English Version

CLÁSSICO REVISITADO

13/09/2016

Dado Castello Branco recorre ao estilo para ambientar apartamento em Nova York para um casal paulistano

Estamos em Manhattan. Não, por certo, naquela Nova York dos lofts, feita de grandes espaços pontuados por móveis extravagantes. Mas em um apartamento de 120 m² decorado por Dado Castello Branco para proporcionar a um casal de paulistanos, em frequentes temporadas na cidade, a luxuosa sensação de se sentir em casa. Ainda que em meio a toda efervescência da Big Apple.

Situado em um edifício de década de 1940 do Upper East Side, a poucas quadras do Central Park, ele foi entregue a seus proprietários em 2015, após um longo processo de retrofit – termo utilizado para designar a modernização de construções consideradas ultrapassadas ou fora das normas para os padrões atuais. A partir de então, a reforma conduzida pelo arquiteto, entre projeto e execução, consumiu oito meses.

Nenhuma modificação mais radical foi necessária. A entrada continua se dando pelo hall de distribuição, de onde, à esquerda se tem acesso ao living, à direita, às duas suítes e ao lavabo. Como no passado, a iluminação continua, na maior parte do tempo, sendo feita por abajures, embora hoje tudo nele seja automatizado: cortinas black out, som, climatização.

“Com obras de arte de peso e móveis de alguns dos melhores fornecedores, em termos de funcionamento ele é extremamente prático. Como, aliás, meus clientes faziam questão”, conta Castello Branco, que não viu nenhum inconveniente em integrar a cozinha à área social, como ocorre hoje em nove entre dez projetos. No mais, tudo por lá parece estar exatamente onde deveria estar.

Os estofados, acinzentados, interagindo perfeitamente com a poltrona vintage de pés palito e com o carrinho de chá de linhas art déco. A bancada contínua, que separa o living da cozinha, construída em dois níveis, funcionando em um dos extremos como bar com banquetas – seguida pela mesa de refeições. O revestimento de lã, em todas as paredes, unificando o desenho do apartamento.

“Eles têm uma filha e três netos e adoram receber, tanto quanto cozinhar. De maneira que, de uma forma ou de outra, tudo acaba acontecendo em torno da cozinha”, comenta o arquiteto. Daí, segundo ele, a preocupação em integrar o ambiente à rotina do living. O laminado plástico empregado nas portas dos armários da cozinha, por exemplo, reproduz o tom das paredes.

“Me agradou muito a ideia de revisitar o estilo clássico neste projeto. Estudar com cuidado as proporções, trabalhar com nuances de cor, estudar o posicionamento de cada quadro. Nesse sentido, considero este apartamento bastante sofisticado. Não uma sofisticação banal, que nasce do luxo puro e simples. Mas da preocupação com cada detalhe”, conclui o arquiteto.

Matéria publicada pelo jornalista: Marcelo Lima do, O Estado de São Paulo em 04 de setembro de 2016

1° FOTO. No living, um grande sofá em ‘L’ da Flexform, telas coloridas de Eric Cahan e carrinho de chá Rauph Lauren.

2° FOTO. Tons de cinza predominam no living desta apartamento em Nova York com projeto de Dado Castello Branco.

3° FOTO. No living, um grande sofá em ‘L’ da Flexform, telas coloridas de Eric Cahan e carrinho de chá Rauph Lauren.

4° FOTO. Na parede do living, desenhos de Richard Serra. Os banquinhos são da marca italiana Flexform.

5° FOTO. Sala, cozinha e espaço para refeições ficam todos juntos. Destaque na ambientação, a poltrona de couro foi garimpada em um antiquário nova-iorquino.

6° FOTO. Neste projeto de Dado Castello Branco em Nova York para um casal paulistano, a mesa foi instalada na sequência da bancada da cozinha.

7° FOTO. O quarto tem cabeceira forrada com veludo feita sob medida.