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SÃO PAULO GANHARÁ OBRA DE JEAN NOUVEL

13/07/2016

Vencedor do Pritzker em 2008, o arquiteto francês esteve na cidade em abril para apresentar projeto, mix de hotel e residência

Como entrou em contato com o trabalho?

Estive em 2008 no local, o conjunto centenário Cidade Matarazzo, e fiquei impressionado. É uma arquitetura preservada, cercada de árvores antigas. Em torno dela, a metrópole se desenvolveu com prédios altos, criando uma exceção histórica. Quando fui convidado, vi a oportunidade de executar aquilo que, para mim, corresponde a como as cidades deveriam ser feitas – por sedimentação e mutação, levando em conta a geografia e a história locais.

Que tipo de diálogo seu projeto estabelece com o entorno?

A proposta é resgatar essa origem brasileira que aqui se perdeu. O desenho está ligado ao que encontrei conservado. É uma sobrevivência. Veja a potência dessas árvores: elas são uma micropaisagem urbana. Vamos manter isso como uma emanação do complexo existente, não dos prédios vizinhos. Numa entrevista, você disse que São Paulo era a síntese da desordem da globalização… Sim, grandes metrópoles são monstros, mas há algo fascinante nisso. São Paulo possui uma energia feita sem reflexão. Ela á assim, mas não precisamos deixá-la assim, podemos continuar transformando seu espaço.

Matéria publicada por Arquitetura e Construção em maio de 2016

1° FOTO. Com terraços e jardins elevado, a Torre Rosewood, complexo hoteleiro-residencial a ser instalado onde funcionava o hospital e maternidade Matarazzo, tem conclusão prevista para 2018.

2° FOTO. Jean Nouvel Arquiteto francês.