ARQUITETURA MUNDIAL

Nova Deli, Índia

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Um terreno com mais de 10 mil metros quadrados. Projetar, então, a Center Court Villa, com 1200m², localizada em Nova Deli, Índia, e chegar neste visual foi um deleite para o escritório local Dada & Partners, que assina também o design de interiores, iluminação e paisagismo. Ainda mais que o proprietário, apreciador da estética contemporânea, solicitou, além de uma configuração com seis dormitórios, várias salas de estar internas e externas e espaços generosos para entretenimento e lazer. A amplitude do entorno permitiu, sem reservas, que o formato horizontal da construção, formada por dois blocos retangulares no térreo e um perpendicular sobre eles, fosse explorado ao máximo. Grandes vãos envidraçados, alguns compostos por brises de madeira, permitem a visualização da vegetação ao redor e ainda entre as duas porções paralelas, na forma da letra H, que abrigam os cômodos.

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No amplo terraço, mais valorização da natureza e sustentabilidade, com a implantação de um telhado verde. Portas de correr se abrem, em todos os lados que formam a edificação, permitindo um contato interior com exterior num ângulo total de 360º graus.Elas dão, ora para uma grande piscina, ora pra um gramado ou jardim, e para as muitas varandas, térreas ou flutuantes, estrategicamente posicionadas para trazer iluminação natural aos ambientes. “Estratégias ambientalmente corretas foram aplicadas para tornar a casa sustentável. O projeto arquitetônico, com a série de vazios interligados, facilita a ventilação natural, com efeito de chaminé durante o verão, resultando em espaços mais frios. Brises de madeira e alumínio reduzem o calor direto onde há grandes extensões de vidro. Coletores de energia solar foram instalados para aquecimento da água usada em banheiros e cozinhas”, conta Sumit Arora, que junto com os profissionais Parul Mittal, Mukul Arora e Aditi Gupta Arora lideram o Dada.

VD52_ARQ_MUNDIAL_Page_1_Image_0004Matéria publicada na revista Visual & Design em janeiro de 2014.

 

 

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IMPÉRIO CLASSE D

Com celebridades e fogos de artifício, marca de moda jovem se expande com foco na periferia de SP

Um nicho de mercado esquecido por redes de varejo de moda tradicionais, a periferia paulista tem sido abocanhada ao longo dos últimos dez anos por um empresário de modos discretos e estratégia nem tão discreta assim.

Em pontos escondidos em São Mateus, no Grajaú, no Jardim Ângela e em outros endereços longínquos, o empresário Alex Sandro Teixeira já abriu 37 lojas de sua marca Empório Alex, linha com pegada moderna que virou febre entre jovens de baixa renda.

Em 2015, sua meta é ter 50 unidades, todas próprias. E a expansão por franquia viria em 2016, quando a receita pode atingir R$ 250 milhões.

Nas araras das lojas de até 750 m? com decoração descolada, camisetas por R$ 10 e jeans por R$ 30. Salvo raras exceções, o preço das peças não ultrapassa os R$ 100.

Metade dos produtos é etiquetada na China, para onde Teixeira viaja quatro vezes ao ano com o objetivo de, ele mesmo, escolher as peças.

Cada abertura de loja é tratada como grande evento. Fogos de artifícios e shows de bandas como Katinguelê, pagodeiros consagrados nos anos 1990, fazem parte da estratégia. Estrelas de menor brilho, dançarinas de programas de TV populares e exBBBs também são contratados para turbinar as inaugurações, anunciadas em carros de som e rádios de comunidades locais.

“Trago celebridades que o povo entende. Monto o evento para impactar, mas não pode fugir do controle.”

A escolha dos garotos propaganda é precisamente calculada pelo empresário, sem agência de publicidade.

Badalado não só nos subúrbios, mas também no circuito fashion de elite, o funkeiro ostentação Mc Guimê protagoniza a campanha.

ASPIRAÇÃO

Para Renato Meirelles, presidente do Data Popular, o desafio é tornar o produto aspiracional, porém acessível.

A aspiração fica evidente na logomarca EA da Empório Alex, parecida com a bandeira da rede italiana Armani Exchange. O empresário diz que as reclamações da italiana já foram resolvidas no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, mas o órgão informa que o trâmite não terminou.

