais – com a provável exceção da 56H, poltrona do italiano Fabio Novembre, para a Driade. Afinal, onde estariam as tão aguardadas novidades?

Para um observador atento, justamente onde menos se esperaria: na simplicidade das linhas, no cuidado com o acabamento, nos detalhes capazes de identificar e tornar únicos os mais diversos tipos de produtos: de pufes a carrinhos de chá. Peças, aliás, que ressurgiram embaladas por novas e inspiradas versões.

Em Milão 2012 o móvel se pretende, sobretudo, verdadeiro. Sem grandes pirotecnias, excessiva interatividade ou exercícios de estilo. É a hora e a vez de móveis que falam por si mesmos. De construção simples e visual honesto: no melhor estilo ‘pronto para se jogar’. As cores são puras, com nítido predomínio do azul – sintomaticamente, reconfortante –, mas com pitadas de verde e cítricos. E, por que não, do fúcsia e do amarelo. Pois, em se tratando de cores, economia parece ter sido algo que passou ao largo da imaginação dos designers.

Ao minimalismo das linhas, contornos bem demarcados – por vincos, pespontos e aviamentos – se fazem notar. Sobretudo nos estofados, onde as texturas se fazem bem presentes. Mais do que nunca, o momento pede conforto extra. E aí nada melhor do que contar com um estofamento generoso, ainda mais quando turbinado por revestimentos agradáveis ao toque.

Matéria originalmente Publicada no: Estado de S.Paulo 06/05/2012

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Milão 2012 um outro futuro

Um ano era uma nova forma de moldar o plástico que acabava por gerar uma profusão sem fim de cadeiras e poltronas em formatos orgânicos. Em outro, uma determinada cor que, seja por qual motivo fosse, parecia recobrir toda a Milão (dentro e fuori Saloni). Edições nas quais as novidades saltavam aos olhos para a alegria de caçadores de tendências de todas as latitudes. Hoje, são muitas as senhas para quem se propõe a desvendar a Semana de Design de Milão, este ano, realizada entre os dias 17 e 22 de abril.

A começar pela diversidade de roteiros colocados à disposição de seus frequentadores (e percorridos pelo Casa nesta edição especial): o Salão do Móvel, com sede em Rho-Pero; os já tradicionais Centro e Zona Tortona; além do comentado Ventura Lambrate, situado a nordeste de Milão, que tem se firmado como polo da vanguarda do design na cidade, graças, sobretudo, à produção de jovens designers do norte da Europa.

“Fato é que estamos todos mais seletivos. Os consumidores, mais preocupados com qualidade global, com originalidade. Com tudo que possa elevar o móvel para um nível acima do banal. Nó, empresários, ainda mais criteriosos: não queremos lançar todos os anos dezenas de cadeiras indiferenciadas. Menos desperdício e mais conteúdo. É assim que vejo o futuro”, argumenta o empresário Claudio Luti, diretor-presidente da Kartell, uma das mais influentes empresas italianas e uma das veteranas do Salão do Móvel.

Para ele – assim como para os visitantes mais antenados –, o que é apresentado tanto na mostra oficial quanto nas paralelas não pode, nem deve, ser tomado como garantia de uma existência em eterna harmonia com as questões do estilo. Nem tampouco como um manual de como decorar a casa para a próxima estação (como alguns ainda insistem em fazer crer). Mas pode, seguramente, revelar sinais, que, apesar de sutis, vão influenciar nossa relação com o espaço onde vivemos e com os objetos que nos cercam.

“Penso que vivemos o ocaso do móvel conceitual, daquelas peças que precisam ser explicadas antes de utilizadas. Acredito em móveis silenciosos, em formas mais simples, que falem por si. Funcionais, sem dúvida. Mas que revelem, na sua elaboração, a dedicação e a cultura de quem os produziu”, argumenta a empresária Rosana Orlandi, proprietária da galeria que leva seu nome e um dos mais respeitados radares locais.

Não causa espanto, portanto, que um observador menos atento que tenha percorrido a quermesse milanesa em busca de lançamentos inusitados possa ter saído de lá algo desiludido ou com a sensação de ter se defrontado só com releituras. Mais do que seguir as flutuações de moda – ou oferecer mil e uma utilidades –, resistir ao tempo parece ser o maior dos desafios colocado hoje aos novos produtos. E, nisso, designers e fabricantes são uníssonos.

