Whirlpool começa a testar Lava-Louças no Brasil

“Conquistar o brasileiro que fica atrás da pia com detergente e esponja nas mãos é um dos grandes desafios da Whirlpool, a maior fabricante do mundo de produtos como fogão e geladeira. As máquinas que lavam louça estão presentes em apenas 2% dos lares brasileiros, mas a empresa, que lidera o mercado de linha branca no Brasil com as marcas Brastemp e Consul, aposta queprodutos desenvolvidos em seu novo laboratório em Rio Claro, a 200 km de São Paulo, pode melhorar esse índice.

O plano da companhia é testar a qualidade e o design das máquinas e os resultados devem ajudar a criar ou aperfeiçoar produtos que impulsionem as vendas. Antes, os testes eram feitos em centros de pesquisa da Whirlpool nos Estados Unidos e na Europa.

“Muitas vezes o consumidor não consegue articular; ele não vai pedir para criar um botão com jato d’água, por exemplo”, diz Rogério Martins, vice-presidente de Desenvolvimento de Produtos da Whirlpool Latin America. Ideias inovadoras, observa o executivo, surgem “do conhecimento profundo” da necessidade do cliente. Daí a importância em desenvolver produtos perto de quem consome.

O novo laboratório é o 23º da Whirlpool no Brasil e foi incorporado à fábrica de Rio Claro, onde desde 1990 a empresa produz lavadoras de roupa. Além de engenheiros, o centro de pesquisas emprega profissionais graduados em diversas áreas, como matemáticos.

Já estão sendo desenvolvidas novas máquinas de lavar louça em Rio Claro, mas não há previsão de quando serão lançadas no varejo. Atualmente, esse tipo de equipamento da Whirlpool é fabricado em Manaus.

“Nem sempre nossas inovações são ‘high-tech’. São apenas necessárias”, diz Martins. Ele cita como exemplo um botão que solta jato d’água, elaborado para que uma família de pequeno porte possa acumular louça dentro da máquina durante o dia e lavar apenas à noite. “A pessoa coloca a louça do café da manhã, solta o jato d’água. Coloca a do almoço e só lava depois do jantar”.

O laboratório conta com várias salas de testes. Em uma, por exemplo, os pesquisadores medem o “nível de sujidade” de lavagem da máquina; em outra, os botões da lavadora ficam sendo pressionados por uma máquina, para calcular a vida útil do eletrodoméstico.

Para avaliar a lavagem, os pesquisadores sujam a louça com restos de comida – suco de carne moída, por exemplo – esquentam o prato em um forno e o colocam na máquina de lavar, que tem um sensor embutido. O sensor passa informações em tempo real para um banco de dados que computa quantidade, pressão e temperatura da água.

Os testes simulam condições de uso às vezes em situações extremas, como altas temperaturas ou sujeira seca, de vários dias. A avaliação leva em conta a salinidade da água e a marca de sabão, diferentes em cada país.

Lavadoras de pratos importadas Kitchen Aid, marca premium da Whirlpool, são adaptados antes de chegar ao mercado daqui. O painel, por exemplo, é refeito em português.

No laboratório de Rio Claro a empresa também testa produtos da concorrência, para analisar o desempenho dos aparelhos.

Os produtos fabricados no país abastecem Brasil e América Latina, sendo a Argentina o principal importador. Cada lugar tem suas especificidades, diz Martins. O Brasil, por exemplo consome mais ovos dos que os Estados Unidos, e portanto os testes de sujidade incluem mais restos de ovo. Para as máquinas da Argentina, os pesquisadores aumentam a quantidade de carne.

Matéria originalmente publicada no: Valor Econômico 22/02/2012

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Tempo de ser feliz em casa

Evoluímos a passos largos. A vida no século 21 tem tempo acelerado, distâncias encurtadas e relações pessoais transferidas para a esfera virtual. O curioso, porém, é que, quanto mais temos a sensação de nos aproximar do futuro, mais nossos desejos se voltam para valores cultivados no passado. Almejamos reunir os amigos para um gostoso bate-papo em torno do fogão, estar cercados de objetos que contam nossas histórias, viver em comunhão com a natureza. Anseios que encontram eco na casa, esse refúgio seguro, para onde retornamos todos os dias a fim de recarregar as energias. Nas paginas a seguir, você vai conhecer quatro tendências do morar para 2012, identificadas por especialistas no assunto e vivenciadas por gente antenada e que não tem medo de ser feliz. Inspire se nestes estilos e crie espaços afinados com o ritmo de vida atual.