O baiano de 40 anos, que mudou para São Paulo aos 14 atrás de emprego, nunca morou na periferia. Viveu em um cortiço no Ipiranga e cresceu como vendedor em uma loja nobre de tapetes orientais nos Jardins, quando juntou recursos para o primeiro ponto, em Guarulhos. Hoje, vive em um bairro de classe média.

Ele conta que, quando começou, seus colegas de varejo apontavam riscos de se instalar em algumas das regiões mais violentas da cidade.

Segundo Teixeira, as dificuldades estão na infraestrutura. Em lojas distantes, é preciso d antenas para internet.

Para Douglas Carvalho, da Target Advisors, especialista no setor, o modelo de Teixeira é um nicho que grandes redes não atingem. “O mercado não vai atrás desse segmento até por preconceito. É difícil ganhar dinheiro nisso porque a margem é apertada. Mas quem acerta faz goleada.”

A concorrência local não segue o padrão de shopping da EA, com ar condicionado e uma dúzia de atendentes. Suellen Modas, Sandra Lingeries e Questão de Stillus são alguns de seus vizinhos, incapazes, por questão de escala, de ter preço equivalente.

Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo em 07 de dezembro de 2014 por Joana Cunha.

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COBERTURA TRANSPARENTE POLICARBONATO OU VIRO?

Entenda os quesitos técnicos de policarbonato e vidro antes de decidir pelo material da cobertura transparente

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Cobrir o gazebo ou o jardim de inverno com um teto translúcido mantém a sensação de integração ao exterior, ao mesmo tempo que protege o local de intempéries. No entanto, somar transparência a luminosidade sem prejudicar o conforto térmico requer um projeto que especifique a opção adequada à circunstância. Isso porque, durante a maior parte do dia, a cobertura fica exposta à radiação solar – composta de 1 a 5% de raios ultravioleta (UV), de 41 a 45% de luz visível e de 52 a 60% de infravermelho (IV). O ultravioleta não representa calor nem luz, mas deve ser evitado porque degrada e altera a cor dos materiais. A luz visível garante claridade natural, porém seu excesso pode cansar. Já o raio infravermelho é uma fonte de calor não captada pelo olho humano. Quando escolhida corretamente, a cobertura consegue controlar as três radiações conforme as necessidades do ambiente e da região. Um parâmetro que ajuda a avaliar tecnicamente os materiais está no coeficiente de sombreamento, índice que varia entre zero (sombra) e um (sol), indicando quão sombreado e fresco ficará o local protegido. O policarbonato e o vidro laminado, ambos com tratamento refletivo ou de retenção de infravermelho, são as soluções com os melhores desempenho térmico e controle da luz para esse uso. Leve, o policarbonato aceita estrutura delgada (mais barata), tem instalação simples e pode ser curvado a frio na própria obra. Ultrarresistente a impactos (até 250 vezes mais do que o vidro laminado), ele não propaga chamas e é autoextinguível. Consegue suportar a temperatura máxima de 120 °C sem estragar. Em contrapartida, o vidro laminado, composto de duas chapas unidas por uma película de polivinil butiral (PVB), é seguro porque não estilhaça nem se desprende caso quebre, além de oferecer grande durabilidade. Ao misturar dois tipos na lâmina dupla, multiplicam-se as possibilidades de composição do material – se uma delas for de vidro refletivo, o conjunto ainda oferece ótimo desempenho térmico. O PVB barra 99,6% dos raios UV e constitui eficiente barreira acústica, diferencial em dias de chuva. Além disso, o vidro é fácil de manter, resiste à abrasão, não amarela nem deforma quando submetido a altas temperaturas. A desvantagem: por ser pesado, exige estrutura robusta (mais cara) para sustentá-lo.

Policarbonato ou vidro?

A resistência a impactos de um conta pontos sob árvores; a durabilidade do outro, em lugares mais abertos.

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*Índice próximo de zero oferece mais sombra; próximo de um, mais claridade.

Preços pesquisados em São Paulo em agosto de 2014.

Matéria publicada na revista arquitetura & construção em setembro de 2014.