Exemplo emblemático, o sofá Doodle, do grupo sueco Front, para a Moroso sintetiza os novos tempos do móvel: com corpo que sugere uma colcha de matelassê displicentemente jogada, ele apresenta assento, encosto e braços em continuidade. Com assento de couro bordado à mão e dimensões modestas, em tudo ele remete ao desenho de um antigo capitonê. Mas traz agregada à sua composição um componente estranho. Um referencial agressivo, algo punk, em tudo distante da imagem bem-comportada do clássico design escandinavo, mas que faz dele, em última análise, um móvel atual. Afirma Marva Griffin Wilshire, curadora do Salão Satélite, mostra dedicada à produção de jovens designers de todo o mundo, que comemorou este ano sua 15ª edição.

Promotora de uma talentosa geração de profissionais hoje estrelas em ascensão internacional, Marva reputa à capacidade da indústria italiana de transitar entre o artesanal e o tecnológico a posição de vanguarda de que o país desfruta no campo do design. E, ainda, a atração que a Itália desperta em jovens designers, que a veem como um território aberto à experimentação.

Caso do espanhol Jaime Hayon, ele próprio uma das estrelas descobertas por Marva, que, mesmo em face da atual situação de crise que atravessa o setor, assume ter em Milão seu palco por excelência – o local onde encontra condições de produzir com rigor. Mas também com originalidade e ironia. E o que é melhor, alheio a toda e qualquer tendência. “Nem me fale delas. Tendências são opiniões de outros. O design deve falar por si mesmo”, conclui.

 

Matéria originalmente Publicada no: Estado de S.Paulo 06/05/2012

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Com o pezinho na Índia

A Area Objetos, que tem lojas no Rio de Janeiro e em São Paulo, lança uma nova coleção com peças de beleza exótica, inspiradas na Ásia. Os pufes vieram diretamente da Índia e foram confeccionados por artesãos locais com tecidos bordados no vizinho Paquistão (exemplo de plano de paz regional) e pés em madeira. O menor, de 40×40, sai por R$ 390; o de 60×60, por R$ 920. Serão peças exclusivas para a marca.

Matéria originalmente publicada no: Valor econômico 03/05/2012

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Portobello e Eliane anunciam fim do plano de fusão

A Portobello e a Eliane encerraram as negociações que tinham como objetivo a união das duas empresas catarinenses do setor cerâmico. A operação, que resultaria na associação de Portobello e Eliane, foi anunciada em dezembro. Se concretizado, o negócio permitiria que a nova empresa fosse mais competitiva, globalmente, e, principalmente, no mercado brasileiro de revestimentos cerâmicos, no qual os produtos chineses ganham cada vez mais espaço. Sem informar detalhes, as empresas divulgaram, em fato relevante, que a decisão foi de comum acordo e tomada após a conclusão das diligências previstas no memorando de entendimentos. Em 30 de março, Portobello e Eliane haviam divulgado que mantinham as tratativas para a união de seus negócios e integração de suas operações, mas que as diligências previstas para serem concluídas, no dia seguinte, ainda estavam em curso. No mês passado, o processo de fusão era dado como certo por fontes próximas às empresas. Quando Portobello e Eliane adiaram a finalização das auditorias, uma fonte chegou a indicar que o desfecho provável do processo seria a fusão, mas que teria havido postergação das diligências por questão de avaliação de ações trabalhistas e tributárias. Era preciso quantificar essas ações, porque, muitas vezes, esses valores acabam influenciando os ativos das empresas. No fim do ano passado, as empresas divulgaram que, conforme o valor de cada uma, a Portobello teria 55% de participação na nova companhia e a Eliane, 45%. Em função de dívidas e outros ajustes, as parcelas foram projetadas para 80% e 20%, respectivamente. Se tivesse ocorrido, a consolidação entre Portobello e a Eliane seria um passo importante para o setor, segundo o diretor superintendente da Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimento (Anfacer), Antonio Carlos Kieling. “O setor é muito pulverizado e precisa ser consolidado”, afirmou. Na avaliação do representante da Anfacer, é importante que haja a consolidação de empresas que possuam unidades com mais competitividade, de olho em “um mercado cada vez mais global”. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de revestimentos cerâmicos. A entidade do setor projeta que a produção brasileira chegará a 895 milhões de metros quadrados em 2012, ante os 845 milhões do ano passado. Do total produzido em 2011, 7% foi exportado. As importações somaram 38 milhões de metros quadrados de revestimentos cerâmicos no ano passado, a maior parte do volume originado da China. Em entrevista ao Valor publicada em janeiro, Gaidzinski informou que enfrentar a concorrência dos revestimentos que chegam da China foi, justamente, uma das razões que tinham motivado a associação das duas empresas.

Matéria originalmente publicada no: dealmaker 03/05/2012

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