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ARQUITETURA, ARTE, DESIGN

23/06/2016

O israelense Ron Arad desbrava formas e materiais com seu traço surpreendente

Seu trabalho faz uma leitura ousada de formas. O que imagina provocar com suas obras? Tudo o que posso desejar é que as pessoas queiram sentir e usar minhas peças. Minha ideia é sempre criar algo que ainda não exista, sintonizado com o tempo em que vivemos. Nesse sentido, sou contemporâneo.

Que razões levam a aceitar um convite para assinar uma encomenda, do móvel à arquitetura? Antes de você começar qualquer projeto, é ideal avaliar como ele vai terminar, além dos propósitos. Precisamos de gente bacana para comissionar as propostas – há muitos bons arquitetos, mas poucos bons clientes. Você não simplesmente acorda e diz: “Hoje vou desenhar uma escola”. Em certo sentido, o arquiteto tem as mãos atadas, pois depende de decisões políticas e patrocinadores. No momento, estou envolvido com um hospital em Israel. Penso que é uma obra voltada para o bem-estar das pessoas, não meramente luxuosa. E, às vezes, por que não, você também precisa pensar algo motivado por outros interesses, como o desafio de gerar um resultado excitante e bonito.

Qual de seus trabalhos você elegeria como o que melhor representa seu pensamento? Acho que é o Design Museum Holon, em Israel, talvez porque eu não acreditasse que iria fazê-lo. Todos os projetos carregam as melhores intenções, mas em alguns você tem mais sorte do que em outros.

Já esteve no Brasil antes dessa visita à ExpoRevestir? Sim, e estou ansioso para voltar. Passei ótimos dias em São Paulo, onde pude conhecer as construções da arquiteta Lina Bo Bardi. Depois, segui para Salvador e também para o Rio de Janeiro. Esta última se tornou uma das minhas cidades favoritas no mundo por causa da topografia e das pessoas fantásticas com quem convivi.

Matéria publicada por Arquitetura e Construção em março de 2016

1ª FOTO. As curvas da D House, em Tóquio.

2ª FOTO. Hospital Beit Shulamit, a ser construído em Israel.

3ª FOTO. “Minha ideia é sempre criar algo que ainda não exista” Ron Arad, Arquiteto e Designer