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BACCARAT BUSCA LUGAR NO “LIFESTYLE” ATUAL

A trajetória suntuosa começou com Luís XV em 1764 e continua com o acionista majoritário, o grupo Starwood. Entre dezembro e janeiro está prevista a abertura, na Quinta Avenida, do “hotel & residences” Baccarat, com diárias a partir de US$ 800 e cujos apartamentos – espera o investidor – passam a ter o m2 mais caro de Manhattan. Este é mais um dos desdobramentos da marca da mais luxuosa cristaleria do mundo, que, ao completar 250 anos, quer ampliar sua expressão e reconhecimento em várias praças. No Japão, por exemplo, seu principal mercado, já existem quatro B Bars – bares Baccarat muito reluzentes. Para não ficar engaiolada na arca de louças da aristocracia, a empresa está perseguindo seu lugar no “lifestyle contemporâneo”.

O Brasil, no século XIX, era o terceiro maior comprador de Baccarat. Hoje, tem a maior loja da marca fora de Paris, inaugurada em agosto do ano passado. São 1,2 mil m2, um projeto de Roberto Migotto, na alameda Gabriel Monteiro da Silva, corredor da decoração em São Paulo. “É um país com mais de cem anos de relacionamento com a marca, diferente da China onde estamos há pouco tempo. Aqui há gosto e dinheiro para acompanhar a Baccarat”, diz Daniela Riccardi, CEO da empresa. Na semana passada, ela esteve em São Paulo para mais uma das muitas comemorações de aniversário da cristaleira de origem francesa. A festa ambientada na loja, entre peças de design centenário e arranjos de Vic Meirelles, foi embalada pela bateria da X-9 e passistas “vestidos de Baccarat”.

Foi a primeira vez da italiana Daniela por aqui à frente da companhia, mas ela já conhece o Brasil de longa data. “Eu trabalhei 25 anos na Procter & Gamble e fui CEO da Diesel. Vim várias vezes e conheço as particularidades e as belezas deste país.” Por isso mesmo, sabe que não dá para se deixar seduzir pelo ronco da cuíca. “Os consumidores brasileiros são target para muita gente. Mas vejo como uma oportunidade de expansão cautelosa, nada dramática. Ao lado do nosso parceiro, num prazo de cinco anos, pretendemos abrir mais uma ou duas lojas em São Paulo e uma no Rio. Não queremos saturar o mercado.”

O representante da marca aqui é Luiz Cláudio Bez, da família do antiquário Began. Foi arrematando peças da aristocracia decadente que a família se tornou uma das maiores revendedoras de “chandeliers” usados. “Meu pai era também um colecionador de Baccarat e eu me apaixonei pela marca. Durante mais de 20 anos fui à França pedir para ter a monomarca no país. Finalmente consegui.”

Em pouco mais de um ano, diz ele, a butique superou em 20% sua meta de vendas. “E isso com Copa e eleições. O público não é só ‘A gargalhada’, tem muito ‘A normal’. Hoje somos a quinta loja da Baccarat que mais fatura, atrás de Japão, Estados Unidos, França e Rússia.” Neste mês, seguindo o que já foi adotado em outros países, ele começou a vender os produtos pelo “e-commerce”. E embala peça por peça na própria butique antes de despachá-las pela transportadora. “A loja virtual é uma ferramenta para ampliar a presença da Baccarat nas listas de casamento. Quero que isso represente 25% do negócio.”

Essa é uma das razões pelas quais Daniela estava aqui. “Precisamos destacar os copos e itens de mesa que são 50% do nosso negócio no mundo. Nesta loja, pela localização, os produtos que mais vendem são ‘chandeliers’ e os decorativos.” Os lustres, por sinal, são um caso à parte. Custam em média R$ 90 mil e pesam cerca de 200kg. Uma das maiores preocupações de Bez, portanto, é com a instalação. Muitas vezes os arquitetos, conta, não montam a estrutura correta para suportá-los. “Uma vez fiz uma celebridade assinar um termo de responsabilidade nos isentado dos riscos da instalação. Ela decidiu acatar o que sua arquiteta recomendou e que era um erro estrutural. Uns 60 dias depois o lustre despencou.”

