CORES FORTES NESTE APARTAMENTO DESTACAM VOLUME DO CONCRETO

Cores intensas entraram neste apartamento paulistano só para realçar os volumes de concreto, como a escultural mesa curva, que desenha a fronteira entre sala e cozinha.

A mesa de concreto (1 x 3,40 m, com 7 cm de espessura) tem um dos lados apoiado no pilar e o outro engastado na parede amarela. Acima do tampo, pendente Zig (la lampe). A luz quente da arandela (rK.03061, da Reka) valoriza a textura da superfície ao fundo.

A mesa de concreto (1 x 3,40 m, com 7 cm de espessura) tem um dos lados apoiado no pilar e o outro engastado na parede amarela. Acima do tampo, pendente Zig (la lampe). A luz quente da arandela (rK.03061, da Reka) valoriza a textura da superfície ao fundo.

O ambiente da TV, por onde se acessa a suíte, ocupou o espaço antes dedicado ao segundo quarto. Embora conectado à cozinha e às salas, garante certo clima de recolhimento quando o morador deseja relaxar ou assistir a suas séries preferidas. Cabideiro da Clami, almofadas do Empório Beraldin e bandeja da Benedixt.

O ambiente da TV, por onde se acessa a suíte, ocupou o espaço antes dedicado ao segundo quarto. Embora conectado à cozinha e às salas, garante certo clima de recolhimento quando o morador deseja relaxar ou assistir a suas séries preferidas. Cabideiro da Clami, almofadas do Empório Beraldin e bandeja da Benedixt.

Pitada neutra. Com o objetivo de reduzir os contrastes ao essencial, adotou-se uma tonalidade discreta no paredão da sala. A tinta acrílica acetinada cinza (Sherwin-Williams, ref. proper gray, SW 6003) se estende ao banco-aparador de concreto. Sob a peça, uma fita de led produz luminosidade branda. Extrema ousadia. A ideia do chão berinjela surgiu depois que o arquiteto viu a cartela de 16 cores do Tecnocimento (NS Brazil). Rodrigo morreu de amores pelo visual inédito da opção. Apesar de colorido, o revestimento – aplicado no contrapiso – preserva as nuances características dos cimentícios. banquetas de cortiça da vitra e tela da mônica filgueiras galeria.

Pitada neutra. Com o objetivo de reduzir os contrastes ao essencial, adotou-se uma tonalidade discreta no paredão da sala. A tinta acrílica acetinada cinza (Sherwin-Williams, ref. proper gray, SW 6003) se estende ao banco-aparador de concreto. Sob a peça, uma fita de led produz luminosidade branda. Extrema ousadia. A ideia do chão berinjela surgiu depois que o arquiteto viu a cartela de 16 cores do Tecnocimento (NS Brazil). Rodrigo morreu de amores pelo visual inédito da opção. Apesar de colorido, o revestimento – aplicado no contrapiso – preserva as nuances características dos cimentícios. banquetas de cortiça da vitra e tela da mônica filgueiras galeria.

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Forte impacto. Neste canto da cozinha, o matiz fechado faz dobradinha com o piso: a parede ganhou tinta epóxi roxa (Sherwin-Williams, ref. concord grape, SW 6559). Jogo bicolor. Como arremate da bancada, o armário (Marcenaria Nova Geração) recebeu laminado vinho (Formica). Note que a faixa preta se prolonga até o final do móvel e segue pela mesa de concreto (cuja espessura foi pintada de tinta acrílica fosca) para criar a sensação de continuidade.

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O vão dentro das caixas de alvenaria acomoda prateleiras de madeira, que expõem livros e outros objetos de Saulo.

Tingir chão e paredes de tons atrevidos, numa verdadeira epifania colorida, foi uma escolha absolutamente natural do arquiteto Rodrigo Ohtake, que os usou para avivar as intervenções neste antigo apartamento. A reforma tinha nobre missão: recolocar o imóvel à altura de seu autor – o prédio paulistano leva a assinatura do arquiteto Abrahão Sanovicz (1933-1999), famoso pelo ideário racional. Coube a Rodrigo traçar novos planos, linhas e volumes para recriar a morada sem trair seu espírito modernista. Só bancada, prateleiras, banco-aparador e uma parede conservaram o visual cru do cimento (entre eles, sem dúvida, a mesa de jantar arredondada é a grande protagonista).