HI-LO: Visual irreverente une o luxo ao despojado

Abreviatura da expressão inglesa high and low, “alto e baixo,” em português, esse conceito surgiu na moda para indicar o estilo de vestir de pessoas que misturam roupas luxuosas com artigos baratos. Na decoração, a tendência se traduz no uso de peças de design assinado combinadas a materiais comuns. É o caso deste apartamento em Curitiba, no qual piso de cimento, pilar de concreto e paredes de pínus convivem em harmonia com obras de arte e móveis sofisticados. “A base simples permitiu aos moradores investir em peças marcantes“, diz Guilherme Torres, autor do projeto.

Memórias: Decorar com itens que aquecem a alma

Na casa do artista plástico Renato Dib, móveis e objetos revelam histórias. “São peças herdadas de família, lembranças compradas em viagens e presentes de amigos. Acho importante poder me reconhecer em minha morada”, afirma. Esse jeito particular de arrumar a casa aponta uma forte tendência, garantem os especialistas. “Cada vez mais estabelecemos uma ligação de respeito com os objetos que contam nossa trajetória. Queremos resgatar o passado e imprimir a ele uma nova linguagem”, afirma Andrea Bisker, diretora para a América do sul dos portais de tendências WGSN e HBL.

Espaços abertos: Favorecem a convivência

Os cômodos estão cada vez mais flexíveis, propondo novas configurações para a casa. “Os ambientes de múltiplas funções refletem a falta de espaço nas residências atuais, mas também evidencias o desejo de convívio entre os moradores”, diz o belga Gert Van de Keuken, diretor da agência de tendências Studio Edelkoort. Neste apartamento , a cozinha se abre para as áreas de jantar e estar e oferece assentos para uma boa conversa. “A vida em casa hoje esta mais voltada para as áreas de convívio”, considera Pedro Amando de Barros, do escritório Apiacás Arquitetos, que assina o projeto.

Spa em casa: Momento de refletir e desacelerar

Queremos desconectar, alcançar o equilíbrio, pacificar. E, nessa busca intensa pelo bem estar, equipamos a casa com pequenos luxos: de um chuveiro que massageia as costas a verdadeiros spas se reflete no vestuário e nos ambientes”, afirma Sabina Deweik, diretora no Brasil do Future Concept Lab, instituto de pesquisa com sede em Milão,Itália. Neste espaço, projetado pelaa arquiteta Regina Adorno em uma casa de São Paulo, o conforto reina absoluto e faz a alegria do casal e de seus netos nos fins de semana.

Matéria originalmente publicada no: Casa Claudia dezembro 2011

 

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Duratex investe

A Duratex prevê investimentos adicionais de cerca de R$ 650 milhões em 2012. Os aportes serão direcionados para concluir as obras civis e a montagem dos equipamentos da nova linha de MDF em implantação na unidade de Itapetininga (SP). Essa linha tem começará a operar no início do próximo ano e terá capacidade anual de 520 mil metros cúbicos.

Os recursos irão também para plantio de árvores e para manter a base florestal que a empresa já possui. A Duratex vai destinar aportes ainda para finalizar e inaugurar a nova unidade de louças sanitárias em Queimados (RJ) no segundo semestre.

Em relatório, a empresa informa que dará continuidade ao seu plano de expansão da capacidade produtiva mesmo com os desafios em função “dos possíveis desdobramentos da grave crise de liquidez existente nos países do bloco europeu”. No ano passado, os investimentos somaram R$ 635,8 milhões.

Matéria originalmente publicada no: Valor Econômico 17/02/2012

 

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O eterno desejo de exclusividade

Luís XIV, o Rei Sol, decidiu no fim do século XVII que a França seria a capital da elegância e da sofisticação. O ministro das Finanças Jean-Baptiste Colbert foi seu braço direito na empreitada que a historiadora americana Joan DeJean classifica como a “primeira grande operação de marketing da história em escala nacional”.

O rei emprestou dinheiro para tornar viável o surgimento de fabricantes de plumas e seda e de novas categorias de artesãos, como as rendeiras, os sapateiros, bordadeiros, joalheiros. O “savoir-faire” do luxo francês foi forjado de uma vontade real.

A França não manda mais sozinha nessa seara, mas os séculos não arrefeceram o desejo de uma elite mundial por exclusividade. Não necessariamente por uma questão de status. Um vestido de alta-costura é hoje mais que um título da nobreza. A distinção pode ser entendida pela busca de identidade. “Há uma sensibilidade para o feito à mão, para o artesanal como uma expressão do individualismo”, afirma o sociólogo Dario Caldas, pesquisador de tendências e diretor do Observatório de Sinais.