É curioso que peças de cristal possam despertar desejo, em especial entre o público mais jovem. Mas Daniela acredita que o segredo da Baccarat é justamente a beleza atemporal das criações. “Nunca seguimos tendências ou o mundo fashion. Ainda assim temos um ‘chandelier’ como Zénith ou copos como o Harcourt, que têm mais de cem anos e que continuam sendo best-sellers. Designers como Philippe Starck e mesmo os irmãos Campana recriam em cima dessas peças já consagradas.”

Uma das formas de atrair o público jovem é por meio das ‘bijoux’, mas não só. “No começo da vida eles podem não ter dinheiro suficiente para ter as peças mais caras, mas quando montam suas casas faz sentido ter um vaso ou copos. Qualquer um, tenha 20 ou 70 anos, que entre num lugar como este sente-se atraído por esse mundo brilhante. A Baccarat não precisa educar o consumidor, só se tornar mais presente e ser desejável”, diz ela. Uma das formas para levar novos consumidores para suas butiques é justamente se tornando um “cenário” para festas de outras marcas, parcerias que são feitas com frequência até mesmo no Brasil.

Em 2013, a Baccarat faturou € 149,3 milhões. O Japão foi o país que mais ajudou nesse resultado, enquanto a Europa continuou patinando. “Somos uma empresa de 250 anos e poucas marcas de luxo sobrevivem tanto tempo a crises, diferentes donos e CEOs. Nossos resultados têm sido relativamente estáveis, sem grandes altos e baixos. Minha missão é preparar a marca para os próximos 250 anos. Fazer o negócio crescer, aumentar a lucratividade, mas manter o DNA e o prestígio imaculados.” Uau!

Uma oportunidade de mergulhar nessa trajetória é a exposição aberta na última segunda no Petit Palais, em Paris, e que fica em cartaz até 4 de janeiro. São 500 peças que testemunham o “surpreendente virtuosismo dos artesãos da Baccarat”. Muitas das peças são de coleções particulares, outras vindas dos acervos dos principais museus franceses. Objetos monumentais, como a penteadeira e cadeira de cristal da Duquesa de Berry, dão a dimensão do espaço que a marca já ocupou no cotidiano da aristocracia. E servem de respaldo para seguir ocupando os palácios do século XXI, ainda que sejam espigões no coração de Nova York.

Matéria publicada no jornal Valor em 15 de outubro de 2014 por Angela Klinke.

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7 BANHEIROS QUE SÃO VERDADEIRAS SALAS DE BANHO

O estilo muda, mas a essência é a mesma na caprichada seleção de ambientes – com diferentes soluções, metais e acabamentos – que apresentamos a seguir

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Que tal uma demorada sessão numa tina de madeira cheia de água quentinha? Não há como imaginar nada melhor para relaxar do que se afundar num ofurô e deixar o tempo fluir. Essa ideia permeia a sala de banho de 14 m², projetada pelo arquiteto Naoki Otake e com janelão que desvenda a paisagem. No piso, réguas de cumaru e placas de ardósia se aliam a seixos rolados pretos (Palimanan), elemento típico da arquitetura japonesa. Toalhas da Collectana.

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Abundante, o branco amplia a luminosidade natural do lugar. Nesta alva sala de banho de 16 m², piso e paredes trazem placas de porcelanato de 60 x 60 m (compradas na Portoro). Estrela da composição, a banheira monaco (Ibiza Acabamentos) ganhou bica de piso (D35, da Punto). De um lado dela, o arquiteto Diego revollo dispôs o boxe com um par de duchas de teto (Deca). Do outro, cabine com vaso sanitário. Frente a frente, bancadas idênticas de nanoglass.

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A dobradinha de branco e grafite dá o tom nesta releitura contemporânea do estilo clássico. Resistentes à umidade, lambris de poliestireno Santa Luzia Molduras (Única Laminados) cobrem parte das paredes, que, de resto, foram tingidas de cinza-escuro (suvinil, ref. caviar, r398). A bancada é de mármore branco piguês, finalizada com marcenaria laqueada. Para arrematar, a arquiteta maria Lavinia distribuiu pastilhas sextavadas (mazza Cerâmicas) pelo piso do banheiro de 10 m².