Se, logo no início da transformação, o jovem profissional estava inclinado a apostar suas fichas numa paleta animada, o morador ficou um tanto reticente. A ousada incursão pelas cores só aconteceu porque Rodrigo teve o cuidado de, na primeira conversa, esmiuçar o universo de seu cliente até compreender que o projeto deveria aliar movimento a aconchego. “Precisei deixá-lo namorar o roxo durante algum tempo. Aí ele se convenceu de que era a opção certa para o piso”, lembra o arquiteto. De fato, não passava pelo imaginário de Saulo Triani, bastante reservado e pouco afeito a exageros, viver num lugar tão vibrante. O mix energético, no entanto, contribuiu para o bancário esquecer o gosto por cores claras e neutras. E ele capitulou diante das evidências: sim, é possível somar tonalidades fortes e, ainda, manter o equilíbrio visual. Juntos, roxo, amarelo, verde, cinza, preto e vinho cumprem lindamente sua função. “Selecionei a cartela a fm de enfatizar a arquitetura”, explica Rodrigo. “Quando olhei pela primeira vez, vi que a combinação não poderia ter sido outra”, avalia o morador. “Adoro ficar descalço em casa, e o berinjela produz a sensação de calor, de maciez.”

Sem barreiras, o tom se estende por toda a área social com o encargo de alongar a superfície, enquanto o amarelo ressalta o volume do lavabo. Nada mau para quem, inicialmente, queria cinza nas paredes e azul-marinho no chão.

Matéria publicada na revista Casa Claudia em 14 de Agosto de 2014

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PAINÉIS DE MADEIRA INTEGRAM E SEPARAM OS AMBIENTES DESTE APÊ DE 120 M²

Neste apartamento de 120 m², o arquiteto investiu em espaços versáteis, que se integram ou separam por meio de painéis de madeira.

O arquiteto desenhou os azulejos da cozinha (execução do Studio Emme-Due). Piso de cimento Mr. Cryl (Bricolagem Brasil), bancada de Silestone (Pedra de Esquina) e armários da Brinna.

O arquiteto desenhou os azulejos da cozinha (execução do Studio Emme-Due). Piso de cimento Mr. Cryl (Bricolagem Brasil), bancada de Silestone (Pedra de Esquina) e armários da Brinna.

Ripas de cumaru, peroba-rosa e sucupira compõem as portas articuladas que desvendam a cozinha.

Ripas de cumaru, peroba-rosa e sucupira compõem as portas articuladas que desvendam a cozinha.

“Queria uma cozinha aberta, que eu pudesse esconder quando estivesse bagunçada. O painel articulado surgiu nos rabiscos iniciais.” Fabio Bruschini.

“Queria uma cozinha aberta, que eu pudesse esconder quando estivesse bagunçada. O painel articulado surgiu nos rabiscos iniciais.” Fabio Bruschini.

Esta porta e o móvel-divisória, ambos laqueados de azul, formam o corredor pensado para isolar os quartos.

Esta porta e o móvel-divisória, ambos laqueados de azul, formam o corredor pensado para isolar os quartos.

Na sala de jantar, um encontro perfeito: o pendente Tatou S, de Patricia Urquiola, casa com as cadeiras Viento, da A Lot Of. Os cubos da estante (Marcenaria Araucária) são de sucupira. Aparador Malibu, da Desmobilia.

Na sala de jantar, um encontro perfeito: o pendente Tatou S, de Patricia Urquiola, casa com as cadeiras Viento, da A Lot Of. Os cubos da estante (Marcenaria Araucária) são de sucupira. Aparador Malibu, da Desmobilia.

Todo mundo tem um xodó em casa. O de Fabio é a cadeira antiguinha vinda da casa dos pais e da qual não desgruda. Seja para relaxar, seja para checar os e-mails.