Para o grupo dos privilegiados que viu seus símbolos serem apropriados por consumidores na feira livre do “fast-fashion”, o momento é de reação. “Esses magazines sapatearam sobre a ideia de exclusividade nas parcerias que fizeram com os criadores de moda. É natural que presenciemos uma certa elitização do mercado”, diz Caldas.

O desejo de ter algo feito unicamente para si é o que se traduz como “sentimento de alta-costura”. Mas o que mais chama a atenção nesse recente fôlego das “maisons” e ateliês é o interesse da juventude por essas peças sob medida. São as “novas-ricas novas” que decidiram ilustrar o “closet” com itens assinados e exclusivos. Na década de 1960, os jovens impuseram novos códigos sociais e a moda deixou de ser um privilégio da elite. Música e roupas eram seus signos de distinção, mas a bandeira era democrática. Já então se dizia que a alta-costura estava numa contagem regressiva, presa na mofolândia de madames desconectadas com o tempo e o espaço que morreriam junto com a técnica de “moulage”.

Mas, pressionada por clientes abandonados ao senso comum do século XXI, a alta-costura tenta se tornar contemporânea, com mais apelo e fácil de ser digerida. “A ‘haute couture’ estava presa na camisa de força dos conceitos, isolada e inacessível. Mas criou canais de comunicação com membros da nova geração”, diz Caldas.

Ser uma It Girl, categoria das moças reconhecidas por seu estilo único, exige hoje muito mais recursos e empenho do que há um ano, um mês ou um dia. O blogs de moda publicam exaustivamente fotos de como as pessoas se vestiram para este ou aquele evento. É a blitz da exclusividade. Por mais que as europeias – as “novas-pobres” – repitam roupa sem constrangimento, as novas-ricas emergentes não consideram essa hipótese, em especial em momentos glamourosos.

E reviver o glamour é um dos apelos da alta-costura. Menos pelo viés nostálgico do que pela negação da moda fugaz, sem compromisso ou emoção. É uma experiência que reduz as carências da alma passar por oito provas de roupas, sentindo os tecidos mais sedutores ao toque tomarem a forma do corpo enquanto costureiras se tornam quase melhores amigas por moldar a seda à cintura.

“Essa extrema atenção a si mesmo é a expressão de um elevado grau de civilidade, e as civilizações são frágeis”, escreve Marie-Dominique Lelièvre, em “Saint Laurent, a Arte da Elegância”. Ao fim dessa aventura de fazer barras, ajustes e recolher alfinetes, a nova cliente da alta-costura já pode ser um “post”.

É evidente que há diversos caminhos para alcançar essa exclusividade. “As pessoas estão encontrando outras formas de ser únicas: desenvolvendo talentos, criando aventuras, escolhendo atitudes, cultivando saberes”, diz um “paper” da Trendroom, empresa brasileira de pesquisas de tendências que representa aqui o escritório britânico Trendwatching.

A abundância de escolhas, seja de informação, roupas, produtos tecnológicos criou uma expectativa de controle e o consumidor quer se apropriar e moldar o que está ao redor, sejam os projetos de vida ou a moda. “Muitos desejam produtos e serviços exclusivos. Outros estão interessados em ser exclusivos pela forma de viver, independentemente dos acessórios que carregam”, avalia a Trendroom.

Dá para ser exclusivo saltando de paraquedas, apadrinhando artistas, mantendo uma ONG ou estudando Shakespeare. Só é mais difícil tornar-se um “post”.

Matéria originalmente publicada no: textileindustry 19/02/2012

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“Alta-costura não é para os emergentes”

Amiga de Givenchy, Valentino e Yves Saint Laurent, a socialite carioca Carmen Mayrink Veiga se vestiu na alta-costura europeia durante 40 anos. De seu acervo 90 vestidos foram doados para o Instituto Zuzu Angel, 30 ou 40 estão no guarda-roupa da filha e cerca de 50 permanecem em seu armário. “Visto todos, claro. Adoro terno, que uso com sapatinhos ‘ballerina’ da Chanel e do Moschino, um mais bonito que o outro. Devo ter uns oito smokings do Saint Laurent”, conta, feliz com a oportunidade de dividir suas noções de moda.

Ainda garota, Carmen começou a frequentar ateliês de alta-costura. Lembra da antiga Casa Vogue, em São Paulo, e da Canadá, no Rio, onde tudo vinha da Europa. Na alta moda brasileira, cita Guilherme Guimarães e Lino Villaventura, com os quais se veste sem nunca experimentar uma roupa. “Eles têm minha ‘taille’ [medidas], compro por fax, espero as amostras e fica impecável sem uma prova. O Lino tem vestidos maravilhosos, mas não é uma roupa atemporal como a do Guilherme.”