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Aqui, som ambiente e iluminação podem ser acionados à distância. Neste cômodo de 16 m², concebido pela designer de interiores Fabia toquet Pace, recursos tecnológicos (Troiano’s) e peças de design se misturam a elementos naturais. metais desenhados pela espanhola Patricia Urquiola para a Hansgrohe (Metalbagno) fazem bonito ao lado da marcenaria (Ornare), com bancada e cubas embutidas de Corian (DuPont). Na parede, pedra vulcânica hijau (Palimanan). Projeto estrutural da arquiteta Suzana Requião.

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Mistura de tonalidades e texturas confere descontração ao ambiente. Revestida da mesma pastilha de vidro (C&C) das paredes, a banheira divide com a ducha o compartimento no banheiro de 7 m², idealizado pela arquiteta Ana Paula de Castro. O charme vem do ladrilho hidráulico (Ladrilar) no piso. Já o laminado uva do gabinete (Marcenaria Girotto) atenua o ar sisudo do concreto da bancada.

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O corredor entre armários frente a frente acomoda a bancada. Centralizada na passagem, a ilha de mármore crema marfil (Villa della Pietra) aproveita bem o espaço entre os móveis. Autor da proposta de 12 m², o arquiteto Toninho Noronha, que teve a colaboração do sócio Renato Andrade, dispôs os misturadores nas laterais da peça e investiu na iluminação: as luminárias articuladas do lighting designer Maneco Quinderé acompanham o movimento dos espelhos. Para complementar, marcenaria clara de nogueira (Grupo Brumatti).

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O equipamento de concreto organiza todo o espaço. Com espírito de estância termal, esta sala de banho de 20 m² prima pelo volume escultórico que setoriza banheira, boxe e bancada (o concreto foi finalizado com silicone incolor). Aberto para o quarto do casal, o lugar, bolado pelo escritório Triptyque, apresenta piso de resina. Mais do que propor quietude, sua função é social – ser ponto de encontro dos moradores, que passam o dia fora de casa. Toalha amarela da Zucchi Home Fashion.

Matéria publicada na revista arquitetura & construção em setembro de 2014 po Deborah Apsan e Denise Gutavsen.

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SEM DESIGNERS NO MERCADO PARA CRIAR JOGOS NO PAÍS

As empresas brasileiras que criam games corporativos em geral se veem obrigadas a investir internamente no treinamento de seus designers de jogos. Isso porque não há ainda cursos específicos para a formação de profissionais com esse foco.

Para o diretorexecutivo da Aennova, Sunami Chun, uma alternativa é buscar talentos nos mercados de entretenimento e também com experiência em elearning.

Já Felipe Azevedo, sócio-diretor da Eguru & Clave, diz que a agência mais forma que contrata seus designers. “O aprendizado durante o trabalho acabado sendo muito mais rápido”, diz. Segundo ele, a maioria tem interesse por games de entretenimento, até por não conhecer o modelo de jogos corporativos”, afirma.

Segundo Ivan Lobato, proprietário da Gaz Games, atualmente os cursos são focados na criação de jogos de forma ampla. “Os alunos acabam aprendendo detalhes sobre o mercado corporativo apenas quando entram nas empresas”, afirma.

As escolas, porém, já começam a se movimentar para mudar esse panorama. A Universidade Anhembi Morumbi, por exemplo, possui um curso de graduação em design de games. Na avaliação de seu coordenador, Delmar Galisi, as maiores oportunidades desse mercado no Brasil têm surgido na aplicação dos jogos para fins que não o de entretenimento, como os corporativos e educacionais.

Dessa maneira, no currículo do curso que passa a valer em 2015, o foco em games com finalidades além da diversão permeará as matérias do quinto período. “Embora essa abordagem não aparecesse antes em projetos específicos, já vinha sendo discutida nas disciplinas.”

O professor da Anhembi Morumbi explica que, do ponto de vista do desenvolvimento tecnológico, não há muita diferença entre os jogos. “A maior mudança está na concepção e no projeto, pois os objetivos são distintos. O game corporativo requer o apoio da empresa parceira, e a equipe de desenvolvimento precisa de pessoas com sensibilidade para o mundo dos negócios.”

Segundo Galisi, um designer de jogos começa a carreira ganhando entre R$ 1.500 e R$ 2.500 mensais, enquanto o salário de um profissional mais experiente fica em torno de R$ 10 mil. “Além de ser uma área muito recente no Brasil, muitos optam por montar suas próprias empresas”, afirma.