Todo mundo tem um xodó em casa. O de Fabio é a cadeira antiguinha vinda da casa dos pais e da qual não desgruda. Seja para relaxar, seja para checar os e-mails.

Quem conhece a al. Gabriel Monteiro da Silva como o corredor das grifes de decoração em São Paulo talvez não imagine que muita gente sonha em morar ali, num dos raros predinhos residenciais que existem entre as lojas de design. O arquiteto Fabio Bruschini e sua mulher, a jornalista Adriana Nazarian, deram sorte, pois uma amiga corretora os levou a uma dessas preciosidades. “Foi o primeiro apartamento que vimos. E a paixão bateu”, diz Fabio. Logo após a visita, ele já começou a desenhar soluções para a planta. “Mesmo sem ter fechado negócio”, afirma. É dica de profissional: antes de assinar o cheque, vale imaginar o que pode ser feito na nova morada para deixá-la com a sua cara. “Queria uma cozinha aberta, que eu pudesse esconder quando estivesse bagunçada. O painel articulado surgiu nos rabiscos iniciais.” A estante azul, responsável por disfarçar as portas dos quartos, veio em seguida, a tempo de bater o martelo na compra.

A bicicleta fica no hall de entrada, ampliado depois que Fabio fechou a porta que havia no local e dava para a cozinha. Com isso, foi possível criar um cantinho para ler ou tomar drinques. Mas o que a bike está mesmo fazendo ali? Ela simboliza um dos principais objetivos do casal quando decidiu sair do bairro do Butantã, onde vivia num prédio assinado pelo arquiteto Ruy Ohtake. “Queríamos resolver tudo sem carro, inclusive ir ao trabalho. No máximo, pedalar”, explica o morador. Além disso, eles desejavam um apartamento maior (o anterior tinha 80 m²) e com ares de casa. A sorte foi generosa novamente: ganharam uma varanda em que basta esticar a mão para apanhar manga do pé. Na reforma, tudo se encaixou. Fabio roubou área do quarto para o closet de Adriana. De um banheiro enorme, fez dois jeitosos e outras mexidas mais. Coisa de gente que sabe o que quer e como fazer para chegar lá.

Matéria publicada na revista Casa Claudia em 01 de Agosto de 2014

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AÇÃO RECOLHE E RESTAURA MÓVEIS DESCARTADOS IRREGULARMENTE NAS RUAS DE SÃO PAULO

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Quando você decide comprar um sofá, armário ou qualquer outro móvel, é preciso ter em mente que aquele objeto se tornará sua responsabilidade do momento que você o adquire até o instante que não o quer mais em casa. Portanto, quando chega a hora de descartar algo velho, é preciso fazer isso de maneira sensata, correta e consciente e de forma alguma, deve simplesmente jogá-lo na rua da cidade em que vive.

Para promover a reflexão sobre descarte consciente de mobiliário, sustentabilidade, compreensão do design e limpeza da cidade, a ação “O Design que transforma”, promovido pelo Shopping Lar Center durante a 3ª edição do DW! – São Paulo Design Weekend, recolheu móveis descartados de forma irregular nas ruas da Zona Norte de São Paulo e o material foi restaurado pelo arquiteto e designer Fabio Galeazzo.

Os móveis reformados e criados a partir do que foi recolhido estão expostos no shopping até o dia 31 de agosto. Após esta data, as peças produzidas serão doadas a instituições sociais da Zona Norte de São Paulo.

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Matéria publicada no site Catraca Livre em 20 de Agosto de 2014 por Adriana Mattos

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BRASILEIRO REJEITA PENCHA DE ESBANJADOR

Vinte e cinco por cento dos brasileiros se sentem ofendidos ou preocupados quando são descritos por outros como consumistas, pois entendem a classificação de forma pejorativa, como sinônimo de esbanjador. Em outras partes do mundo, a taxa média cai pela metade, para 12%. Apenas um entre dez se sente satisfeito ou orgulhoso por ser visto desta forma, contra a média de 24% em outros países.