Um pouco desnorteada com o atual consumismo, a ex-locomotiva social, já apontada entre as mais bem-vestidas do Brasil, foi educada para comprar roupas para “uma vida inteira”. Por isso, lamenta que hoje as pessoas não saibam que elegante é repetir. “Tenho um vestido do Saint Laurent que usei em Londres, Viena, Paris, Nova York, no Rio. Saint Laurent nos dizia que, na véspera de usar um vestido enviesado, ele devia ser usado em casa para tomar a forma do corpo. O vestido era tão bem talhado que a gente vestia um ‘collant’ e mais nada.”

Acha absurda a mania das pessoas de comprarem algo para cada festinha, cada casamento – “só a noiva precisa disso” -, e diz que gastar em roupa é coisa para quem foi criado assim. “Os emergentes não entendem nada, a alta-costura não é para eles. Há vestidos de alta-costura que custam o preço de um carro espetacular, mas não dão o mesmo status.”

Carmen acredita que o mundo não comporta mais a alta-costura. No passado, recorda, ela e as amigas tinham uma arrumadeira só para cuidar da roupa. “Onde você vai conseguir uma arrumadeira que saiba a diferença entre passar um vestido de cetim e um de ‘mousseline’?” pergunta. “Não existe mais isso. Elas não conhecem nem tecido.”

Carmen só sabia o preço das roupas na hora de pagar e sempre chorou por descontos. Qual é o vestido mais caro que já comprou? “Ah, você me fez uma pergunta que não sei responder.” Longe das festas por questões de saúde, ela tem um súbito momento saudosista. “Se ainda existissem aquelas festas dos anos 1980, que acabaram depois dos 90, confesso que teria coragem de pagar US$ 100 mil, que é o que dizem que custam esses vestidos.” (MPT)

 Matéria originalmente Publicada na: textileindustry 17/02/2012

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É possível inovar sem gastar dinheiro

Recentemente estive na França para dar uma palestra e assisti ao vice-presidente da empresa fazer um apelo a seus funcionários por inovação e empreendedorismo para enfrentar a crise. Pelas perguntas que se seguiram, notei que o pessoal não havia entendido sua mensagem. Um deles perguntou, por exemplo, quanto a empresa estaria disposta a investir em dinheiro para se tornar mais inovadora. Na sequência, quando iniciei minha palestra, decidi reforçar a mensagem do vice-presidente ao deixar claro que inovar depende muito mais de atitude do que apenas de recursos financeiros. Inovar com sucesso não é necessariamente sair por aí com um sem-número de produtos inéditos.

Inovar é questionar sempre, tanto produtos como processos de uma empresa. É preciso repensá-los sempre de acordo com as necessidades de seus clientes internos ou externos. Você deverá descobrir que muitos produtos têm características que os clientes nem sentem falta e podem ser eliminadas – e, nesse caso, será possível produzi-los com custos menores. É claro que esse esforço eventualmente resulta no lançamento de um novo produto. Antes disso, a análise quase sempre aponta excessos muitas vezes facilmente extintos.

Já trabalhei muitas vezes com a revisão de processos em áreas administrativas e industriais e não é raro encontrar certos tipos de informação necessários no passado, mas que deixaram de ser úteis há muito tempo. Certa ocasião, numa ex-estatal, encontramos alguns relatórios exigidos pelo governo que não eram mais necessários há vários anos. Sem a obrigação de produzi-los, a empresa ganhou tempo e dinheiro.

Isso já é inovação. Após essa etapa, você poderá se voltar para o processo e adaptá-lo ao novo projeto do produto, incluindo novas matérias-primas ou novo designo. Deveríamos fazer isso sempre criando um clima de renovação constante. O mundo muda em torno de nós e temos de nos adaptar. O empreendedorismo é a atitude de iniciar ações, novos projetos, assumir riscos. É uma postura que se pode ter dentro da empresa ou mesmo na vida pessoal.

Repare que nas famílias sempre existem as pessoas que organizam passeios, viagens, e outras que só aproveitam ou criticam. É uma atitude. Não devemos ter medo do desconhecido, de tomar iniciativas, de ser criticado. A sociedade gira em torno de empreendimentos iniciados por quem não tem medo da vida. O mesmo vale para o sucesso das empresas.