Matéria publicada no jornal Valor em 04 de dezembro de 2014 por Edson Valente.

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CASA DE PRAIA SE AGARRA AO PENHASCO POR MEIO DE PINOS FIXADOS NA ROCHA

A estrutura metálica terá fechamento com vidro duplo recheado de gás argônio, bom isolante térmico.

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No refúgio digno dos filmes de James Bond, só não vale ter vertigem. Desenvolvido pela Modscape, especializada em construções modulares sustentáveis, o projeto de 283 m² tem custo estimado de US$ 2,2 milhões. Por enquanto, não saiu do papel. “Queremos atrair pessoas ávidas por experimentar uma nova forma de morar”, diz o designer Jan Gyrn, gerente de projetos da empresa australiana. Além da vista panorâmica e do sabor de aventura, a obra, montável em 12 semanas, aproveita água da chuva, usa materiais recicláveis e prima pela eficiência energética. Veja abaixo como se distribuem os ambientes.

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Matéria publicada na revista arquitetura & construção em dezembro de 2014 por Liège Copstein.

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LUZ, CÂMERA, AÇÃO

Ameaçadas por celulares, fabricantes investem em equipamentos de fotografia portáteis e com foco em esportes

A selfie matou a câmera fotográfica digital. Ou quase.

As câmeras digitais compactas, objeto de desejo na década passada, estão sofrendo com os recursos fotográficos dos smartphones. Cada vez mais as pequenas são deixadas de lado e são substituídas pelo telefone na hora de registrar o dia a dia.

Segundo a consultoria GfK, o mercado brasileiro de câmeras fotográficas encolheu 50% no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado.

Em 2013, as vendas totais do setor atingiram a marca de R$ 571 milhões neste ano, a cifra diminuiu bastante: foram R$ 247 milhões.

No mesmo período, o setor de telecomunicações (que engloba aparelhos fixos, celulares comuns e smartphones) cresceu 33,9%.

A GfK afirma que o crescimento do setor foi puxado pelo número de vendas de smartphones, que cresceram 54% durante o ano.

“A vantagem de usar uma câmera de um smartphone é que ele é carregado pela pessoa quase o tempo todo”, diz Wagner Battistel, gerente sênior de produto da área de câmeras da Samsung Brasil.

Embora publicamente neguem a vitória do smartphone, os fabricantes investem em outros tipos de câmeras para driblar as perdas.

Entre elas estão as câmeras de ação, equipamentos usados principalmente por praticantes de esportes radicais. A categoria foi impulsionada pela GoPro, que lidera o mercado mundial com 42%, segundo a consultoria IDC.

Com o sucesso da companhia, nomes tradicionais no mercado de compactas, como Sony e Polaroid, colocaram produtos na categoria.

CONECTADAS Outra maneira encontrada pelos fabricantes de combater os smartphones é deixar as câmeras mais parecidas com os rivais. Samsung e Nikon, por exemplo, têm compactas que rodam Android e têm tela sensível ao toque. Só não fazem ligação.

Além disso, a conexão wifi é encontrada em câmeras com design e interface mais convencionais. A terceira via encontrada pelas fabricantes está nas câmeras semiprofissionais, com lentes intercambiáveis conhecidas em inglês como”mirrorless”).

Segundo a GfK, apesar da queda do setor de fotografia no Brasil, as câmeras com conexão wifi e com lentes intercambiáveis estão crescendo e representaram, respectivamente, 19% e 23% do mercado no último trimestre.

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Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo em 29 de novembro de 2014.

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EM SILÊNCIO NA TAILÂNDIA

Práticas que estimulam o consumo, como o design, estão em crise; nossos bens serão cada vez mais virtuais Estou em Samui, uma ilha no sul da Tailândia, no dia em que completo 35 anos.

Depois de uma semana trabalhando em Bangkok, decidi celebrar meu ano novo sozinho, em silêncio. Estar nesse ambiente me faz pensar em muitas coisas, gostaria de compartilhar algumas com você.

1. O design está em crise. Assim como todas as outras práticas que estimulam o consumo. Precisamos desmaterializar nosso cotidiano. Temos que aprender a viver com menos matéria física. Pura questão de sobrevivência. Nossos bens serão cada vez mais virtuais, como nossas fotos e as músicas que ouviremos, livros que leremos, filmes que assistiremos. Tudo interligado em rede, no ciberespaço.