As considerações fazem parte de pesquisa realizada em 11 países com 10 mil pessoas pela agência de propaganda WMcCann, intitulada “Truth about Shopping” (A verdade sobre as compras), antecipada ao Valor.

Além disso, 89% dos brasileiros dizem que as pessoas no país estão mais materialistas do que dez anos atrás, buscando satisfação por meio da aquisição de bens. Mas quando questionadas sobre si mesmas, as pessoas se defendem: 68% afirmam que não se veem como compradores compulsivos ou apenas com interesses materiais.

Portanto, ele não se vê, socialmente, como um consumista, porque entende que atende a um desejo de compra reprimido e, logo, justificável. Não pode, por isso, ser visto como um “gastador”, segundo interpretação de especialistas que estudam psicologia do consumo. Foram analisadas na pesquisa diferentes classes sociais em todas as regiões do país.

“Há uma diferença entre atitude e comportamento. A atitude é a forma como a pessoa é vista e o comportamento é a repetição dos atos, que definem a personalidade”, diz Nelson Barrizzelli, professor doutor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP. “O consumidor se comporta de uma forma e se vê perante os outros de outra. As pessoas creem que não esbanjam, só gastam quando tem dinheiro e se passam da conta, soa o alarme e precisam se reorganizar. A maioria não se vê como perdulária.”

“É difícil o brasileiro se assumir como alguém que gasta muito, mesmo entre aqueles que compram bem acima da média. Mas 86% dizem que está mais fácil gastar hoje do que há dez anos, pelo acesso maior ao crédito, contra média de 79% dos outros países. E 61% dos brasileiros afirmam que é impossível se desligar das compras hoje, versus 38% na média [do estudo]“, diz Luiz Marques, planejador da agência e responsável pela supervisão do estudo no país.

O relatório da WMcCann, criada da união de W/ e McCann em 2010, foi concluído neste ano. Foram entrevistadas mil pessoas no país. Participaram da análise também África do Sul, Chile, China, Emirados-Árabes, Espanha, EUA, França, Índia, Inglaterra e México.

Segundo Barrizzelli, mostrar uma postura mais responsável quanto aos gastos pode refletir o difícil ambiente econômico atual. A pesquisa no país foi feita entre outubro e novembro, após os protestos de 2013, que afetaram o humor da população. “Em anos de baixo crescimento, é difícil isso não ter influência na avaliação das pessoas”. Marques, entende que há um peso cultural forte nas análises. “Há uma questão de culpa e responsabilidade em relação ao dinheiro que interfere na forma como o brasileiro pensa.”

Ainda segundo o estudo, mais brasileiros (42%) do que consumidores de outros países (28%, em média) dizem que “lutam” para fechar uma compra com as melhores condições possíveis, de preço e prazo, por exemplo. Mas há uma taxa menor de consumidores locais abertos a aprender sobre novos produtos (24%), em comparação aos outros países (40%).

O estudo identificou ainda que 83% dos brasileiros se preocupam com a quantidade de informação que as lojas on-line têm sobre eles, mas 67% estariam dispostos a dividir os dados sem problemas, desde que isso os beneficiasse de alguma forma. “Para o brasileiro a privacidade pode ser negociada, desde que ele ganhe algo, como desconto ou informações de um lançamento exclusivo”.

Na média dos 11 países, uma taxa ligeiramente menor (65%) aceitaria negociar suas informações pessoais para ter algo em troca.

Segundo Marques, da WMcCann, 86% dizem que está mais fácil gastar hoje do que há dez anos, em parte pelo acesso ao crédito

Segundo Marques, da WMcCann, 86% dizem que está mais fácil gastar hoje do que há dez anos, em parte pelo acesso ao crédito

Matéria publicada no jornal Valor Econômico em 20 de Agosto de 2014 por Adriana Mattos

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ESCADA COM FUNÇÃO DE ARMÁRIO, PRATELEIRA E MESA

Escada, escrivaninha e armário se concentram nesta inteligente marcenaria. Realmente…muito louco!