Incentivar todo o pessoal a dar ideias de inovação. Como fazer algo bem-sucedido neste sentido?

Você tem aí dois desafios: desenvolver novos produtos e ganhar a participação voluntária das pessoas. Muita gente fala hoje sobre maneiras mirabolantes de inovar, mas muitas vezes esquece que já existem técnicas poderosas e tradicionais para conjugar as necessidades do consumidor com os produtos e os processos da organização.

O primeiro passo é ter certeza de que todos sabem em qual direção a companhia quer inovar. Se for para aumentar as vendas e criar novos produtos (seja mercadorias, seja serviços), não custa lembrar que eles devem ser feitos para satisfazer as necessidades dos clientes. O termômetro mais preciso dessas necessidades está – ou, pelo menos, deveria estar – entre os profissionais que trabalham nas áreas de marketing e vendas (e – quando é o caso – assistência técnica). Afinal, eles estão mais perto dos clientes e dos concorrentes.

A inovação nos produtos também poderá surgir da área de design, ou de engenharia de produto, pela análise de valor e introdução de novos materiais e novas tecnologias. Depois que o novo produto é definido, é preciso estabelecer um processo para sua produção e venda. Para construir essa etapa, podem surgir contribuições do pessoal operacional.

Quanto ao desafio de ganhar a participação voluntária dos funcionários, não acredito que possa haver sugestões espontâneas nesse caso. Pela minha experiência, programas de sugestões com premiação de ideias não funcionam muito nesse caso, porque, em geral, se perde o foco naquilo que se deseja inovar. A menos que se especifiquem detalhadamente os pontos do produto ou do processo em que novas ideias são necessárias.

Acredito em sessões de brainstorming, sobre pontos específicos do processo. Existem muitas maneiras de fazer uma sessão assim – uma delas é colocar o problema, pedir a cada participante que escreva sua ideia num papel e depois, com a ajuda de um orientador, iniciar um debate de forma estruturada. Gosto do uso do diagrama de árvore – que mostra a estrutura do tema em discussão e evita que o debate não chegue a lugar algum.

Finalmente, a contribuição espontânea e dedicada de todas as pessoas acontece quando todos os funcionários, do operador ao presidente, sentem-se parte do time, fazem o que gostam e são reconhecidos por seu trabalho. A gestão de gente nas empresas brasileiras, pelo que tenho visto, ainda deve caminhar muito nesse sentidos.

Matéria originalmente publicada na: REVISTA EXAME 22/02/2012

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Grife issa cresce com brasilidade de Daniella Helayel

Ninguém duvida do poder de um bom vestido, muito menos Kate Middleton, cujo estilo é frequentemente citado como uma razão pela qual ela, uma plebeia, tornou-se uma princesa. Middleton pode agora ser famosa por seu vestido de noiva tipicamente inglês, mas antes de seu príncipe pedir sua mão em casamento, a grife que ela mais usava para seduzi-lo era a Issa.

Conhecida por matizes brilhantes e silhuetas justas, com seguidoras como Middleton, Madonna, Scarlet Johansson e Eva Mendes, a Issa é um sucesso com sede em Londres, mas a mulher por trás da marca, Daniella Helayel, é 100% brasileira.

“A moda brasileira é bem despojada”, diz ela, explicando a popularidade. “Lá é verão o ano todo, por isso as estampas, as cores, a felicidade! Roupas sexy.”

Para ajudar a capitalizar o momento da Issa, a herdeira do grupo Harrods, Camilla Al Fayed, acabou de assumir o posto de presidente do conselho. Ela e a estilista planejam expandir a marca para crianças, moda de praia, cama, mesa e banho, com a abertura da primeira loja da Issa em São Paulo marcada para novembro.

Helayel estudou Direito, mas desistiu de seguir a carreira. A moda tinha mais a ver com ela, diz Helayel, que, depois de se mudar para Nova York, trabalhou com o envio de encomendas para a reposição de estoques de amigos varejistas no Brasil. Ao se mudar novamente para Londres, “porque estava entediada e queria abrir meu próprio negócio”, Helayel criou a Issa, motivada pela frustração da falta de “roupas adequadas para pessoas normais e que tornassem a vida das pessoas mais fácil.”

Chelsea, o bairro próximo ao rio Tâmisa onde Helayel mora com seus dois cachorros, Monster e Snowball, não é exatamente o Rio de Janeiro, mas “o Brasil é minha herança, meu passado e meu sangue. Está presente em todas as coleções da Issa”. Quando a saudade aperta, Helayel pode sempre colocar um vestido. Eis alguns tópicos extraídos de uma recente entrevista da empresária para o The Wall Street Journal.