2. O design é uma disciplina fundamental. O mundo ficou enfim, pequeno. Gente demais, espaço de menos. Problemas de diferentes escalas, planeta ferrado. Se design é solucionar problemas, desenhar tais soluções através de estratégias de projetos inovadores deve salvar nossas vidas. Exemplos? Aplicativos que otimizam o trânsito nas metrópoles, tecidos biodegradáveis para uma moda sustentável,

edifícios que produzem energia para si e para os vizinhos, edifícios hortas para alimentar cidades superpopulosas.

3. ‘Slow life, slow design’. Silêncio, reflexão, calma. As melhores coisas precisam de tempo. Nossa geração frustrasse rápido demais, é ansiosa demais, desiste rápido demais. O bom projeto precisa de maturidade, de tentativas e erros. É preciso fazer experiências até se chegar ao melhor resultado. Nosso ambiente e nossas vidas poderiam ser tão melhores se lembrássemos disso.

4. Menos pretensão, mais pé no chão. Os interiores mais bonitos, os edifícios mais incríveis e as cidades mais bacanas que visitei até hoje foram aqueles que se pautaram pela simplicidade (não confundir com simplista). Foram os que não tentaram ser algo que não são, não fingiram. “Chique e sofisticado” é ser honesto, autêntico, verdadeiro. É fazer muito com muito pouco. Um edifício pode ser arrogante, uma cidade esnobe e um objeto mentiroso. Desses eu fujo, assim como devemos fugir de pessoas assim.

O design imita a vida? Ou a vida imita o design?

Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo em 30 de novembro por Guto Requena.

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BIENAL DE DESIGN: “VALORIZAR NOSSO TRAÇO” , POR FREDDY VAN CAMP

No segundo artigo da série sobre a 5a Bienal Brasileira de Design, programada para maio de 2015 em Florianópolis, um dos curadores, Freddy Van Camp*, defende o objetivo da mostra.

Freddy Van Camp, curador adjunto da Bienal de Design de 2015

“Temos designers e equipes inteiras sendo exportados para sedes de grandes empresas internacionais”, Freddy Van Camp.

Nos mais de 50 anos de história do design brasileiro, pouco temos feito em termos de sua institucionalização. Mesmo assim, ele é cada vez mais apreciado. Podemos chamar de uma estratégia informal a tentativa de torná-lo visível por meio de exposições. Com a próxima edição da Bienal Brasileira de Design, surge outra oportunidade de valorizar esse importante personagem da cultura e da economia nacionais, além de mostrar ao mundo um Brasil diferente dos estereótipos. Nos últimos anos de abertura de mercado e globalização, nosso desenho vem se destacando pela qualidade a despeito de ser quase ignorado pela classe dirigente. E fomos pioneiros na criação de mostras na área. Em 1968, realizamos no Rio de Janeiro a primeira bienal do mundo, que se repetiu em 1970 e 1972, passando pelas edições de 1990 e 1991 em Curitiba, até as mais recentes, de 2006, 2008, 2010 e 2012, em diversas capitais. Temos peças comentadas no Salão do Móvel de Milão há mais de uma década e inúmeras premiadas no alemão iF Design Award. Também fguramos como grande expositor em prêmios internacionais como o Idea, o Red Dot e o Cannes Lions. O resultado disso é ver produtos de toda sorte reconhecidos no exterior, de veículos a fontes tipográfcas. Por isso, a próxima bienal e seu tema, Design para Todos, são opor tu nidades de, fnalmente, convencer o empresariado e o público de que não se trata de diletantismo de privilegiados, mas de um fator de qualidade de vida e desenvolvimento econômico.

*O designer Freddy Van Camp será curador adjunto da bienal de 2015, na qual assina a exposição Memória: LBDI.

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O mineiro Domingos Tótora e o estúdio carioca EM2 Design assinam estes assentos, expostos na Bienal de 2012, em Belo Horizonte.

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Um dos ambientes da edição de 2010, realizada em Curitiba

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Cadeira-mesa Plisma

Matéria publicada na revista Casa Claudia em novembro de 2014 por Freddy Van Camp.

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