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O módulo de cima compensa o inferior com seu desenho vazado e também vira estante. Armário: a base, encostada na parede, guarda arquivos. Repare na composição alternada de degraus, que, embora estreita, permite uma pisada confortável. Escrivaninha: pode-se trabalhar com o laptop aqui. Para a xícara de café, por que não um dos degraus?

Quem mora em apartamento pequeno vive em busca de soluções práticas e multiúso. Essa é a ideia da escada-escritório, criada pela designer Mieke Meijer e pelo arquiteto Roy Letterlé, ambos holandeses, para o estúdio-loja Just Haasnoot, na cidade de Wassenaar. Com 2,89 m de altura, é feita de madeira e aço, sendo que esse último lhe confere um ar industrial. “Trata-sede uma instalação dividida em três partes. Ela conecta os andares e ainda oferece espaço de trabalho e armazenamento”, diz Mieke. Os setores de baixo, entre pequenos armários e uma bancada, ficam só apoiados no chão. Já os degraus superiores pendem do último pavimento.

Matéria publicada na revista Arquitetura e Construção em 14 de Junho de 2014

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SÓ GANHA O JOGO QUEM ACOMPANHA O PLACAR

Sou gerente comercial de uma empresa que está melhorando a gestão com o estabelecimento de indicadores e metas. Agora precisamos estimular todos a perseguir os objetivos propostos. Gostaria de saber se é recomendável colocar os resultados do setor comercial num mural à vista de todos. Minha dúvida: expor aos funcionários as vendas diárias de meu setor não pode ser um problema? Anônimo

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Você já imaginou um jogo de futebol sem placar? Você vai ao jogo, vê um monte de gente correr para lá e para cá. Algumas vezes a bola entra na rede, as pessoas pulam para comemorar, mas não existe um registro do que aconteceu ali. Depois todo mundo volta para casa. Nada é medido. Você acha que haveria paixão pelo futebol? O placar de uma partida funciona com o mesmo principio da gestão à vista, algo que defendo como o ideal para todas as empresas. Tem a mesma função do painel de controle de um automóvel. Se você pegar um carro e não sabe quanto tem de gasolina nem se a velocidade está certa, não vai conseguir gerenciar o momento certo de abastecer, de acelerar ou frear. Algo vai dar errado em algum momento. Quem em sã consciência aceitaria voar num avião sem o painel de controle? Bem, gestão à vista vem para responder a questões como essas no universo das empresas.
Colocar dados à vista para todos ajuda a calibrar onde deve estar concentrado o esforço individual para que o resultado coletivo seja alcançado. No entanto, não basta escolher qualquer indicador e estampá-lo nas paredes da fábrica ou do escritório. Encontramos em certas empresas quadros de gestão à vista que só dão trabalho para quem executa e ninguém nunca lê. Por quê? Certamente porque apresentam os indicadores errados no local errado. Seria o mesmo que você estar num jogo de Flamengo e Corinthians e o placar mostrar o resultado de Fluminense e São Paulo. Os indicadores devem ser mostrados às pessoas certas e devem atender a uma necessidade de controle. Você não precisa abrir números de uma área para a outra. Mas cada um precisa saber sobre o jogo que está jogando.
Para divulgar o que é importante para as pessoas certas, é preciso pensar especificamente em determinadas áreas. Nas fábricas, em vez de haver gestão à vista em quadros grandes num só ponto da linha de produção, seria preciso haver quadros menores, colocados estrategicamente em posições onde o controle é necessário, seguindo as instruções do padrão técnico de processos. Esse padrão fornece, a cada etapa do processo, os indicadores com as metas a ser atingidas. No setor de vendas, é necessário que cada vendedor saiba de seu desempenho quando comparado ao de seus pares. Cada supervisor deve ter os próprios indicadores.
Certa empresa que conheço bem faz uma reunião diária matinal com todo o setor comercial. Cada vendedor recebe uma folha de papel com seus resultados anteriores e as metas do dia, da semana e do mês. O supervisor, que se reúne com seus dez vendedores todo dia, tem sobre sua mesa de reunião um quadro com os resultados da supervisão atualizado diariamente para que ele possa comentar com sua equipe. Finalmente, o gerente de vendas também tem seus indicadores para que possa comentar ao fim da reunião. Uma empresa sem gestão por indicadores e metas é como um barco à deriva.
gestaoavista_maio2014_2Tenho 23 anos e trabalho numa gestora de recursos de apenas um ano de vida com grande potencial. Mas minha vontade é gerir um negócio. Tenho a oportunidade de realizar cursos, dentro ou fora do país, como também de buscar emprego em grandes empresas que me dariam uma boa base. Qual é o melhor caminho para aprender a lidar com pessoas, metas, redução de custos e otimização do tempo? Anônimo