Crescer no Rio, rodeada pela natureza e por cores desde pequena, me deu uma forte noção de formas, estampas e texturas. As mulheres brasileiras adoram vestir-se bem e sentir-se atraentes, e isso teve um grande impacto em minhas criações.

Eu me inspiro em mulheres curvilíneas, com bumbum e seios, como Marlyn Monroe. Elas são tão voluptuosas e bonitas. Gosto de mulheres que estão vivas!

 

Sei vestir roupas mais do que fabricá-las, por isso me cerquei de pessoas que têm as habilidades certas. Antes de encontrar meu modelista, Leslie Poole, sempre estava em busca da forma perfeita. Ele costumava fazer os moldes para a Ossie Clark e, depois que entrou para o grupo, as formas se destacaram. Ele é o segredo por trás dos vestidos Issa. Poderia viver minha vida toda em festas e de férias.

A Issa começou pequena e o crescimento sempre foi controlado. São nos meus amigos que penso quando estou criando, não em celebridades, e já dei vários vestidos para mulheres que eu queria ver usando-os. Depois vieram os compradores, depois as celebridades. A imprensa foi a última a conhecer a marca. Mas ainda fico nervosa e agitada em todas as estações, e esse entusiasmo e medo nunca vão passar.

Adoro estar em Londres e sempre tento manter minha mente e olhos abertos — não quero perder nada. As mulheres, a arquitetura, os parques, as lojas, os restaurantes.

Não sou de viajar apenas para conseguir inspiração. Em vez disso, observamos muito os mercados de roupas de época e lojas aqui em Londres. Lugares como Angels, a loja de aluguel de roupas, que tem um coleção grande.

Adoro nadar no mar, indo bem longe, apenas eu e a água. É como meditar, mas melhor. Sempre vou à praia quando estou no Rio.

Meu maior desafio na carreira até agora tem sido fazer o público e a indústria da moda verem que não sou uma estilista de um vestido só. Mesmo agora, ainda não consigo achar muitas coisas que quero comprar e ainda não consigo fabricar muitas coisas que quero vestir, então isso é o que me mantém em movimento!

O melhor conselho que recebi até agora foi o de não ter medo de sonhar. Se você não sonha, você não recebe.

O vestido perfeito tem o poder de mudar totalmente o seu humor. Mas antes ele precisa ser confortável. Se você não está confortável, não tem como ser você mesma. Segundo, o vestido precisa esconder imperfeições e destacar o que você tem de bom: reduzir sua cintura, desafiar a gravidade, levantar os seios. Na minha opinião, isso é o que faz um vestido poderoso — o melhor amigo da mulher e a maior arma. O vestido certo pode dar a impressão de que as coisas estão facilmente ao seu alcance.

Matéria originalmente publicada no: wsj.com 12/02/2012

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Novas influências da moda vêm de estilistas jovens

Nos bastidores da Semana da Moda de Nova York, um grupo de jovens estilistas de grifes menores estão surgindo como influenciadores, exercendo um impacto desproporcional sobre as roupas que serão usadas ao longo do próximo ano.

As cores e cortes de tecido que eles escolhem — e a maneira como montam as peças que criam — provavelmente vão se espalhar para outras marcas, ou ser imitadas nos blogues e nas ruas. Suno, o responsável pela atual tendência de mistura de estampas, está deixando de lado suas origens de mesclas e exagero. Thakoon Panichgul, que liderou a tendência tribal, diz que agora está se inclinando para a elegância nova-iorquina “clichê”. Os calçados masculinos estão recebendo um impulso sutil, mas cheio de criatividade, de George Esquivel.

Cada estilista cria suas coleções com base em uma determinada inspiração — e uma visão de quem seria seu cliente ideal. Tommy Hilfiger diz que nesta temporada vai partir para o visual “colegial-militar” e a vida esportiva, enquanto Rebecca Taylor, líder da moda para garotas urbanas, promete uma coleção com “leggings” de couro por baixo de vestidos e saias.

Tudo isso está entre as mais de 200 coleções que serão exibidas nas passarelas de Nova York até o dia 14 de fevereiro. Uma quantidade ainda maior de roupas e acessórios será mostrada em salões e vitrines espalhados pela cidade. Em seguida, as coleções 2012 para o outono do hemisfério norte passarão para Londres, Milão e por fim Paris, onde os grandes nomes da indústria do luxo exibem suas criações.

