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REFORMA TORNOU CASA NATURALMENTE ILUMINADA

01/12/2016

Antes sombria e árida, a residência marcada por jogo de níveis se abriu ao jardim e deixou a claridade inundar os ambientes

Por que viver num lugar com pouca luz e raras inserções de verde? Essa foi a pergunta que orientou a reforma do sobrado paulistano dos anos 70, em estado praticamente original e bastante deteriorado após mais de 40 anos. O desafio era complexo, pois os pavimentos eram muito compartimentados, o que prejudicava a entrada de claridade e impedia a dinâmica e a circulação desejadas pelos moradores no seu dia a dia. Além disso, o jovem casal de proprietários queria desfrutar em casa de um contato estreito com a natureza. “O ponto de partida, então, foi pensar numa área social envolvida por vegetação de vários lados”, descreve a arquiteta Mariana Andersen, do escritório Casa 14, autora do projeto. “E isso exigia conectar os ambientes e ampliar as aberturas para o exterior.”

Para dar conta da missão era preciso superar alguns obstáculos. Havia paredes subdividindo os espaços, e uma edícula de dois andares e 100 m² ocupava grande parte do quintal dos fundos. No living, a situação se apresentava ainda mais complicada, em função de um desnível de dois degraus, bem no prolongamento da escada de acesso.

Visando uma reorganização, a arquiteta propôs eliminar o anexo e remover as divisórias, passando depois ao nivelamento do piso da área social. “Isso permitiu integrar os cômodos e ampliar os jardins – um deles fica efetivamente dentro da casa –, de forma a acentuar a visão entre os patamares”, diz Mariana.

Assim, a varanda se tornou o principal ambiente de convívio, responsável ainda pela transição entre sala, cozinha e quintal, “não havendo hierarquia ou distinção clara entre interior e exterior”, ressalta a arquiteta. Também foi instalada uma grande esquadria de vidro no estar, na extensão da porta de correr, para aumentar a percepção do recuo lateral e a iluminação. Do outro lado, remodelar o janelão possibilitou que o jardim interno fosse estendido e repaginado.

O principal mérito do novo arranjo foi articular ambientes que se comunicam de modo a oferecer uma grande área de encontro envolvida por uma cortina de luz solar e plantas. E mais: proporcionar, de qualquer cômodo da face oeste, uma posição privilegiada para apreciar o pôr do sol.

Matéria publicada por Arquitetura & Construção em 25 de novembro de 2016

1° FOTO. A distribuição foi repensada para maximizar a conexão com o quintal e o paisagismo. As novas portas de correr vão de piso ao teto e cumprem a missão de otimizar a entrada de luz natural.

2° FOTO. Foi possível até ampliar o jardim interno, forrado com pedras malucas (Palimanan).

3° FOTO.O acesso se dá pelo patamar intermediário, e esta é a visão de quem entra na casa. Tal peculiaridade se deve ao modo como a parte inferior da construção foi implantada, meio-nível abaixo, acompanhando o leve declive do terreno. No ambiente de pé-direito duplo, pode-se descer a escada para a área social ou subir até o piso superior, que abriga a ala íntima.

4° FOTO. Danificada, a porta de correr original foi substituída por esquadrias de alumínio com pintura preta e vidro incolor temperado (Vanmar Serralheira) – à esquerda, na quina, o trecho acrescentado na reforma. Igualar o piso e retirar algumas divisórias (sem a necessidade de reforço estrutural) permitiu integrar os ambientes do andar inferior.

5° FOTO. Trocar o janelão (à esq.) por outro novo e maior ampliou a entrada de luz solar e permitiu incrementar o jardim interno. As réguas largas (20 cm) do assoalho antigo de ipê-roxo passaram por restauro (feito por Eli & Eli). “Rodamos a cidade toda para encontrar esse material e completar a área do piso que foi nivelada”, conta Mariana.

6° FOTO. Vista da rua, a casa parece térrea. A porta principal – pivotante, feita com chapa de ferro pela Vanmar Serralheira – dá acesso ao patamar intermediário da residência. Do lado direito, o escritório tem entrada à parte. Presente nos fundos, nas laterais e também aqui, na garagem, o pergolado de concreto aparente original se repete no projeto.

7° FOTO. O pedido de uma cozinha parcialmente unida à área social foi atendido com a divisória vazada de concreto e marcenaria ( à esq., na foto). Antes escuro e fechado, o ambiente teve a parede diante da varanda substituída por portas de correr – e a conexão dentro-fora ganhou o reforço da bancada (9 m, de Nanoglass) que se estende até a área de lazer. Luz extra pelas janelas paralelas e horizontais.

8° FOTO. Algo semelhante se deu no escritório, onde a laje fica apoiada nas paredes laterais, liberando o trecho junto ao teto para o fechamento com vidro (Severino Vidros), medida que melhora a leveza visual e a claridade.

9° FOTO. O pergolado de concreto armado possui quatro vigas principais que se apoiam nos pilares da fachada e se prolongam até o início do jardim interno, viabilizando o grande balanço (cerca de 3m). Original da edificação, estava pitado de branco e totalmente coberto com telha de fibrocimento.

10° FOTO. As intervenções focaram a remoção de paredes nos dois andares, a demolição da edícula e o nivelamento do piso da área social. Área: 300 m², Execução da obra: Instaltec Obras; Estrutura: Francisco Mello Jr.; Esquadrias e Serralheria: Vanmar Serralheria; Paisagismo: José Carlos Andersen (Zelão); Luminotécnica: Casa 14 + Adriana Feller (Reka).