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A educação é uma riqueza que se adquire no dia a dia. Aprende-se um pouco diariamente, seja na escola, na família, com os amigos, seja no trabalho. É claro que saber método gerencial – como elaborar metas, estabelecer planos de ação e indicadores, criar padrões – é importante. Mas ter uma educação no sentido mais amplo, que lhe permita enxergar mais da vida, pode ser muito mais decisivo nesse momento para sua formação.
Em sua idade eu estaria mais interessado em acumular experiências de vida. Uma delas que pode ser muito importante é aproveitar para passar uma temporada num país avançado, como os Estados Unidos, para ter a oportunidade de conviver durante algum tempo com pessoas de outra cultura e com um modo de pensar diferente. No ambiente universitário americano estão as melhores cabeças do mundo. Num contexto assim, sua mente se educa quase por osmose. Hoje, a neurociência já demonstrou que nosso cérebro se altera ao longo da vida com o objetivo de se acomodar às situações a que estamos submetidos. Se você se expuser a um ambiente intelectualmente desafiador por determinado tempo, sofrerá influências positivas, que poderão marcá-lo para sempre.
Existe um tempo certo para cada coisa na vida. Espere a hora apropriada para passar pela experiência de aprender o método gerencial na prática. Aprender o método gerencial será decisivo em sua vida – e as empresas que o adotam com fervor têm sido recompensadas por isso.
Mas, acredite, a melhor maneira de aprender como se gerencia uma empresa é praticando. Isso você poderá fazer mais tarde.
Vicente Falconi é um dos mais renomados especialistas em gestão do Brasil e cofundador da consultoria FALCONI.

Matéria publicada na revista Exame em 11de Junho de 2014

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BELEZA QUE NASCE DA FUNÇÃO

Móveis se baseiam nos princípios Shaker

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“O que é prático é belo”, instituía como conceito primordial o estilo Shaker, iniciado no século 19 por membros da comunidade religiosa de mesmo nome. Tendo a funcionalidade como principal objetivo das construções, móveis e objetos que criavam, os artesãos shakers estabeleceram um novo paradigma para o design, em que a ornamentação deveria ser evitada. A estética seria consequência do bom desenho, e não uma meta do processo de criação.

Esse modo de pensar marcou definitivamente a história do design, e sua influência se mantém até os dias de hoje, como se observa na coleção de móveis do designer inglês Torsten Sherwood, inspirada nesses princípios. “O trabalho dos shakers era baseado na produção artesanal e no bom uso dos materiais. Dado que o feitio é tão importante para o design e para a arquitetura, eu acho admirável que eles tenham buscado o caminho da simplicidade e do bom-senso em tudo que produziram. E, como eles, espero mostrar que uma solução eficiente na técnica é eficiente na estética também”, diz Sherwood.

A coleção do designer, lançada no Salão Satélite durante a semana de design de Milão em abril deste ano, inclui três tipos de móveis: a cadeira Homage, a escrivaninha Banca e os banquinhos Pew e Throne. Em todas as peças se revela a simplicidade do desenho, mas com soluções inovadoras que privilegiam a ergonomia e a funcionalidade, além de explorar as possibilidades da madeira. “Os bancos são um bom exemplo disso: da junção das ripas nascem o assento em forma de V e uma estrutura bem forte. Embora tenham desenhos intricados, as peças são fáceis de produzir, por isso acredito que representem a essência do design, em que se combinam produção eficiente e toques poéticos”, finaliza o designer.