Panichgul, que surgiu como o rei das misturas surpreendentes, deve mostrar sua coleção domingo à tarde. Os estilistas raramente admitem terem sido influenciados por concorrentes atuais, talvez porque a linha divisória entre inspiração e imitação seja muito fina. Mas depois que Panichgul misturou rococó ao estilo Versalhes com o visual da tribo africana Masai para o outono de 2011, uma série de estilistas, incluindo Michael Kors e Donna Karan, partiram para o look tribal na temporada seguinte. Para esta primavera, Panichgul misturou cortes tipo “cowgirl” com motivos da Índia.

Para o outono de 2012 ele planeja uma coleção nostálgica, inspirada na “elegância nova-iorquina clássica”. Panichgul desenhou a coleção enquanto cuidava de uma fratura no tornozelo e talvez apareça na passarela de muletas.

Prabal Gurung, que explodiu no cenário da moda com seus vestidos estampados e de cores vivas, está dando outro passo ao relançar a etiqueta japonesa ICB com um desfile apenas on-line, além de apresentar na passarela o desfile da sua própria grife.

Os sapatos do estilista britânico Nicholas Kirkwood vão aparecer no desfile principal da coleção “Prabal Gurung” e também na passarela de Suno. Para a sua própria linha, Kirkwood vai continuar a brincar com a plataforma invertida — uma moda que as clientes aplaudiram e ao mesmo tempo o odiaram por ter criado. Agora esse visual se difundiu de tal maneira que ficou difícil encontrar uma coleção de sapatos sem os Kirkwood.

Os sapatos masculinos bizarros de Esquivel, tais como botas descoloridas e solas de cores vivas, ajudaram a introduzir um visual mais estiloso no mundo tão sério dos calçados de couro para homens. Seu sapato sela, com a sela pintada e não costurada, é uma interpretação artística de um modelo clássico.

Erin Beatty e Max Osterweis, da grife Suno, abriram o caminho com alguns dos desenhos mais antecipados desta temporada. Eles combinaram estampas antes impossíveis de misturar, como bolinhas por cima de listras e xadrez. Agora, eles já estão em outra fase. “Não vai haver muita mistura de estampas”, disse Beatty, falando da coleção alegre e infantil, mas um tanto “dark”, que será mostrada hoje.

A Semana da Moda de Nova York está dando sinais de um certo renascimento econômico, como várias coleções chegando às passarelas pela primeira vez. As criadoras da Juicy Couture, Pamela Skaist-Levy e Gela Nash-Taylor, vão apresentar sua nova grife, a Skaist-Taylor. Elas a definem como uma versão atualizada do seu estilo pessoal, agora que já superaram (e venderam) a marca Juicy. “É a roupa que nós mesmas queremos usar”, diz Skaist-Levy.

Alguns estilistas, é claro, vêm influenciando a moda há décadas. Norma Kamali foi pioneira do casaco tipo “saco de dormir” em meados dos anos 1970, inspirando legiões de casacos bufantes que se seguiram. Ela voltou a sacudir o mundo da moda com uma coleção para a rede de varejo popular Wal-Mart na década de 2000.

Nesta temporada, Kamali está lançando uma coleção que ela chama de KamaliKulture. São os mesmos clássicos que ela criou para a Wal-Mart, mas os modelos são vendidos em sites de varejo como a Amazon e sua própria loja on-line. Todos os modelos terão preço abaixo de US$ 100.

Matéria originalmente publicada no: wsj.com 09/02/2012

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Falta até marceneiro para as lojas de luxo

Alguém poderia imaginar que certas marcas de luxo têm como norma propiciar a mesma sensação térmica aos clientes em todas as lojas ao redor do mundo? Esse e outros detalhes, que escapam à maioria dos consumidores, fazem parte do complicado processo de chegada das grandes grifes ao Brasil. Em algumas lojas, o custo do metro quadrado na decoração de interiores pode chegar a US$ 25 mil. O preço inclui minúcias de marcenaria, metais com banho de ouro rosado e até camurças escovadas sempre no mesmo sentido. “Cada marca tem um padrão internacional e, com base nele, nós fazemos todo o interior: das paredes aos sofás. Há abertura para as adaptações locais, mas todos os detalhes são extremamente controlados”, explica a arquiteta Patricia Martinez, que tem clientes como Gucci, Bottega Veneta e Tiffany. A “cor local” da Tiffany que abriu em Brasília, por exemplo, foi dada por lustres e arandelas arrematados no leilão das peças do antigo hotel Cad’oro, de São Paulo. O contra-senso é que essas grandes grifes, que chegam dispostas a utilizar produção nacional no desenvolvimento das lojas, não encontram prestadores de serviço nem preços à altura. Há dificuldades das mais simples: de marceneiros capacitados a construtoras com funcionários que falem inglês razoavelmente para participar de videoconferências internacionais. Ao discorrer sobre a situação, a arquiteta faz uma analogia sobre a maneira como a conjuntura econômica do país se reflete no dia a dia do escritório. “A gente tem um banquete servido na mesa e não sabe comer. Pela falta de talheres, às vezes comemos com as mãos”, lamenta a arquiteta. Para algumas dessas marcas, Patricia Martinez, de 35 anos, já está na terceira temporada de lojas. Mas é reservada quanto às idiossincrasias de cada uma delas, pois, até por razões contratuais, não pode falar de projetos ainda não concluídos.

