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TUDO TEM LUGAR CERTO NO APÊ DE 30 M²

25/02/2016

Com centímetros contados, este apê em Curitiba se vale de um projeto arguto, capaz de usar a marcenaria detalhada e os tons claros a favor de um espaço convidativo e charmoso, onde a organização é o primeiro sinal de conforto.

O predinho baixo de apenas três andares, a rua tranquila e o valor camarada do condomínio seduziram a educadora física Eloisa Mara Souza, cansada de pagar aluguel. Sim, aquele apartamento ainda em obras no bairro de Água Verde, na capital paranaense, caberia em seu orçamento. Entretanto, o primeiro imóvel dela impunha um grande desafio: como viver confortavelmente – com graça e funcionalidade – em exíguos 30 m²?

A tarefa encontrou o arquiteto Leandro Garcia, que concebeu um projeto sintonizado com as necessidades da intensa rotina da proprietária. “Fico fora o dia todo, pois dou aulas e só volto à noite. Assim, não queria nada que eu não usasse efetivamente, e sim um lar prático e fácil de manter, com tudo à mão, bem organizado”, comenta Eloisa. Na época da compra, há dois anos, o edifício estava quase finalizado. Durante os seis meses que teve de esperar para se mudar, ela pôde alinhar com a construtora a personalização contemplada nos desenhos de Leandro e, nos três meses finais, dar início à obra em si.

Como não havia lugar para sala e cozinha amplas, o arquiteto priorizou a primeira, já que a moradora não costuma comer em casa. “Tirei o maior proveito possível de cada canto. Desse modo, estar e jantar ocupam exatamente o mesmo local. Isso foi viável graças a uma mesa multiúso e com altura regulável. Baixinha, ela funciona como apoio para o sofá. Mais alta, fica na medida certa para servir refeições”, relata ele. Em vez de intervenções mais agressivas na planta, o engenhoso detalhamento da marcenaria deu conta dos maiores dilemas, como o de criar áreas de armazenamento. “O trabalho correu tranquilo, e adorei o resultado. Desde o início, confiei na capacidade de Leandro para conseguir encaixar tudo de que eu precisava”, aprova Eloisa.

Matéria publicada por Arquitetura e Construção em 03 de novembro de 2016

1° FOTO. Morada prática, organizada e fácil de manter – A estante acompanha todo o pé-direito de 2,50 m. parte da decoração, a discreta escadinha ajuda alcançar as prateleiras mais altas.

2° FOTO. Paredão de estante – Feito sob medida, o sofá revestido de linho não tem braços, o que ajuda na economia da área. Uma lateral fica encostada na estante de MDF coberta de pintura PU fosca (AD Marcenaria). Esse último móvel oculta a porta de correr que fecha o único dormitório.

3° FOTO. Capricho nos detalhes – A cozinha se restringe a poucos armários e a bancada de granito siena, com frigobar embutido, sobre o tampo, o espelho âmbar reflete a sala. Nesta foto, a mesa dobrável aparece em sua altura máxima para refeições. O chão exibe parque de imbuia.

4° FOTO. Porta com estilha – Na área de serviço, piso de pastilhas de porcelana de 2,5 x 2,5 cm.

5° FOTO. Claridade total – O branco também predomina no banheiro, que tem o mesmo acabamento da lavanderia, além de pia na mármore piguês e armário com pintura gofrato.

6° FOTO. Falso nicho – Como esconder o quadro de luz, situado na parede ao lado da porta de entrada, uma vez que a estante ocupa toda essa superfície? A solução foi instalar uma porta nos módulos com ferragem de fecho-toque. Quando cerrada, ela desaparece camuflada no conjunto.

7° FOTO. Linha contínua – O rodapé traz uma alternativa inusitada. “Usamos corda de nailón 10 [mm] vermelho porque queríamos conferir um ar mais feminino ao ambiente. Foi uma solução econômica em relação aos modelos tradicionais encontrados no mercado”, explica o arquiteto. Pregos simples se encarregam da fixação.

8° FOTO. Destaque interno – Externamente, o armário superior da cozinha é coberto de lâmina de itaúba escurecida. As portas dispensam puxador, proporcionando maior limpeza visual. Abertas, trazem à tona uma bela surpresa: o toque vibrante do revestimento melamínico amarelo, aplicado na parte de dentro.

9° FOTO. Três momentos – A obra não precisou derrubar paredes nem fazer grandes alterações na planta original, que setoriza os usos em porções bem definidas, alas íntimas, social e de serviço.