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Matéria publicada pelo portal Casa Vogue em 13 de Agosto de 2014 POR LUCILA VILLAÇA

 

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MENOS É MAIS NA COZINHA

Madeira e linhas retas criam ambiente clean

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Linhas simples e assertivas, materiais bem escolhidos e uma paleta de cores enxuta e bem pensada. Esses foram os elementos responsáveis por dar origem à cozinha acima, minimalista e com personalidade ao mesmo tempo. A começar pelo uso da madeira, visto no piso e na mesa. O material tem o poder de deixar qualquer espaço mais aconchegante. No fundo, os armários de linhas retas, quando fechados, eliminam qualquer vestígio de poluição visual, criando uma decoração absolutamente clean. E para temperar o espaço com um pouco de diversão, optou-se por cobrir todo o cômodo apenas com azul claro, preto e branco.

 

 

Matéria publicada pelo portal Casa Vogue em 18 de Agosto de 2014

 

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CASA MINIMALISTA EM TERRENO INCLINADO

Morada dribla lote íngreme e ganha luz natural

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Construir em terreno plano é fácil, mas uma casa na Espanha prova que um lote inclinado também pode ser prato cheio para a criatividade. A residência JC, em Sant Andreu de Llavaneres, acompanha os desníveis do terreno, criando belas vistas para os seus moradores.

Os arquitetos dividiram a casa de 300 m² em quatro blocos, distribuídos ao longo do desnível. Com exceção da garagem, cada bloco tem dois pisos. Os andares superiores, na altura da rua, acomodam quatro quartos e um jantar integrado à sala de estar. Os andares inferiores foram construídos na cota do jardim e da piscina. É ali que ficam os quartos de hóspedes e uma sala que reúne a família.

“Essa casa reflete as necessidades do ambiente”, explicam os arquitetos Pau Millet e Xavier Ramoneda, do Estúdio Mirag, responsável pelo projeto. “Nós realmente acreditamos em uma arquitetura sustentável que considera cada cliente e situação”, acrescentam.

Nos pontos de contato entre os blocos, os arquitetos criaram corredores e escadarias com janelas. Conseguiram, assim, uma bela vista do entorno e muita iluminação. As esquadrias de vidro são pretas e semi-afundadas, contrastando com a fachada da casa, pintada de branco.

Os interiores também são simples. Os arquitetos deixaram o concreto exposto no piso e na estrutura. O material também aparece no teto, onde é iluminado por lâmpadas embutidas na parede. Já o banheiro tem pastilhas de vidro feitas à mão. Uma seleção de móveis brancos, pretos, cinzas e marrons confirmam o tom de minimalismo.

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Matéria publicada pelo portal Casa Vougue em 13 de Agosto de 2014 Por Nilbberth Silva

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DESIGNERS DÃO VIDA NOVA À TERRACOTA

Coletivo italiano se une a artesãos em coleção

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A terracota é um material mais que tradicional entre as culturas do mediterrâneo. Foi como uma homenagem a esse elemento presente através de vasos ou potes em cada lar italiano que o coletivo FID – Federazione Italiana del Design – idealizou a coleção Terracota Everyday, exposta no Superstudio Piú, durante o Salão do Móvel de Milão 2014.

Cada um dos dez jovens designers do grupo foi desafiado a criar, em colaboração com artesãos locais, objetos simples que pudessem ser usados no dia a dia. Os participantes podiam adicionar qualquer outro material, desde que a terracota prevalecesse. O resultado não poderia ser diferente: peças triviais, mas com uma sofisticada simplicidade e uma beleza incontestável.

Mas quem vê a coleção pronta não imagina que, para chegar aos produtos finais, foi necessário um extenso aprendizado sobre o material. O encolhimento da terracotal ao secar, por exemplo, foi algo que os designers aprenderam a contornar apenas depois de muita troca de informação com os artesãos. Ao compartilhar conhecimento nada ruim pode resultar, ainda mais quando a tradição encontra a vanguarda para gerar design do bom.

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Matéria publicada pelo portal Casa Vougue em 10 de Agosto de 2014 Por Michell Lott

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