O que ela diz, com muita clareza, é que o famoso custo Brasil está muito alto, razão pela qual algumas marcas são obrigadas a recorrer à importação de quase tudo para se estabelecer nos shoppings locais. “Conseguimos desenvolver produtos com a mesma qualidade dos outros países, mas por um preço muito superior. Então, tivemos que dar um passo atrás na ideia de fazer quase tudo aqui. Temos apenas três marcenarias de altíssimo padrão para atender o mercado de luxo: em Porto Alegre (RS), Itatiba (SP) e Curitiba (PR) — e elas não conseguem dar conta da demanda. Estou recusando clientes por falta de fornecedores e mão de obra.” Ela cita o caso recente de uma dessas marcenarias, que não aceitou a encomenda para fazer a nova loja da Tiffany por excesso de trabalhos já contratados. Por outro lado, a crise europeia e a ociosidade de empresas na Itália aparecem como alternativa ideal para compensar as lacunas nacionais. Carpetes, sofás e toda a iluminação embutida são importados.  O primeiro cliente de luxo do escritório de Patricia foi a Gucci, quando abriu sua loja no shopping Iguatemi, em São Paulo. A marca, que pertence ao grupo PPR, do magnata francês François-henri Pinault, acabou por ser seu cartão de visita na hora em que a Bottega Veneta, outra grife do mesmo conglomerado, aportou aqui por terras brasileiras. E assim foi. “Se você é bem-sucedido nesse mercado tem as portas abertas”, diz ela, que nos últimos anos mudou o foco do escritório, antes basicamente residencial, para atender o vertiginoso crescimento do segmento de luxo. Entre seus quinze funcionários agora há uma equipe voltada só para os projetos de luxo. Um de seus novos clientes é a grife italiana Tumi, de mochilas, malas e acessórios para viagem, que chega agora e abrirá em breve no shopping Iguatemi, de São Paulo. Por conta desses trabalhos, as relações internacionais do escritório se ampliaram e Patricia passou a fazer projetos mundo afora. Hoje, a ex-aluna da Universidade Mackenzie desenha apartamentos em Nova York, residências em Estocolmo, Las Vegas, Miami, Panamá e Madri. Mas não lhe pergunte o nome dos empresários que frequentam sua prancheta.

Matéria originalmente publicada no: Valor Econômico 13/02/2012

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25 anos do melhor design

Com um recorde de inscrições – 810 produtos, 50% a mais do que no ano passado –, o Prêmio Design Museu da Casa Brasileira chega à sua 25ª edição como um marco na história criativa do país. Entre as eleitas pelo júri, escolhemos 13 peças que refletem a diversidade e a excelência da premiação. A exposição com os 60 finalistas vai até 15 de janeiro na sede do museu. Quando, em 1986, o publicitário Roberto Duailibi, á frente do Museu da Casa Brasileira, decidiu instituir um prêmio para incentivar o design nacional em diversas áreas, as chances de sucesso pareciam remotas. “Na época, o desenho criativo era algo localizado. Acontecia mais na esfera noveleira e, mesmo assim, confundia-se com o artesanato”, conta Giorgio Giorgi, coordenador do atual júri. O que, então, deu certo para que a iniciativa se transformasse na mais importante premiação do setor? “Destacaria a seriedade do mantenedor, isento de interesses comerciais, o alto nível dos jurados e a revelação de novos talentos”, responde Miriam Lerner, diretora geral do museu. Em 25 anos, o prêmio vem mapeando o que há de mais importante na área de equipamentos para o habitat e bem estar urbanos e atrai desde os pequenos criadores até a indústria, sinalizando que o esforço em conceber bons produtos é crescente. O museu fica na av. Brig. Faria Lima, 2705, tel. (11) 3032-3727, São Paulo.

Matéria originalmente publicada no: Casa Claudia dezembro 2011

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